Linked

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Crédito da imagem: Search Engine Journal

Há já algum tempo que decidi preparar alguns artigos para a LinkedIn. É um passo algo ousado, uma vez que é um tipo de escrita que sai fora do meu registo normal, mas também porque a LinkedIn tem uma atmosfera sempre algo formatada…se a segunda situação é fácil de resolver (não tenciono seguir qualquer tipo de formatação), o primeiro é um pouco mais complexo, reforçando-se com a pergunta imediata que me surgiu na mente…devo também falar de atividades pessoais?

As motivações de cada um para participar numa comunidade como a LinkedIn podem ser muitas… no meu caso, valorizo a partilha de conhecimento, e os relacionamentos que daí se criam. Mas outros, de outras pessoas, podem passar por exemplo pela atividade comercial, contactos de mais alto nível, exposição de trabalhos, entre outros. Apesar disso, existe sempre uma abertura à partilha de atividades mais pessoais, quanto mais não seja pelo simples facto de, por muito que se goste do que fazemos,  a nossa mente ser recetiva à quebra da rotina, o que ajuda muitas vezes a estabelecer ou a fortalecer as relações em rede. Pode ou não originar relacionamentos de natureza profissional, mas certamente facilita os contactos com uma atmosfera positiva de sermos surpreendidos por pessoas como nós que fazem as mesmas coisas que nós, levando assim a uma certa quebra da rotina dos dias, muitas vezes um pouco submergida numa certa “esterilização” que existe sobre as dinâmicas internas das organizações, muito motivada pela emergência de uma cultura da imagem. Por vezes, é aquele algo que se torna o facto interessante do dia, o pequeno gatilho que nos fez pensar um pouco em nós no meio de todo um ruído muito motivado por necessidades de imagem corporativa. E isto tem influência na produtividade de cada um, deixando-nos até um pouco melhor connosco.

Parto então com o pensamento de que o que somos também tem lugar no que queremos ser. Para além da vivência profissional, que norteia a maioria da informação que existe na LinkedIn, é importante despertar no outro o que ele é. E isto é feito cada vez mais contrariando a velha máxima de uma interdição quase natural de partilha das nossas atividades mais pessoais, não apenas como facilitador de contactos mas, acima de tudo, como catalisador de relações, deixando fluir a naturalidade da comunicação, sem a encerrar em compartimentos estanques. Por isso, lá estarão os meus artigos sobre liderança, processos (gestão e manutenção), cultura e transformação organizacional, economia circular, inovação, mindfulness…mas também, muito provavelmente, de caminhada, de Hiking, de fotografia, de escrita, entre outras coisas. As duas vertentes me definem e, por isso, nas duas vertentes lá estarei.

 

Calm

Vivemos num mundo moderno. Independentemente do que se possa pensar sobre as vantagens e desvantagens dessa vivência, e dias existem em que o cansaço que a tecnologia desperta em nós se acumula para lá do tolerável, certo é que todas as moedas têm duas faces, e a modernidade também as tem. Sendo uma pessoa que procura praticar algumas formas de desenvolvimento pessoal como o mindfulness ou a meditação, e que muitas vezes acaba o dia bastante esgotado energeticamente, entendo que essa tecnologia também nos pode proporcionar um bem estar profundo… talvez não tanto quanto a prática dos métodos ancestrais, mas em minha opinião mais do que algumas das suas versões mais modernas, mais focadas no aspeto comportamental, menos profundas na sua intervenção. Foi um pouco neste pensamento que comecei a usar a Calm. É uma app muito bem conseguida, que dentro de um conjunto de ofertas que vão desde as histórias noturnas e músicas de relaxamento, até meditações guiadas ou exercícios de respiração, a Calm tem uma oferta de um elevado nível de qualidade nos conteúdos, permitindo uma escolha assente no formato que desejamos, com material que não cria rotinas ao longo dos dias, ainda que repetindo esse formato, algo conseguido por uma aliança entre o critério de qualidade e a renovação do repositório. A app vai mais longe, e oferece igualmente masterclasses e programas para as pessoas que queiram usufruir de algum tipo de aprendizagem ou de conteúdos mais dentro da área motivacional. Confesso que esta última característica não me atrai tanto…sabe-me bem melhor o relaxamento e algo que facilite a abertura das portas do espírito, após um dia ou semana de trabalho muito exigentes…sou daquelas pessoas que encontra um silêncio muito especial nos fins de semana,  onde um pouco de paz no meio do ruído me traz uma sensação confortável de que essa calma é apenas um começo.

Tudo tem o seu lugar à nossa volta…a paisagem que contemplamos num passeio pelo campo, ou a música calma que ouvimos à noite antes de dormir. Formas diferentes de relaxamento são formas diferentes de estar um pouco melhor no mundo, de o ver, e de o vermos em nós de uma forma mais integrada, ainda que sejam trazidas pelos mesmos meios que por vezes nos desgastam…é preciso saber encontrar um equilíbrio que nos chame, que nos apele, independentemente dos formatos…é preciso apenas saber ouvir o que nos dizemos a nós mesmos…e nesse sentido, a tecnologia pode trazer momentos e situações bastante positivos, concentrados apenas numa pequena app que tem um custo mensal inferior a alguns cafés diários ou um maço de tabaco, poupando prateleiras cheias de livros que perderam o seu tempo, ou músicas que talvez nunca tenham encontrado o seu tempo, apenas ficando ali, numa letargia estagnada, prendendo os pequenos grandes momentos no tempo.

Crédito da imagem: Living well today