Omnia in micro – 15

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Crédito: Desconhecido. Solicito Informação.

Chegada aquele lugar, onde o vento se ilumina em sol e a areia se explana em mar, pousou a sua mochila e despiu-se. Enquanto as roupas caiam no silêncio da liberdade do momento, contemplou o azul à sua frente, que ali calmamente se explanava numa pequena enseada, como que enquadrando o seu corpo nu e pleno de vida numa qualquer tela de verão, inundada na luz de um qualquer tempo pausado naquele momento. Nele se deixou envolver como se o universo nela repousasse, boiando na contemplação do azul do céu. À sua volta nada existia, tudo se transformando em paz.

Simples

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Crédito: Paulo Heleno

Hoje foi o meu primeiro passeio à beira-mar, em férias. Com corpo e mente a adaptarem-se a uma vibração mais calma, fui, como sempre, lentamente caminhando rumo ao meu destino de sempre, aqueles locais onde as pegadas desaparecem e o silêncio reina…dei por mim a questionar-me sobre a simplicidade do viver, e como nessa simplicidade conseguiria expressar não apenas o caminho que vou vivendo, mas igualmente o que ele me vai traz, passo a passo, acima dos dias…

Paz…Amor…Amar…Ser…Ir…Nós…Tudo…Nada…Flor…Voo…Mar…Céu…Sol…Azul…Dar…

A vida é realmente simples quando cada passo se manifesta apenas em três ou quatro letras…

Omnia in micro – 13

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito Informação.

Todos os finais de tarde caminhava sem tempo…num dia, numa hora ou numa vida, deixava-se apenas deslizar por caminhos em tons de sol poente, por entre pinceladas de suave brisa marítima, compondo o seu horizonte. Intrigava-a a exaustão consentida da procura em decompor essa vastidão tão própria de cada um em algo que tivesse de ser visto ou admirado pelo outro. Ou medido…ou quantificado… tal qual a afirmação egótica de um Eu aprisionado por entre a ilusão dos dias de uma qualquer realidade distópica de sucesso…visto e admirado, mas aprisionado.

A beleza do caminho simplesmente existia em si. Olhava-a…trilhava-a, respirava-a…por vezes com ela dialogava por via dos pensamentos que se tornavam imagem de si mesma pelas lentes da sua máquina. E sem regras, porque as regras, na fotografia foram feitas para serem quebradas, por entre grades vencidas nos restos dessa realidade distópica que se rendia ao facto de, em todo o entardecer, ela apenas desejar olhar o horizonte.

On the road

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Crédito da imagem: Paulo Heleno

Dia de regressar às viagens. Dia de sol e céu azul, que me acompanharam por entre as nossas estradas, sempre ladeadas de um verde brilhante de verão. Até ao final do mês irei ficar a maior parte do meu tempo na região de Aveiro, toda uma zona onde me sinto bem, imerso nas suas cores e formas…para ser franco, nesta altura, o viajante não poderia desejar algo melhor. Regressei com um enorme desejo de passar mais tempo na minha terra, harmonizando-me com um sol que num passado recente foi ausente, e transpondo mais alguns degraus daquilo que considero ser a minha caminhada, numa visão cada vez mais larga que vou tendo da minha vida.

As estadias prolongadas no Brasil e no Reino Unido foram fantásticas. E se profissionalmente foi muito interessante, do ponto de vista pessoal foi sensivelmente um ano e meio de um verdadeiro banho de mundo, movimentando-me por várias realidades dentro da própria realidade destes países (cada um deles riquíssimo na sua diversidade), saboreando vários universos sociais, culturais, históricos, artísticos que decididamente me marcaram e me fizeram evoluir enquanto pessoa, rasgando o dogma da viagem de trabalho e atirando-o ao vento em mil pedaços, que se vão consubstanciando em pequenos passos em frente…por vezes grandes passos, que resistem como uma ponte para o futuro por contraponto aos rios revoltos do passado. Reconheço que é por vezes uma ponte de geometria variável 🙂 mas, passo a passo, a caminhada vai-se transformando em horizonte palpável.

Tornei-me um cidadão do mundo, pois apenas o mundo preenche a minha vontade de crescer e de o descobrir, sem dúvida com muitas mais viagens para fazer. Mas agora, sinto-me em paz, resguardado num espaço mais próximo, onde posso planear ideias para um futuro mais ou menos distante, com apenas uma certeza: somos o que escolhemos evoluir. Evoluímos na medida do que desejamos ser.

Crédito da imagem: Paulo Heleno

Omnia in micro – 10

“A energia para o dia que nasce tem sempre a sua origem no desgaste do dia anterior…” escreveu ela enquanto o chá vagueava pelo quarto em aroma de menta…”entre eles”, continuou, “existe uma noite plena de luz, um silêncio pleno da voz do teu sentir, um vazio que se expande no teu Ser, repleto do que em ti existe para ofertares a ti mesma.”

Parou para refletir um pouco, olhando a janela entreaberta na noite…

“Assim”, concluiu, “quando dormes apenas deixas de existir, por entre a fina cortina do descanso. Tornas-te tempo sem espaço, por entre o pleno do vazio que desponta no brilhar da luz, na paz da voz, no que em ti se renova para renasceres de novo no sol de um dia que amanhece”

Sorriu e lentamente fechou os olhos. No dia seguinte, motivada pela insistência de quem a procurava, a polícia entrou na casa, encontrando-a sem vida na sua cama. Na sua face serena, ia-se erguendo o sol da manhã. Partiu só, como sempre viveu: repleta de si.