Omnia in micro – 15

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Crédito: Desconhecido. Solicito Informação.

Chegada aquele lugar, onde o vento se ilumina em sol e a areia se explana em mar, pousou a sua mochila e despiu-se. Enquanto as roupas caiam no silêncio da liberdade do momento, contemplou o azul à sua frente, que ali calmamente se explanava numa pequena enseada, como que enquadrando o seu corpo nu e pleno de vida numa qualquer tela de verão, inundada na luz de um qualquer tempo pausado naquele momento. Nele se deixou envolver como se o universo nela repousasse, boiando na contemplação do azul do céu. À sua volta nada existia, tudo se transformando em paz.

O gelo de Mogadouro

 

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Crédito: TSF

Não pretendendo ser um post extenso, devo dizer que esta foi uma semana em que se falou muito de alterações climáticas em Portugal…sem realmente se falar. Das areias na Costa da Caparica e o crescente domínio que o mar vai tendo sobre aquela zona, até à tempestade de granizo em Mogadouro, em pleno Julho, este foi um tema que pode ter estado no nosso subconsciente, mas  pouco ou nada emergiu que não a descrição dos eventos e das soluções conjunturais encontradas.

Numa realidade natural onde, no nosso âmbito regional, cada vez mais se vão sentindo os efeitos de fenómenos extremos, desde as tempestades (locais ou tropicais) aos incêndios florestais, passando por alterações bem visíveis no próprio clima, Portugal vai adiando um muito necessário debate interno sobre estas questões. Algo que, infelizmente, também assistimos no contexto europeu, onde a península ibérica, pelo facto de ser uma das zonas com maior desequilíbrio potencial, originado pelas alterações climáticas, não se assume como um dos pólos dinamizadores desta análise europeia. Certo é que até 2050, e com maior incidência no período posterior, Portugal pode sentir o impacto das alterações climáticas em setores de importância estratégica da economia, desde o turismo até à agricultura, florestas e pescas (bem como respetivas cadeias de abastecimento e unidades transformadoras associadas), para já não falar nos possíveis impactos nas populações motivados por uma progressiva desertificação da região sul do país e de alterações nos aglomerados costeiros.

Exige-se uma preparação estrutural, assente nos atuais modelos científicos sobre este tema e numa correspondente visão estrutural a prazo da sociedade e economia, seja no contexto nacional ou europeu. Este é, numa visão macro, também uma questão geracional. Os dados presentes apontam para que os nossos filhos e netos herdem um mundo, um continente europeu, e uma península ibérica, muito diferentes das atuais, mais exigentes nos desafios colocados aos seus habitantes. É inquestionável a responsabilidade das gerações anteriores no cenário que irão encontrar…mas essas mesmas gerações anteriores podem iniciar a preparação um futuro que será inevitavelmente de muitas mudanças, numa visão assente numa abordagem sustentada e de união face a este desafio, olhando o planeta de uma forma diferente, talvez mais interior, deixando emergir uma nova forma de buscar e viver a felicidade. Serão eles. os nossos filhos e netos a avaliar o nosso esforço perante as suas necessidades.

Simples

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Crédito: Paulo Heleno

Hoje foi o meu primeiro passeio à beira-mar, em férias. Com corpo e mente a adaptarem-se a uma vibração mais calma, fui, como sempre, lentamente caminhando rumo ao meu destino de sempre, aqueles locais onde as pegadas desaparecem e o silêncio reina…dei por mim a questionar-me sobre a simplicidade do viver, e como nessa simplicidade conseguiria expressar não apenas o caminho que vou vivendo, mas igualmente o que ele me vai traz, passo a passo, acima dos dias…

Paz…Amor…Amar…Ser…Ir…Nós…Tudo…Nada…Flor…Voo…Mar…Céu…Sol…Azul…Dar…

A vida é realmente simples quando cada passo se manifesta apenas em três ou quatro letras…

Fatigatis aptum

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação sobre o autor.

Na reta final para as férias, vou-me deixando levar pelo caminho…chego ao final dos dias com o corpo bastante dorido, enquanto que a mente revela uma imensa dificuldade em manter-se desperta, após o esforço cada dia maior de se manter ativa, e alguma dificuldade em dormir. Há um prazer imenso em ficar deitado, fechar os olhos, respirar devagar, e lentamente deixar o sono surgir por entre pensamentos que se apagam na medida da luz que a alma desnuda e desperta emana…vivo, nestes dias de mais exaustão, essa dicotomia entre o físico que dela padece, e da alma que dela se liberta, seja numa caminhada pelo ar ainda fresco do final do dia, ou pelo lento mas certo ato de dar vida às inúmeras notas que vão povoando o meu caderno azul, que em si condensa um céu marítimo no mar imenso…em cada fotografia que vai vendo a luz do dia aqui no blog, em cada escrito que aqui amadurece ou que nessas notas vai ganhando forma, existe um pouco de mim que desperta do cansaço, e que sorri por entre as palmeiras que muito suavemente bailam ao sabor da brisa, muito comum por estas paragens, e tantas vezes com um cheiro tão indelevelmente bom a mar…

Para mim,a alegria sempre foi azul… mais escuro ou mais claro. Mas sempre azul…e ainda hoje é esse azul que me desperta para a simplicidade do existir, e da felicidade que existe no mero ato de caminhar no trilho entre a noite que por vezes nos cerca, e o dia que sempre em nós amanhece, iluminando aquela semente que, apesar de tudo, está destinada a nascer em nós…

Hoje.

Constatação

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Crédito da imagem: Paulo Heleno

Isto não é um homem cansado após uma caminhada por Ílhavo, tentando descobrir um local para jantar após uma longa caminhada. Muito menos é um homem cansado, sentado após uma longa caminhada, a relaxar um pouco e a divertir-se muito com o seu telemóvel a tirar umas fotografias engraçadas. E ainda menos é um homem já a desejar umas merecidas férias deixando a mente viajar por entre a luz da praia que resplandece no mar, ao mesmo tempo que nos limpa a alma.

De onde tiraram essas ideias? Eu cá só vejo um par de sapatos e e pedaços de jeans. Mas ás vezes o cansaço ilude um pouco a vista 🙂