Halloween

Ainda hoje referi numa rede social aqui ao lado que não sou grande adepto do Halloween. De facto não o sou, e faz-me impressão todo o marketing associado a esta época, que de forma vazia atinge os adultos. Mas gosto de ver os pequenitos com as suas fatiotas e a sua inocência (é também o que aprecio mais no carnaval). Mas o meu Ser já se sente atraído pelo que está na raiz do Halloween,  para lá da aculturação americana que sofreu, ou da matriz religiosa que lhe começou a dar alguma identidade moderna, nomeadamente a temática das bruxas. Para lá de tudo isto, nos tempos idos dos antigos povos celtas da era do paganismo, celebravam-se as colheitas com alegria e respeito pelas forças naturais, com uma emanação da essência feminina da vida. Isso aproxima-se muito da forma como vejo esta altura do ano, uma altura de celebração da vida que se renova, numa atmosfera especial de reconexão que me infunde profunda paz, como já tenho deixado transparecer em posts anteriores. O facto de nesta época se lidar muito com bolos também é especialmente cativante, diga-se em abono da verdade.

Adoro os Peanuts. Desde criança que o episódio especial de Halloween é um dos meus momentos preferidos em televisão, nunca perdendo as recorrentes repetições anuais. E assim, em homenagem a todos os pequenitos que vivem esta época de uma forma especial (e porque a minha criança interior também assim o pede), fica aqui a imagem do Linus, esperando ansiosamente pela Grande Abóbora. Que todos possamos, na época de transição conturbada em que vivemos, saber esperar pela Grande Abóbora com os pequenitos, libertando as muitas crianças interiores aprisionadas que por mim passam na rua. E ao mesmo tempo, celebrar a renovação da vida, imersos num dos cenários mais bonitos (o outono) que a natureza nos oferece.

Crédito da imagem: Peanuts

Velut Luna

Com o começo do Outono, e no decorrer no Inverno, existe um equilíbrio natural em mim. São estações que me movem num caminho de paz e recolhimento, simplesmente desfrutando o aqui, o agora, independentemente de como se consubstanciam num tempo natural e interior, em abertura ao que me proporcionam.

Num desses momentos, assisti hoje na RTP 2 a uma representação da Carmina Burana, de Orff. Gravada no Théatre Antique D’Orange, em França, a belíssima interpretação musical aliou-se a um enquadramento visual que tornou o conjunto numa das mais belas interpretações desta obra a que já assisti. Por entre o som e imagem, música e pintura, os sentidos variam por entre a vincada dualidade das energias masculina e feminina, muito própria nesta obra, despertando o sentir e a consciência de um erotismo também nela contido. Cada cor, cada nota, vibra no interior, numa essência que reconhecemos como antiga e natural.

Se não viram, e apreciam o estilo clássico, aconselho mesmo muito a irem à vossa box e sintonizarem esta emissão.  Fica igualmente aqui um portefólio de alguma da cenografia utilizada.

Crédito da imagem: COSMO AV

Fim de semana prolongado…

Confesso que nunca tive a sensação de um fim de semana prolongado tão curto como o que passou. Muito por causa de uma sexta-feira e de uma viagem ao Alentejo que teve tanto de prazer como de sofrer. Por entre a longuíssima viagem pela A23 e pelo IP2, sem grandes estruturas de apoio (tirando a estação de serviço de Abrantes onde tive obrigatoriamente de repousar no regresso), e o facto de tudo o que pretendia visitar estar fechado, ficou a recordação dos caminhos de negro por entre o dourado dos campos onde os vinhedos ocasionais sobressaem, anunciando novo vinho num Outono já anunciado. Seja no litoral, seja pelo seu interior, andar pelo Alentejo é um festival interior de libertação, usufruindo de um espaço, de uma amplitude de olhar que se estende e liberta-nos em cada centímetro de terreno que se vislumbra no horizonte. Terra de luz, de uma tela de paz, terra da parte do meu equilíbrio que busca a sua contra parte no Norte, nas terras do Demo que o Torga cruzou, e nas montanhas que nos inundam. Ainda assim, o calor e a fraqueza fizeram-me cair um pouco…senti que um dia tão bonito foi um dia algo perdido por entre dores de cabeça, naprosyn, e um esforço enorme e desgastante de condução…ao mesmo tempo, tive igualmente pena de, em virtude de ser feriado, não ter podido voltar à Adega Mayor ou ao Museu do Café (agora Centro de Ciência do Café)…tenho refletido muito no meu caminho profissional, e na sua evolução, e é sempre um prazer fazê-lo naquela extensão de terreno enorme e mágica que, para mim, significa Gestão em Portugal, e que tenho como referência de ética, no meu crescimento profissional. A Delta é sempre uma visita obrigatória quando vou a Campo Maior…por outro lado, Vila Viçosa e o seu Paço Ducal fizeram jus ao país de turismo “afirmativo” em que Portugal se vai tornando, permanecendo fechado no feriado, deixando todo um conjunto de carros à porta…

Na próxima há mais. Há sempre mais quando algo de novo define a nossa busca. Foi o que senti quando, já em Leiria, rapidamente recuperei para um profundo relaxamento. No dia a dia pensamos por vezes que rapidamente as coisas podem desaparecer, de um momento para o outro, a uma velocidade que envergonha os incautos segundos no relógio…mas fora esse período algo estranho de existência, nada pode desaparecer se ainda não cumpriu a sua missão em nós…e ainda existem muitos caminhos a trilhar. Preferencialmente com muitas estações de serviço, um microcosmos que aprecio particularmente na observação das pessoas. Mas… isso fica para outro post.

Crédito da imagem: Paulo Heleno

Semana longa

Com o intensificar do trabalho, e a ter que aproveitar parte das noites para o meu mini-MBA em Gestão de Serviços, o tempo não tem sido muito para escrever…ou ler, apesar de não conseguir acabar o dia sem aqui deixar o meu pequeno momento de partilha. O tempo escasseia, mas ainda assim, apesar de não ser muito, há sempre lugar para a frescura do novo que sempre se renova em novas ideias…tudo vai estando preparado para a segunda série de episódios do podcast, em muitos aspetos uma evolução da primeira, e que se irá iniciar com a temática dos cuidadores informais, algo que já vivi um pouco na minha vida, e uma causa que aprecio particularmente. Enquanto isso, no dia-a-dia, resta-me algum tempo a seguir ao almoço e ao jantar para ver o que se passa na minha conta do Twitter, ler um pouco, ver televisão…por vezes dormir. Apenas a música me acompanha durante todo o dia, trazendo uma muito doce sensação de equilíbrio ao trabalho, dando-lhe por vezes um muito necessário colorido e vivacidade, naqueles 5 minutos tão necessários para desfrutar uma melodia, saborear uma letra…por vezes até dançar. No meio de tudo isto, só as dores no corpo não ajudam, especialmente nestas estações de transição…por entre o calor que se faz frio e que em calor nos torna a aquecer, o corpo sente-se um pouco, principalmente as costas, um pouco afetadas pelo acidente que sofri o ano passado. Mas o caminho faz-se caminhando…

Os bocadinhos dos dias vão sendo assim cada vez mais importantes, pontos cada vez mais focais de serenidade…por entre a dinâmica ensurdecedora dos homens vai brilhando o meu pequeno silêncio, trilhando um caminho de paz por entre horizontes que despontam na bruma, de forma mais ou menos espontânea…a felicidade não está em usufruir de tudo o que nos é dado, de uma forma indiferenciada…ela está na escolha plena de sabedoria e gratidão do horizonte onde vislumbramos um pouco mais da nossa felicidade.

 

Outono

Ao contrário da maioria das pessoas, não me sinto cair numa tristeza algo anunciada na transição para o outono. Se o verão normalmente significa calor, o desfrute dos dias de luminosidade intensa que nos abre ao azul do mar, banhando a nossa praia interior; o outono traz-nos uma palete de cores que nos alimenta a alma pelas longas caminhadas em que o vermelho e o amarelo sobressaem num céu mais ou menos azul, mas sempre enquadrando esta tão invulgar palete.  Se no verão desfruto da energia positiva que me rodeia, e que emerge de um extravasar de energia de um certo libertar interior, o outono traz-me, por contraponto de equilíbrio, o recolhimento e a contemplação introspetiva da natureza por entre finais de tarde envoltos em tons dourados, por vezes entre os meus livros, apreciando de forma mais tranquila locais que no verão são literalmente inacessíveis dado ao volume de pessoas que os visitam ou frequentam. É igualmente a altura de me perder um pouco na montanha, ou nas praias que, já vazias, continuam a chamar quem nelas sempre se renova…

Bem-vindo Outono. Obrigado pela tua companhia sempre amiga.

Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação.