Amelia II

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação sobre o autor.

Passaram anteontem 82 anos sobre o desaparecimento de Amelia Earhart, naquele fatídico dia de 2 de Julho de 1937, numa altura em que sobrevoava o Oceano Pacífico Norte. Amelia, e o seu navegador Fred Noonan, realizavam uma tentativa de circum-navegação do globo, a bordo de um Lockeed Electra 10 E adaptado, tendo o contacto sido subitamente perdido após uma série de tentativas de estabelecimento do mesmo com as embarcações de apoio ao voo, na região da Papua-Nova Guiné. É um dos mistérios mais apaixonantes da aviação, sendo que recentemente, algumas novas evidências surgiram, fotográficas, parecendo mostrar a dupla poderia ter sido capturada por forças japonesas, falecendo em cativeiro. Na altura escrevi um pouco sobre isto, e o que me fazia sentir.

Amelia, de facto, era uma personagem notável. Desde cedo se revelou uma profunda entusiasta da aviação, adicionando-lhe um profundo sentido de aventura, lançando-se na vida, e na sua paixão, com um entusiasmo contagiante…para pagar as suas primeiras lições de voo, a jovem mas  já audaz Amelia foi fotógrafa, camionista e estenógrafa. E para se afirmar na atividade que tanto gostava, lutou muito contra uma opinião masculina que não via com bons olhos a ascenção de uma mulher absolutamente determinada em ser feliz. Era igualmente uma mulher profundamente apaixonada pela vida, tão romântica quanto aventureira, não se coibindo de mostrar os seus sentimentos de uma forma inocente, por entre a sua lendária teimosia e por vezes alguma obstinação. Foi um ícone da aventura, do feminismo, da emancipação, dos ideais fortes, que descobri através das histórias que o meu avô contava, quando ainda era criança. Desde aí, a “ligação” a Amelia é forte, tornando-se num ícone que também me ajudou a moldar enquanto pessoa, os meus desejos e as minhas ambições, uma vontade imensa de lutar e conquistar, mas, ao mesmo tempo viver, apaixonar-me pela vida. Se na minha vida tenho símbolos profundamente enraizados em mim, Amelia Earhart e o seu legado é um deles.

Há algumas semanas, enquanto pesquisava alguns livros nas estantes de uma livraria, para usar no meu voluntariado no Hospital de Leiria, deparei com um sobre a sua vida. Sentei-me, e li o livro por entre algumas lágrimas, sem qualquer dúvida em ficar com ele. É uma alegria muito grande partilhar um bocadinho da história da vida de Amelia com os mais pequenos…a  mim, enche-me o coração de profunda felicidade.

“No borders, just horizons – only freedom” A.E.

Amelia

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação.

Desde criança que tenho um imenso fascínio por Amelia Earhart. Nunca me regi pelas idolatrias da moda, e Amelia surgiu cedo como aquela pessoa com quem me gostava de identificar. Na sequência desse facto, desde muito novo, tenho a espaços escrito sobre ela, fosse na escola (através de simples composições) ou nos anteriores blogs que mantive. Amelia continua a ser para mim uma heroína, alguém sobre o qual procuro saber sempre mais. E, a cada facto novo que vou descobrindo, não posso deixar de impedir o crescer da profunda admiração por esta mulher que, no seu sonho de voar, se tornou um símbolo feminino, tornando-se na imagem que muitas meninas associavam, não apenas ao seu próprio desejo de voar, mas igualmente, e de forma mais ampla, ao desejo de se sentirem mais iguais perante uma sociedade eminentemente masculina e conservadora (a própria Amelia foi muitas vezes diminuída, e mesmo gozada, na persecução do seu sentir).

Mas, com o passar do tempo, a menina que sonhava voar criou a sua obra e os seus feitos, até ao fatídico ano de 1937, altura em que, a bordo de um Lockeed 10E Electra, e com o auxílio do navegador Fred Noonan, se propôs fazer um voo de circum-navegação equatorial do planeta, num total de 47.000 km de extensão. Esta seria uma aventura que teria um fim trágico  no Pacífico, num mistério que ainda hoje se encontra por resolver, submerso numa grande quantidade de teorias, que se estendem desde a captura pelos japoneses após uma aterragem forçada no atol de Mili num período de afirmação militarista do Japão imperial, antes do início da II Guerra Mundial (teoria trabalhada neste documentário do canal História, apresentado hoje) até ao despenhamento em pleno Oceano Pacífico. Pelo meio, a tendência natural dos media americanos para as teorias da conspiração criou todo um conjunto de cenários nunca minimamente consubstanciados. Do documentário referido acima, retirei que a teoria se encontra cada vez melhor fundamentada por um conjunto de documentação e de fontes com variedade geográfica assinalável, para além de tudo se encaixar dentro da cronologia do desaparecimento. Na minha opinião, foi sempre, e continua a ser a hipótese mais plausível.

Ver a prisão onde terá passado os seus últimos dias, e a fotografia (de autenticidade comprovada) onde em desalento observa o Electra a ser içado a bordo de um navio japonês, aumentaram ainda mais a admiração que sinto pela minha heroína de infância. Nesta época de falta de líderes e de símbolos, enredados pelos ditames da teia mediática, Amelia Earhart continua para mim a significar a pureza de um ideal, e de como um sonho sustenta uma vida de nos descobrirmos a nós mesmos e ao mundo, de uma forma contínua, construindo nós mesmos, pela nosso sentir e vontade, novos caminhos. Sempre com alegria. e firmeza no sentir. Costumava dizer:

“The more one does and sees and feels, the more one is able to do, and the more genuine may be one’s appreciation of fundamental things like home, and love, and understanding companionship.”

Onde quer que esteja, qualquer que tenha sido o seu destino, que descanse em paz. Quanto ao seu exemplo de vida, o legado do seu sentir e das suas ideias, continua bem vivo, num mundo que cada vez mais dele necessita.

Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação.