Omnia in micro – 15

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Crédito: Desconhecido. Solicito Informação.

Chegada aquele lugar, onde o vento se ilumina em sol e a areia se explana em mar, pousou a sua mochila e despiu-se. Enquanto as roupas caiam no silêncio da liberdade do momento, contemplou o azul à sua frente, que ali calmamente se explanava numa pequena enseada, como que enquadrando o seu corpo nu e pleno de vida numa qualquer tela de verão, inundada na luz de um qualquer tempo pausado naquele momento. Nele se deixou envolver como se o universo nela repousasse, boiando na contemplação do azul do céu. À sua volta nada existia, tudo se transformando em paz.

Omnia in micro – 14

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Crédito: Desconhecido. Solicito Informação.

Sempre que entrava na sala, já submergindo na contemplação abraâmica do rio, perguntava-se porque estava tão vazia…os seus passos ecoavam no silêncio do abandono que parecia ter tomado conta daquele lugar, por entre vozes díspares e ocasionais que ecoavam longe, indistintas, vazias…tentava por vezes entender o que diziam, mas tal sempre lhe escapava. “Se não as compreendo”, pensou ela, “não serão importantes…não são as minhas”.

E chegada à janela, pelo caminho das vozes sem rumo, deixava-se partir num olhar.

Abrac…inhos

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Crédito da imagem: India.com

Hoje fiquei a saber que há uma forma mais “normalizada” de dar um abraço. Nunca é tarde para aprender…é, basicamente, algo mais formal, colocando-nos um pouco de lado e pousando o braço nos ombros da pessoa. Para mim, que sempre valorizei muito este gesto, esta forma mais distante, mais protocolar de abraçar (um pouco como um cumprimento frequente e regular) causa-me alguma impressão, para não dizer que me é um pouco inócua. Abraçar é, para mim, algo de mesmo muito especial, que me permite sentir e comunicar com o próximo, em silêncio, por via da expressão do toque, dando-lhe uma sensação envolvente, tornando-a naquela forma de expressão que instintivamente entendemos, e que intuitivamente passa uma mensagem, um sentir, pelo contacto entre as diferentes vibrações de duas pessoas.

Por mim, continuarei a utilizar o beijo e o tradicional “passou bem” para esse tipo de cumprimentos, até porque, para ser franco, não partilho um abraço com facilidade. O Abraço, esse, sempre continuará a revelar-se na espontaneidade do seu surgir. Nunca forçado. Sem tempo, no momento certo.

 

Simples

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Crédito: Paulo Heleno

Hoje foi o meu primeiro passeio à beira-mar, em férias. Com corpo e mente a adaptarem-se a uma vibração mais calma, fui, como sempre, lentamente caminhando rumo ao meu destino de sempre, aqueles locais onde as pegadas desaparecem e o silêncio reina…dei por mim a questionar-me sobre a simplicidade do viver, e como nessa simplicidade conseguiria expressar não apenas o caminho que vou vivendo, mas igualmente o que ele me vai traz, passo a passo, acima dos dias…

Paz…Amor…Amar…Ser…Ir…Nós…Tudo…Nada…Flor…Voo…Mar…Céu…Sol…Azul…Dar…

A vida é realmente simples quando cada passo se manifesta apenas em três ou quatro letras…

Omnia in micro – 12

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Crédito: Desconhecido. Solicito Informação.

Habituou-se cedo a sentir a noite como um trilho de silêncio por entre o som labiríntico dos dias.  E igualmente cedo, compreendeu que não adiantava desafiar esses sons falando ainda mais alto…apenas se emaranhava numa confusão desafinada de tons distónicos, perdendo o seu caminho… de facto, não era o som que lhe dava um sentido, mas sim a forma como ele se desvanecia no seu sentir.