Tag Archives: sentir

Travelling with Miles

1920x1440-miles-davis-in-concert

Crédito: Desconhecido. Solicito informação.

Sempre que viajo, gosto de ouvir Miles. O contacto com cenários novos, ou que apenas visito de vez em quando, convida-me a ouvir música, pois com ela consigo-os viver de uma forma mais interior, reverberando em mim de diversas formas. Mais calmos e rurais, ou mais intensos e urbanos, a música ajuda-me a interiorizar a energia do que vejo, relativizando o tempo enquanto me desloco por esses locais.

O som de Miles é extraordinariamente ambiental. Nos seus ritmos mais enérgicos consigo sentir, por exemplo, o pulsar do ritmo de um aeroporto, enquanto que nos seus ritmos mais lentos, consigo transportar para o meu interior o sentir de um avião a sobrevoar o mar, o que nos dá a sensação de estarmos virtualmente parados no ar. Gosto de o considerar como um som verdadeiramente orgânico, que se desloca connosco, e que parece ter as suas raízes nas suas próprias vivências enquanto homem, desde as lutas dos direitos cívicos, onde o seu pai teve um papel importante, e onde Miles absorveu a atmosfera de uns EUA em mudança abrupta que também o atingiu (perdeu vários concursos musicais na sua juventude para colegas brancos); até à contemplação em si mesmo da sua personalidade, da sua própria sensibilidade, procurando algumas vezes a paz por entre a tempestade.

Talvez por isso, e pela forma como evoluiu dentro desse contexto de época, indo sempre mais longe na exploração do seu inigualável talento, o seu som seja tão real em termos da ilustração do que observamos em nosso redor. Se é verdade que os tempos mudam, também é certo que eles podem ser captados em toda a sua essência através da arte, tornando-se intemporais na medida da sua própria intensidade intrínseca, e da profundidade com que esses momentos são vividos e sentidos, colocando-nos perante a contemplação intemporal da nossa própria humanidade.

É estranho…

Antes do jantar estive a fazer algumas recomendações na LinkedIn. Sou sempre um pouco cético em relação a esta rede, que é sempre utilizada com muito marketing associado, pessoal e organizacional. Ainda assim, gosto de nela ter a imagem que tenho nas outras redes…a minha. De autenticidade e veracidade em todo o meu estar, ser e sentir online. Por isso escolhi bem as pessoas que no meu entender mais mereciam essas recomendações, e escrevi da forma como gosto de escrever (quem me conhece sabe que eu sou muito mau a resumir coisas, e escrevo um pouco com o coração. Bom…aqui também é o caso).

Fiquei realmente surpreendido com as respostas e os agradecimentos. Às vezes sinto que as pessoas apenas querem algum carinho…serem ouvidas, serem estimadas…algo que cada vez mais está ausente do normal desenrolar dos dias (e principalmente do desenrolar das dinâmicas de relacionamento nas organizações). Parece-lhes algo estranho que alguém fale de uma forma sentida e positiva sobre os seus trabalhos, como se tal fosse algo fosse expressão de uma qualquer diferente dimensão. Acaba por ser um sinal do quanto as expetativas em relação à forma como nos relacionamos nas organizações é baixa, e o quanto essa expetativa é o alfa e o ómega de uma postura mais defensiva, até mesmo no simples ato de mostrar as pessoas algum tipo de sentimentos genuínos por vitórias ou derrotas. É algo que procuro contrariar na minha postura profissional. Acredito que mesmo nestas situações, estamos a falar de relacionamentos que têm um pouco de pessoal…afinal, uma organização é também uma comunidade de pessoas. Não faz mal deixarmos também que exista uma expressão da nossa naturalidade nestes atos. Sem, contudo, deixarmos de estar alerta para pessoas e ações menos bem intencionadas, nocivas mas toleradas (e por vezes estimuladas) nas organizações.

A vida é simples. Não há necessidade de complicar.

Simples…

A vida é simples. Simples no viver dos bons momentos, daqueles que não se partilham nas redes sociais, porque realmente não se têm de partilhar. Alimentam-se da energia do final dos dias, quando as pessoas ainda não desejam ir para casa, porque ainda existe uma busca a fazer. Em si, no próximo ou num qualquer local…não é muito relevante, até se sentir que se está no momento certo, com as pessoas certas, no lugar certo, e que toda essa vibração foi surgindo na semana, no tempo que simplesmente passa. E assim, por entre a confusão da cidade ou pelos caminhos que dela sai, conduzimos o nosso sentir até aquele ponto no espaço e no tempo onde apenas o essencial permanece num bom prato de deliciosas iguarias, e na conversa que se explana tão fresca e intensa como a imperial que está à tua frente, e que tu já não te lembravas de saborear com tanto prazer.

A vida é simples. É realmente muito simples…não interessa complicar.

Crédito da imagem: Schoolswork UK

Buddy

Andava um pouco afastado do Blues. Não sei explicar muito bem porquê, mas em mim sentia uma necessidade de me afastar um pouco deste estilo de música. Havia algo no seu sentir que me fazia sentir preso num lamento enquanto verdadeiramente algo se alegra em mim…mas hoje, no decorrer de um dia cansativo na estrada, passou na Smooth FM este Five Long Years, um dos meus preferidos, na minha versão preferida, a de Buddy Guy…O que sinto no Jazz com Miles, sinto no Blues com os acordes de Buddy, a predestinação do exaltar do sentimento humano.

E de repente…algo se transformou…tinha-me esquecido que poucos estilos como o Blues exultam, através do seu lamento, por vezes intenso, o nosso libertar interior.

Foi o Blues certo. Na hora certa. No infinito certo.

Crédito do vídeo: BMG Rights Management

A visão Bauhaus

Um vídeo simples, mas muito interessante, que nos mostra como o movimento Bauhaus contém, na sua essência, muitos dos pressupostos que deveriam mover a inovação no tempo moderno. A ideia de um mundo repensado, numa filosofia minimalista que evolui numa base inspirativa e inspiradora, para lá dos ditames do mercado…uma reforma viva, vibrante, baseada na partilha e evolução das ideias como produto duma reflexão liberta, acomodando o progresso e as dinâmicas sociais do nosso tempo no sentir intemporal que nos define enquanto humanidade. Para mim, continua a ser um paradigma muito interessante, num mundo e numa sociedade que de facto necessitam de ser profundamente repensados à luz do homem que se liberta, deixando para trás o homem que um dia se prendeu no vazio do que conquistou.

A paixão continua bem viva…

Crédito do Vídeo:Bauhaus Movement