De volta

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Crédito: Premium Paints

Finalmente de volta às lides do blog, depois de praticamente um mês passado no Reino Unido. Sim, é verdade, o estar fora não me impediria teoricamente de manter os posts regulares, mas também é certo que o trabalho tem sido bastante intensivo, num grau de exigência superior, e as horas fora do mesmo são destinadas a partilhar as novidades com os amigos, de uma forma mais expedita (como a promovida pelas redes sociais), ouvir música, e tentar ler um pouco…o importante mesmo é basicamente esquecer a o dia ou a semana, e tentar devolver-me a mim mesmo por algumas horas ou dias. Um trabalho de balanceamento entre o profissional e o pessoal que para mim é fundamental, e cada vez mais estrutural nas sociedades modernas, e no caminho que vão trilhando, à medida que as pessoas se tornam mais exigentes na busca da sua felicidade. Ainda assim foi uma experiência muito positiva, assim como foi a experiência de quase meio ano no Brasil, e que continuará em 2019, certamente com mais tempo para escrever.

Ainda nos encontraremos antes do Natal. Aqui e nos podcasts.

Simples…

A vida é simples. Simples no viver dos bons momentos, daqueles que não se partilham nas redes sociais, porque realmente não se têm de partilhar. Alimentam-se da energia do final dos dias, quando as pessoas ainda não desejam ir para casa, porque ainda existe uma busca a fazer. Em si, no próximo ou num qualquer local…não é muito relevante, até se sentir que se está no momento certo, com as pessoas certas, no lugar certo, e que toda essa vibração foi surgindo na semana, no tempo que simplesmente passa. E assim, por entre a confusão da cidade ou pelos caminhos que dela sai, conduzimos o nosso sentir até aquele ponto no espaço e no tempo onde apenas o essencial permanece num bom prato de deliciosas iguarias, e na conversa que se explana tão fresca e intensa como a imperial que está à tua frente, e que tu já não te lembravas de saborear com tanto prazer.

A vida é simples. É realmente muito simples…não interessa complicar.

Crédito da imagem: Schoolswork UK

@ Pinterest

Convido a uma visita ao meu perfil na Pinterest, uma forma diferente, mais visual, de partilhar gostos, desejos, aventuras, de uma forma mais visual, aproveitando belíssimas imagens que se encontram por estas estradas virtuais fora. Viagens, livros, filmes, meditação, fotografia P&B ou vinhos são apenas alguns dos temas que poderão encontrar, num perfil que está sempre em evolução. Como sempre, e seguindo uma política que norteia toda a minha presença na internet, o seu a quem de direito…os direitos de todas as imagens exibidas pertencem exclusivamente ao seus autores.

Grato desde já pela visita.

Crédito da imagem: SEJ

Halloween

Ainda hoje referi numa rede social aqui ao lado que não sou grande adepto do Halloween. De facto não o sou, e faz-me impressão todo o marketing associado a esta época, que de forma vazia atinge os adultos. Mas gosto de ver os pequenitos com as suas fatiotas e a sua inocência (é também o que aprecio mais no carnaval). Mas o meu Ser já se sente atraído pelo que está na raiz do Halloween,  para lá da aculturação americana que sofreu, ou da matriz religiosa que lhe começou a dar alguma identidade moderna, nomeadamente a temática das bruxas. Para lá de tudo isto, nos tempos idos dos antigos povos celtas da era do paganismo, celebravam-se as colheitas com alegria e respeito pelas forças naturais, com uma emanação da essência feminina da vida. Isso aproxima-se muito da forma como vejo esta altura do ano, uma altura de celebração da vida que se renova, numa atmosfera especial de reconexão que me infunde profunda paz, como já tenho deixado transparecer em posts anteriores. O facto de nesta época se lidar muito com bolos também é especialmente cativante, diga-se em abono da verdade.

Adoro os Peanuts. Desde criança que o episódio especial de Halloween é um dos meus momentos preferidos em televisão, nunca perdendo as recorrentes repetições anuais. E assim, em homenagem a todos os pequenitos que vivem esta época de uma forma especial (e porque a minha criança interior também assim o pede), fica aqui a imagem do Linus, esperando ansiosamente pela Grande Abóbora. Que todos possamos, na época de transição conturbada em que vivemos, saber esperar pela Grande Abóbora com os pequenitos, libertando as muitas crianças interiores aprisionadas que por mim passam na rua. E ao mesmo tempo, celebrar a renovação da vida, imersos num dos cenários mais bonitos (o outono) que a natureza nos oferece.

Crédito da imagem: Peanuts

Brasil – segundo turno

Chegamos então ao segundo turno das eleições no Brasil. O caminho feito até aqui, desde o primeiro turno, não trouxe nada de novo em termos de estratégias, típicas de uma segunda volta. em qualquer país. Os discursos são mais fluídos nas propostas apresentadas, tentando acomodar o eleitorado “orfão” do primeiro turno, mas igualmente procurando facilitar as negociações políticas  para um congresso que se prevê dividido, uma questão particularmente importante, dada a escolha mais radical de “vices” feita por ambos os candidatos.

Bolsonaro claramente suavizou um pouco o discurso em questões governamentais, retirando certezas da nomeação de Paulo Guedes para um super-ministério da fazenda, economia e desenvolvimento (inclusive lançando dúvidas sobre a criação do mesmo). A junção da agricultura com o ambiente foi também algo em que Bolsonaro pareceu recuar, juntamente com importantes referências de manutenção no acordo de Paris e ao não encerramento da fronteira com a venezuela (ambas importantes no cenário regional e global), tudo mostrando que de facto, a época da negociação política referenciada acima estava em curso). Ao contrário, Bolsonaro manteve a rudeza e a violência no discurso sobre segurança e corrupção, mantendo o sentimento anti-PT como driver fundamental de uma retórica que mais uma vez levantou dúvidas sobre o futuro democrático do Brasil. Continuou igualmente a campanha centralizada nas redes sociais, fazendo circular todo um manancial de fake news em circuito fechado, aumentando o surrealismo de uma campanha que levou o modelo Trump a um novo e infeliz nível ( a intervenção do Facebook e do Whatsapp, para além de tardia face aos indícios que já existiam, foi escassa. Ainda assim, podemos considerá-la um fator mediano na queda de Bolsonaro nos últimos dias.

Quanto a Haddad, já se lhe antecipava o caminho das pedras. Manter o fiel eleitorado do PT enquanto se lançam pontes para uma aliança anti-Bolsonaro nunca seria um exercício fácil no Brasil, depois da forma como o PT, nos anos de governo, tratou o centro-esquerda e o “centro”. Ainda assim, Haddad conseguiu parcialmente fazer essa ponte junto do eleitorado com a ajuda do aumento de rejeição a Bolsonaro, muito baseado na reação aquele discurso “caseiro” do candidato radical; de uma intervenção ao nível de certos núcleos evangélicos que, originalmente apoiando Bolsonaro, alteraram o seu apelo de voto, e com a intervenção de praticamente toda a classe cultural brasileira, que tem intervido em peso nos dias finais da campanha. Outro dos fatores importantes foi a intervenção direta de milhares de voluntários numa estratégia de contacto direto com as pessoas, muito em contraponto com a presença na net de Bolsonaro, promovendo uma “virada”no sentido de voto. A expressão desta tática foi muito forte em S. Paulo, tendo as sondagens ilustrado uma inversão no sentido de voto na cidade. Uma inversão que, em menor escala, se tem feito sentir ao nível nacional, principalmente na última semana, gerando uma onda forte de entusiasmo num sprint final tão interessante quanto indefinido. Ciro Gomes ainda não definiu qualquer orientação pública face ao seu sentido de voto, fazendo com que os 12% de votos expressos que atingiu no primeiro turno sejam uma parte do joker que irá pairar amanhã sobre estas eleições, ao mesmo tempo que mostra que a negociação para o Congresso pode ser bem mais complexa do que a congregação do eleitorado do centro numa frente anti-Bolsonaro, muito guiada pelo medo. A outra parte serão os cerca de 16% de indecisos, cuja provável orientação é, neste momento, bastante difícil de definir.

Veremos amanhã como será orientado o sentido de voto dos brasileiros. Depois, vem aí um dia absolutamente crítico para o futuro deste novo ciclo: o 29 de Outubro de 2018.