Semana longa

Com o intensificar do trabalho, e a ter que aproveitar parte das noites para o meu mini-MBA em Gestão de Serviços, o tempo não tem sido muito para escrever…ou ler, apesar de não conseguir acabar o dia sem aqui deixar o meu pequeno momento de partilha. O tempo escasseia, mas ainda assim, apesar de não ser muito, há sempre lugar para a frescura do novo que sempre se renova em novas ideias…tudo vai estando preparado para a segunda série de episódios do podcast, em muitos aspetos uma evolução da primeira, e que se irá iniciar com a temática dos cuidadores informais, algo que já vivi um pouco na minha vida, e uma causa que aprecio particularmente. Enquanto isso, no dia-a-dia, resta-me algum tempo a seguir ao almoço e ao jantar para ver o que se passa na minha conta do Twitter, ler um pouco, ver televisão…por vezes dormir. Apenas a música me acompanha durante todo o dia, trazendo uma muito doce sensação de equilíbrio ao trabalho, dando-lhe por vezes um muito necessário colorido e vivacidade, naqueles 5 minutos tão necessários para desfrutar uma melodia, saborear uma letra…por vezes até dançar. No meio de tudo isto, só as dores no corpo não ajudam, especialmente nestas estações de transição…por entre o calor que se faz frio e que em calor nos torna a aquecer, o corpo sente-se um pouco, principalmente as costas, um pouco afetadas pelo acidente que sofri o ano passado. Mas o caminho faz-se caminhando…

Os bocadinhos dos dias vão sendo assim cada vez mais importantes, pontos cada vez mais focais de serenidade…por entre a dinâmica ensurdecedora dos homens vai brilhando o meu pequeno silêncio, trilhando um caminho de paz por entre horizontes que despontam na bruma, de forma mais ou menos espontânea…a felicidade não está em usufruir de tudo o que nos é dado, de uma forma indiferenciada…ela está na escolha plena de sabedoria e gratidão do horizonte onde vislumbramos um pouco mais da nossa felicidade.

 

Omnia in micro – 5

De Lisboa partiram para muitas paragens, enquanto na escuridão meio iluminada do autocarro partilhavam histórias de viagens a lugares distantes e desejos próximos de futuras partidas. De repente, o silêncio suavemente embalou-os, talvez pelo cansaço das peripécias do dia, ou pela saciedade dos seus íntimos…o sorriso que trocaram fez-lhe parecer que era a segunda hipótese…por fim, despediu-se dela e ela dele…mas verdadeiramente ela nunca partiu, e verdadeiramente, ele nunca terá chegado.

Deutschland

Acabei agora de trabalhar. Ao ligar a televisão, apenas o tom dos jornalistas parecia deixar antever que algo de fantástico tinha acontecido. Fiquei assim a saber que a Alemanha tinha sido eliminada do Mundial de Futebol, que em Berlim era a tristeza que passeava pelas ruas numa (talvez) solarenga tarde, e que existia um certo tom de contentamento geral dos homens que habitualmente relatam estas coisas da bola. Não é, de facto, coisa que consiga perceber muito bem.

Toda esta reação em torno do gigante caído retrata um pouco de nós mesmos…na rotina dos dias, vivemos uma tão intensa quanto relativa (ou ausente) positividade que se respira no que de artificial nos rodeia, alimentando todo um conjunto de objetivos em que nunca pensámos, mas que com toda a certeza vamos conseguir atingir se muito trabalharmos, abdicando dessa “entidade negra” chamada zona de conforto (aquela a que por vezes temos tanta necessidade de voltar, para sarar as nossas feridas), para transcendermos o estado presente das nossas vidas…as fórmulas rodeiam-nos, e os resultados da sua aplicação multiplicam-se em ainda mais fórmulas, num caminho de nenhures, rumo ao sucesso…também aí reside uma parte importante das mecânicas nacionalistas que vão emergindo no nosso tempo, e que nada mais são do que o apoderar por parte de alguém destas dinâmicas coletivas, algumas vezes aplicando-lhes um símbolo. Mas a isso voltarei outro dia.

Neste processo mental de luta permanente, algures entre David e Golias, em cujo triunfo do underdog é considerado ao nível pessoal, vamos esquecendo como se erra, e como refletir nesses erros…esquecemos igualmente de como a vida nos brinda com a sua ciclicidade, que nos banha nas ondas de um mar interior que gostamos de ver ilustrado no silêncio da praia. Saber observar esse além, na natureza que nos rodeia e na humanidade que nela desponta, é o que nos faz evoluir, sonhar, pensar e amar um mundo melhor…sempre renovando-se, e levando-nos com ele.

45

Não gosto de saudosismos. Nunca gostei, e da vivência no passado apenas guardo a memória de não evoluir. Gosto, contudo, de falar do passado, porque dessa viagem nascem grandes lições para o caminho, de como o pé sabe acariciar o chão, lançando o próximo passo no universo.

Mas hoje, mais um aniversário passou. Mais um dia, mais um passo. Mais um silêncio encontrado nos horizontes que nele se abrem…presente que se recusa tornar passado, que insiste em tornar-se futuro.

És feito de um tempo que se renova, senhor de um futuro que apenas no teu silêncio constróis.

Tu, a ti mesmo pertences.