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Calm

Vivemos num mundo moderno. Independentemente do que se possa pensar sobre as vantagens e desvantagens dessa vivência, e dias existem em que o cansaço que a tecnologia desperta em nós se acumula para lá do tolerável, certo é que todas as moedas têm duas faces, e a modernidade também as tem. Sendo uma pessoa que procura praticar algumas formas de desenvolvimento pessoal como o mindfulness ou a meditação, e que muitas vezes acaba o dia bastante esgotado energeticamente, entendo que essa tecnologia também nos pode proporcionar um bem estar profundo… talvez não tanto quanto a prática dos métodos ancestrais, mas em minha opinião mais do que algumas das suas versões mais modernas, mais focadas no aspeto comportamental, menos profundas na sua intervenção. Foi um pouco neste pensamento que comecei a usar a Calm. É uma app muito bem conseguida, que dentro de um conjunto de ofertas que vão desde as histórias noturnas e músicas de relaxamento, até meditações guiadas ou exercícios de respiração, a Calm tem uma oferta de um elevado nível de qualidade nos conteúdos, permitindo uma escolha assente no formato que desejamos, com material que não cria rotinas ao longo dos dias, ainda que repetindo esse formato, algo conseguido por uma aliança entre o critério de qualidade e a renovação do repositório. A app vai mais longe, e oferece igualmente masterclasses e programas para as pessoas que queiram usufruir de algum tipo de aprendizagem ou de conteúdos mais dentro da área motivacional. Confesso que esta última característica não me atrai tanto…sabe-me bem melhor o relaxamento e algo que facilite a abertura das portas do espírito, após um dia ou semana de trabalho muito exigentes…sou daquelas pessoas que encontra um silêncio muito especial nos fins de semana,  onde um pouco de paz no meio do ruído me traz uma sensação confortável de que essa calma é apenas um começo.

Tudo tem o seu lugar à nossa volta…a paisagem que contemplamos num passeio pelo campo, ou a música calma que ouvimos à noite antes de dormir. Formas diferentes de relaxamento são formas diferentes de estar um pouco melhor no mundo, de o ver, e de o vermos em nós de uma forma mais integrada, ainda que sejam trazidas pelos mesmos meios que por vezes nos desgastam…é preciso saber encontrar um equilíbrio que nos chame, que nos apele, independentemente dos formatos…é preciso apenas saber ouvir o que nos dizemos a nós mesmos…e nesse sentido, a tecnologia pode trazer momentos e situações bastante positivos, concentrados apenas numa pequena app que tem um custo mensal inferior a alguns cafés diários ou um maço de tabaco, poupando prateleiras cheias de livros que perderam o seu tempo, ou músicas que talvez nunca tenham encontrado o seu tempo, apenas ficando ali, numa letargia estagnada, prendendo os pequenos grandes momentos no tempo.

Crédito da imagem: Living well today

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Bauhaus

De há algum tempo para cá, tenho-me sentido particularmente atraído pelo movimento Bauhaus. Talvez algo em mim necessite da linha, da forma, da simplicidade que muitas vezes ela contém, e que define uma essência no nosso sentir, trabalhada em diálogo com os materiais, no caminho para uma plenitude que nos satisfaz a alma. É interessante como no movimento Bauhaus, essa plenitude surge aliada com uma modernidade intemporal, transportada por um desenho onde por vezes se sente que o lápis não deseja abandonar o papel, de tão intensa que é a relação que os une. Algo em mim se atrai por esta ideia de que a simplicidade de Bauhaus nasce dessa paixão, deixando-se transportar pelos caminhos sábios dos materiais usados,  até essa sensação de plenitude.

Certo é que tenho encontrado profunda paz nesta modernidade intemporal.

Crédito da imagem: Super Modern

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Shadow

Talvez uma das curtas que me despertou mais a atenção até agora, este Sombra, de 2014, obteve o prémio Unifrance de curta metragem no Festival de Cannes no seu ano de estreia, e é realmente um filme muito bem conseguido. Suportado por um argumento no domínio do fantástico, muito bem idealizado, e por interpretações de qualidade, somos levados através de uma belíssima realização pela história de um modesto criador e manipulador de marionetas chinesas que, ao ter um acidente de mota após um dia de encanto por uma mulher de uma beleza irreal, se vai transformando ele próprio em sombra, unindo-se a essa mulher através de uma noite de amor, uma noite que amanhece numa nova dimensão, talvez a da irrealidade dessa mulher. É interessante ao longo do filme ver a realidade dos dois mundos personificados por estas duas pessoas, nomeadamente através da luz…o mundo escuro e degradado de Xiaou Shou, e o mundo moderno e luminoso de Ann servem não apenas para a definição dessa união em termos do interior das personagens, mas remete-nos igualmente para uma transição de tempos, numa sociedade oriental onde por vezes o tradicional diverge da caminhada do mundo moderno.

Muito bem realizado por Lorenzo Reci, com alguns pormenores muito interessantes de fotografia, é um filme que vale muito a pena ver.

Ficha IMDB

Crédito da imagem: Local Films

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SCP

Apesar de, como já é conhecido de todos, não ser um adepto do futebol, não posso deixar de prestar aqui solidariedade à equipe profissional do Sporting Clube de Portugal, e aos jogadores e técnicos que foram, de forma bárbara, agredidos no centro de estágios do clube.

O futebol em Portugal chegou a um nível apenas previsto por todos, e simplesmente ignorado por todos. Nada a que não estejamos já habituados nas nossas vidas profissionais, ou mesmo nos ditâmes sociais que nos regem, mas que no futebol explode no potenciar das emoções, ao sabor do vácuo dos tempos modernos.

Pandora nunca negou ajuda para fechar a sua lendária caixa. Simplesmente, apenas nunca a teve…

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Soc.Dem

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Crédito: ECO

Existe em Portugal uma forma muito latina de se olhar a política. Mas, mais do que isso, existem ainda algumas feridas que após cerca de 44 anos ainda se mantêm injustificadamente abertas, reforçando a visão mais baseada no combate puro vitória/derrota, em detrimento da construção de pontes que permitiriam a definição de uma visão mais moderna do pretendido para o país. É algo que exige estudo, análise e reflexão conjuntos (começando inevitavelmente dentro dos próprios partidos), pois cada vez são mais complexas e dinâmicas as variáveis que definem não apenas as vidas pessoais, mas a nossa caminhada enquanto país.

Sempre fui um Social Democrata. E continuo orgulhosamente a ser, embora ciente de que a Social Democracia enfrenta novos desafios, decorrentes do fim da era das ideias e ideais desenhados em regra e esquadro. Nesse sentido, estamos perante uma reflexão que apela a um voltar às raízes da própria Social Democracia, à sua diversidade, transversalidade no tecido sócio-económico e capacidade de geração de pensamento crítico orientado a um fim, compreendendo que mais que os ideais (ainda com o seu peso), é a realidade prática das novas abordagens económicas, sociais, tecnológicas ou ambientais que deve ser a base de uma nova fundamentação da ação política. Não alinho na opinião de que os partidos tradicionais estão mortos, mas estão a bibernar numa sequência de ciclos intermináveis de alcance limitado e fechado. As suas portas devem-se abrir, os seus membros devem olhar e analisar o que os rodeia, as suas salas devem-se encher de verdadeiro espírito de missão, alicerçado na visão global de um mundo que mais do que pular e avançar, parece ter uma mecânica infantil de querer ignorar os desafios dos rumos que toma. É essencial trazer esse mundo, em diversas escalas, para dentro das sedes partidárias, deixando que que ele seja um motor de vontades e de novos caminhos, pelo trabalho de todos.

Não tenho, como é óbvio, o dom da clarividência para fazer julgamentos prematuros de Rui Rio, ou elogios sobre o que ainda não aconteceu. Mas para já, revi-me no discurso de encerramento do 37º Congresso do PSD. Para além de me sentir alinhado com as linhas políticas gerais que orientarão o partido nos próximos tempos (parecendo-me recolocar o partido num posicionamento que lhe é mais natural), senti igualmente uma vontade explícita de abrir o partido e atualizar as suas práticas, dentro do que deve ser a sua  intervenção nas áreas onde está inserido. É algo que, como militante de base, me agrada, embora reconhecendo que tal mudança não acontecerá já amanhã, ou depois…o segredo do sucesso da revitalização de qualquer estrutura organizacional reside na gestão entre a mudança efetiva e o timing da mesma, existindo entre as duas fases todo um trabalho de reflexão e planificação. Essencialmente, penso ser este o caminho que pode permitir alcançar a mudança de paradigma no meu, e em todos os partidos, numa aposta que vale a pena. O tempo (e as pessoas) dirão de sua justiça sobre o esforço e o resultado desta mudança.