Constatação

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Crédito da imagem: Paulo Heleno

Isto não é um homem cansado após uma caminhada por Ílhavo, tentando descobrir um local para jantar após uma longa caminhada. Muito menos é um homem cansado, sentado após uma longa caminhada, a relaxar um pouco e a divertir-se muito com o seu telemóvel a tirar umas fotografias engraçadas. E ainda menos é um homem já a desejar umas merecidas férias deixando a mente viajar por entre a luz da praia que resplandece no mar, ao mesmo tempo que nos limpa a alma.

De onde tiraram essas ideias? Eu cá só vejo um par de sapatos e e pedaços de jeans. Mas ás vezes o cansaço ilude um pouco a vista 🙂

Histórias em luz

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Crédito da imagem: Paulo heleno

Na impossibilidade de colocar fotografias de todas as pessoas bonitas com quem convivi no passado sábado, fica a imagem do local onde a Nuvem Vitória esteve instalada, mesmo à entrada da Feira do Livro. Apesar de ter sido um dia fisicamente difícil, foi interiormente um dia de horizontes límpidos, nos sorrisos e olhares de todas as pessoas que ali deram um pouco do seu tempo para contar histórias bonitas que em muitas noites são partilhadas cada vez mais, por mais regiões do nosso país, iluminando um pouco mais crianças e jovens que se encontram em meio hospitalar; e também, obviamente, nos olhos e sorrisos pequeninos que inundaram de alegria um dia que se banhou sempre em muita luz…dragões, bruxas, ursinhos, avozinhas, vacas que subiam a árvores e meninos que comiam livros…é bom deixar a fantasia inundar-nos em alegria, maravilhando a nossa criança interior, e deixando-a correr livre por dias presentes e futuros, convergindo sem tempo nem espaço no brilho do sentir do próximo.

Somos o que escolhemos evoluir, e evoluímos no que desejamos escolher.

Muito grato a todos.

 

Omnia in micro – 10

“A energia para o dia que nasce tem sempre a sua origem no desgaste do dia anterior…” escreveu ela enquanto o chá vagueava pelo quarto em aroma de menta…”entre eles”, continuou, “existe uma noite plena de luz, um silêncio pleno da voz do teu sentir, um vazio que se expande no teu Ser, repleto do que em ti existe para ofertares a ti mesma.”

Parou para refletir um pouco, olhando a janela entreaberta na noite…

“Assim”, concluiu, “quando dormes apenas deixas de existir, por entre a fina cortina do descanso. Tornas-te tempo sem espaço, por entre o pleno do vazio que desponta no brilhar da luz, na paz da voz, no que em ti se renova para renasceres de novo no sol de um dia que amanhece”

Sorriu e lentamente fechou os olhos. No dia seguinte, motivada pela insistência de quem a procurava, a polícia entrou na casa, encontrando-a sem vida na sua cama. Na sua face serena, ia-se erguendo o sol da manhã. Partiu só, como sempre viveu: repleta de si.

Velas LED

Com a renovação nos meus espaços aqui de casa, vou igualmente conhecendo algumas novas formas interessantes de os recompor. A primeira que me chamou a atenção foi a existência de velas LED, aqui usadas como luz associada a um pequeno centro de paz (que já havia mostrado), e que surgiu onde existia toda uma confusão de objetos.

Descobri-as num dia em que fui ao Espaço Casa, e em que por acaso refletia sobre como ia resolver a questão das velas, algo que gosto profundamente e que desde sempre, está presente nas minhas práticas de Reiki e Meditação, ou simplesmente para contemplar a sua luz no silêncio da noite, sem um qualquer objetivo definido. Sendo a minha casa já antiga, e com uma grande parte feita em madeira, tenho sempre algum receio da utilização algo de velas, apesar de alguns dos suportes ou enquadramentos que vejo para as mesmas me induzir alguma segurança. Ainda assim, em virtude de um pequeno susto há um par de anos, nunca me senti 100% confortável. O que me atrai na vela é a luz…o ponto de luz que flutua na noite, que foca a minha mente para a libertação meu espírito. Igualmente, um ponto de luz onde recai a minha intenção de paz, harmonia e evolução, seja para mim, para o próximo, ou para o mundo. Estas velas LED ajudam-me assim bastante nesta renovação, dando-lhe um cunho mais vincado, mais perto do que é a minha intenção, afastando os receios que ainda existiam. E quanto ao purismo da chama, e da vela de cera…se algo cada vez mais a vida me ensina, é que nada detém um monopólio de nada, seja na visão absoluta, seja na visão relativa…interessa sim, a energia que parte de nós, harmonizando-nos com o ambiente que nos rodeia.

Quanto às velas propriamente ditas, as que se podem ver na imagem são compradas num pack de 2 unidades, cada uma já contendo uma pilha CR2032, por €4,95. Ainda não vos sei dizer quanto elas podem durar, mas posso-vos dizer que estão a fazer hoje um mês. Têm uma intensidade forte no início, que depois se reduz um pouco, ficando estabilizadas num nível de iluminação ambiente agradável. Vão definitivamente surgir mais cá em casa, não apenas porque estou muito satisfeito com elas, mas igualmente porque, pelo que tenho pesquisado, existe toda uma miríade de modelos e estilos que me agradam muito. Um caminho a seguir, entre outros.

Crédito da imagem: Paulo Heleno

15/10

Finalmente um pouco de tempo para escrever sobre este tema, depois de uma semana agitada. Mas para falar do Pinhal de Leiria, teria de ser com o respeito e a dignidade que ele sempre mereceu. Uma dignidade que literalmente vai florescendo em várias zonas, e que só tenho pena de não corresponder a uma dimensão humana.

Nas minhas férias de verão, fui, como sempre, várias vezes à Praia da Vieira. Gosto de seguir pela estrada que sai da Marinha Grande e deixar o carro rolar por um cenário que, antes do incêndio, era magnífico…as casas ficavam para trás e entrávamos no domínio do verde, com muitas estradas secundárias cruzando a via principal, e a convidar para locais maravilhosos. O carro conhece o caminho…quase que se sentia um qualquer piloto automático a simplesmente levar-me…de manhã era frequente estar imersa em neblina, adensando uma aura de mistério que nos levava para um mundo diferente, em paz, com a respiração mais lenta…mas, fosse imerso na neblina, fosse banhado pela luz do sol, era uma estrada inspiradora, amiga, que com a estrada mágica entre S. Pedro e a Vieira, preenchiam-me…toda aquela zona continua um hino à vida, de uma forma diferente…um hino sobre como a beleza se ergue alta no mundo do natural, após a tragédia da sua destruição. Na generalidade to terreno, este vai ganhando mais cor, ainda mais do que da última vez que por lá havia passado…notava nas minhas viagens deste verão que o colorido das flores campestres misturava-se com os fetos…terminado por agora o primado do verde, um pequeno arco-íris nascia mais junto ao chão, ainda dorido. E em algumas zonas, já se ouviam pássaros…fiquei com muita fé no futuro no nosso (de todos) Pinhal de Leiria.

A tempestade Leslie deitou muitas árvores ao chão…das que não foram cortadas, algumas não resistiram ao vento forte, e a algumas rajadas fortíssimas que ocasionalmente naquela noite emergiam. Mas muitas ficaram…de pé…algumas mostrando sinais de vida que nasce dos seus restos…ao contrário dos homens que as mataram, ao contrário dos homens que pouco ou nada fizeram desde o incêndio, tirando o amor das crianças que por vezes vão plantar as suas pequenas árvores…ao contrário dos homens que as abandonaram sem dignidade na fúnebre memória dos séculos, após gerações sucessivas que no ajudaram a fazer de nós algo mais enquanto povo…ao contrário de tudo isso elas continuam de pé…porque as árvores morrem de pé.

Crédito da imagem: José Luís Jorge/Jornal de Leiria