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Uma história de Natal…

Quando me levantei no dia de Natal, esta foi a história que vi, mal liguei a televisão. A bordo de um barco de refugiados, em pleno Mediterrâneo, e depois da entrada ter sido vedada nos portos italianos, os refugiados que iam a bordo, e muito especialmente as crianças, tiveram uma festa natalícia plena de sorrisos, levada a cabo com o esforço dos voluntários a bordo, que não se pouparam para criar um ambiente que, por alguns momentos, fizesse esquecer todas as agruras vividas por estas pessoas. Há mesmo um fundo de verdade quando se diz que a história, ou por vezes alguns dos seus aspetos, repetem-se…no exercício intemporal da exploração dos povos pelo interesse de alguns, sobressaem em cada época os pequenos grandes exemplos de libertação que nos indicam um rumo, um horizonte, em tempos mais incertos. Algo que não se encontra nos livros, mas no coração de cada um de nós, despertando sempre na simplicidade das pequenas grandes coisas, como a alegria das crianças.

Tive uma noite de Natal calma e agradável, assim como o dia. Mas ao assistir a estes momentos, confesso que senti-me flutuar até uma dimensão diferente…e por lá vou ficando…

Crédito da imagem: SIC

Simples…

A vida é simples. Simples no viver dos bons momentos, daqueles que não se partilham nas redes sociais, porque realmente não se têm de partilhar. Alimentam-se da energia do final dos dias, quando as pessoas ainda não desejam ir para casa, porque ainda existe uma busca a fazer. Em si, no próximo ou num qualquer local…não é muito relevante, até se sentir que se está no momento certo, com as pessoas certas, no lugar certo, e que toda essa vibração foi surgindo na semana, no tempo que simplesmente passa. E assim, por entre a confusão da cidade ou pelos caminhos que dela sai, conduzimos o nosso sentir até aquele ponto no espaço e no tempo onde apenas o essencial permanece num bom prato de deliciosas iguarias, e na conversa que se explana tão fresca e intensa como a imperial que está à tua frente, e que tu já não te lembravas de saborear com tanto prazer.

A vida é simples. É realmente muito simples…não interessa complicar.

Crédito da imagem: Schoolswork UK

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Não resisti a partilhar este “Dances of Palucca”, um ensaio de Wassily Kandinsky, de 1926. É, para mim, um ensaio muito interessante dentro da escola Bauhaus, pois aplica o estudo da forma não a um qualquer artefacto ou produto (no caso de Kandinsky, a uma qualquer visão abstrata desprovida de modelos), mas à expressão do corpo humano, e do seu movimento. Mesmo aqui, as linhas orientadoras da Bauhaus estão presentes, definidas de forma básica, simples, personificada na preponderância absoluta do traço sobre qualquer expressão decorativa acessória. Da mesma forma, vemos uma geometria tão bem definida em figuras simples, quanto expressiva.

Crédito da imagem: Wassily Kandinsky