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Fim do mundo

Na minha viagem de hoje, por entre uma zona costeira da região centro banhada pelo sol, ouvi com prazer esta reportagem da TSF sobre as rádios comunitárias da Guiné-Bissau. Devo dizer que me emocionei ao ouvi-la. E emocionou-me sobretudo a forma humilde e simples e ao mesmo tempo tão assertiva e voluntária como o nosso povo irmão da Guiné vive a comunidade, e o trabalho para o bem dessa mesma comunidade, defendendo com tenacidade o direito dos que não têm voz a terem a sua opinião, a exprimirem as suas vidas e as suas ideias, num serviço essencialmente comunitário para o bem de todos. Foi bonito ouvir o orgulho e o empenho com que os fundadores destas rádios, assim como aqueles que nelas trabalham, têm nas mesmas e no seu papel, muitas vezes contrariado pelas autoridades.

Partilho agora com todos vós esta reportagem. Vale muito a pena ouvir.

Ajudar quem cuida…

Venho aqui apresentar-vos o calendário solidário que foi concebido por 12 Mães Cuidadoras Informais, e que pretende ser uma forma de obter meios monetários destinados terapias/tratamentos e/ou suplementos alimentares para os filhos destas 12 cuidadoras. Mais informação pode ser encontrada aqui.

Esta é uma causa que tenho abraçado, colocando o blog ao serviço destas iniciativas levadas a cabo por cuidadores informais, que visam não apenas a obtenção de recursos solidários, mais igualmente a sensibilização para uma questão que entendo ser uma causa social, e mesmo civilizacional, apoiando estas pessoas que entregam toda a sua vida, todo o seu Ser e todo o seu Sentir ao cuidado do próximo, esquecendo-se muitas vezes de si mesmas para que os seus possam ter a dignidade que merecem, enquanto seres humanos que, com as suas vidas, enriqueceram um pouco mais a caminhada comum que com eles foi, e é feita.

Se não puderem comprar, apelo a que partilhem esta iniciativa. Em qualquer dos casos, fico-vos imensamente grato.

Crédito da imagem: Mães e Cuidadoras Informais

Frio e chuva

Do frio e chuva britânicos para o frio e chuva português…por entre voos internacionais e domésticos, finalmente de volta após uma semana de trabalho muito corrida. Ainda assim, e porque mesmo no meio do trabalho nunca devemos fechar os olhos aos pequenos prazeres que o mundo nos dá, terá sido das visitas ao Reino Unido onde pude usufruir de um pouco de paz natural, principalmente na minha estadia de duas noites em Wyncham Hall, na zona de Northwich. Uma casa de campo, restaurada, muito simples, enquadrada num cenário belíssimo, com um enquadramento verde que me permitiu alguns breves passeios matinais e de final do dia. Não tinha Wifi muito famoso…mas também não precisei dele enquanto lá estava…precisava sim do ar puro às portas de Manchester, e de poder diluir a velocidade dos dias num cenário de calma e paz, numa região norte de Inglaterra que aprecio particularmente desde que pela primeira vez a visitei…as pessoas tendem a ser mais simpáticas e um pouco mais abertas, ilustrando bem o princípio de que fora dos grandes centros, e particularmente em povoados pequenos, existe uma naturalidade e uma genuinidade que emana de uma vida diferente, num registo diferente, por vezes mais interior.

Para já, estou de volta ao frio e chuva portugueses. Talvez ainda volte a terras britânicas antes das férias, mas sinto a necessidade de, pelo menos durante algumas semanas, usufruir das minhas zonas de conforto. Para mim, que não assino por baixo a conotação negativa que nesta idade moderna se dá a esses pequenos espaços onde o tempo corre um pouco mais lento e sereno, elas são essenciais. Não podemos cair na tentação de confundir comodismo com conforto, realização de trabalho com realização pessoal…é preciso manter a vida naturalmente simples, e as nossas vidas devidamente separadas, pois nada pode ser dado, se nada também não for recebido, numa dinâmica interna de equilíbrio que, essa sim, é a base que cada vez mais devemos procurar na nossa existência.

PS – Não me esqueci dos podcasts, mas o tempo não tem sido muito. Dezembro trará o seu regresso.

Crédito da imagem: Wincham Hall

Simples…

A vida é simples. Simples no viver dos bons momentos, daqueles que não se partilham nas redes sociais, porque realmente não se têm de partilhar. Alimentam-se da energia do final dos dias, quando as pessoas ainda não desejam ir para casa, porque ainda existe uma busca a fazer. Em si, no próximo ou num qualquer local…não é muito relevante, até se sentir que se está no momento certo, com as pessoas certas, no lugar certo, e que toda essa vibração foi surgindo na semana, no tempo que simplesmente passa. E assim, por entre a confusão da cidade ou pelos caminhos que dela sai, conduzimos o nosso sentir até aquele ponto no espaço e no tempo onde apenas o essencial permanece num bom prato de deliciosas iguarias, e na conversa que se explana tão fresca e intensa como a imperial que está à tua frente, e que tu já não te lembravas de saborear com tanto prazer.

A vida é simples. É realmente muito simples…não interessa complicar.

Crédito da imagem: Schoolswork UK

Omnia in micro – 10

“A energia para o dia que nasce tem sempre a sua origem no desgaste do dia anterior…” escreveu ela enquanto o chá vagueava pelo quarto em aroma de menta…”entre eles”, continuou, “existe uma noite plena de luz, um silêncio pleno da voz do teu sentir, um vazio que se expande no teu Ser, repleto do que em ti existe para ofertares a ti mesma.”

Parou para refletir um pouco, olhando a janela entreaberta na noite…

“Assim”, concluiu, “quando dormes apenas deixas de existir, por entre a fina cortina do descanso. Tornas-te tempo sem espaço, por entre o pleno do vazio que desponta no brilhar da luz, na paz da voz, no que em ti se renova para renasceres de novo no sol de um dia que amanhece”

Sorriu e lentamente fechou os olhos. No dia seguinte, motivada pela insistência de quem a procurava, a polícia entrou na casa, encontrando-a sem vida na sua cama. Na sua face serena, ia-se erguendo o sol da manhã. Partiu só, como sempre viveu: repleta de si.