Quo vadis TV?

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Crédito da imagem: Miguel Baltazar

As coisas não vão bem na televisão em Portugal…desta feita, o anátema da desconfiança irrompeu ali para os lados da TVI…depois da confirmação da existência de provas periciais, que atestam a falsidade de alguns testemunhos relativos às reportagens sobre o caso das adoções fraudulentas pela IURD, surgiu agora no Twitter um vídeo com uma reação coletiva de vários pais face a uma reportagem da mesma estação, relativa a alegadas intimidades entre crianças de 3 e 4 anos, numa escola de Lisboa. No vídeo percebe-se de forma clara que o sentimento geral é de defesa da escola. Poderá eventualmente dar-se o benefício da dúvida, embora estejamos a falar de algumas dezenas de pais numa posição coletiva…ou estamos perante um grau de negligência que extravasa a escola, ou realmente poderá existir aqui mais uma polémica.

Existe uma razão para colocar esta fotografia, “televisionamente” inócua. É que, na minha visão, estamos perante um problema transversal, centrado na forma como as televisões inundam diariamente o quotidiano com o lado prático de estratégias centradas sensacionalismo, orientadas por um círculo vicioso entre conquista de share, para obter mais receitas de publicidade, que resultem em mais share. Pelo meio, esta dinâmica alimenta uma cultura baseada na aparência e no ilusório, cativando as pessoas numa sociedade como a portuguesa, onde os sonhos e as esperanças andam por vezes ao nível dos passeios… acresce a este facto que esta é uma estratégia que tem as redes sociais como um dos seus pilares, numa conjunção que não foi de toda feita no céu, como se constata pelo ambiente muito pouco celestial que tudo isto gera, numa base diária. Continuar a ler

Música do momento…

A minha preferida, de entre as canções de Natal. E sussurrada na viagem de autocarro expresso entre Lisboa e Leiria, que pela madrugada normalmente sucede os meus voos de regresso, tem um sabor muito especial.

Crédito do vídeo: Chris Rea

Omnia in micro – 5

De Lisboa partiram para muitas paragens, enquanto na escuridão meio iluminada do autocarro partilhavam histórias de viagens a lugares distantes e desejos próximos de futuras partidas. De repente, o silêncio suavemente embalou-os, talvez pelo cansaço das peripécias do dia, ou pela saciedade dos seus íntimos…o sorriso que trocaram fez-lhe parecer que era a segunda hipótese…por fim, despediu-se dela e ela dele…mas verdadeiramente ela nunca partiu, e verdadeiramente, ele nunca terá chegado.

Confusões britânicas II

Vim sem mala.

Heathrow estava uma confusão nestes dias em que por lá passei…malas perdidas de vários voos literalmente povoavam as chegadas do Terminal 2. Afinal, e apesar das mensagens da empresa de handling dizendo que não se sabia do paradeiro da mala, ela estava lá, referenciada pelos sensores, mas perdida no meio de um dos imensos montes de malas espalhados pelo terminal. Com os tempos que eu tinha, ou a procurava, ou perdia o voo. Voo este que correu de forma calma, e, já em Lisboa, uma história engraçada. Já à espera de um táxi em Lisboa, diretamente na fila paralela à minha, uma rapariga perguntou-me se ia para Sete-Rios. A minha preocupação devia ser mesmo muito evidente (o expresso partia para Leiria pelas 00:15) para ela me perguntar isso, e era idêntica à dela, uma vez que iria apanhar o mesmo autocarro expresso. Respondi-lhe que sim, ao que ela perguntou se poderia ir comigo, enquanto saltava a pequena corrente para dividir as filas. Foi a minha vez de dizer que sim, e ao mesmo tempo ia descobrindo que ela tinha ido e voltado de Londres nos mesmos voos que eu, e que era de Coimbra. E assim,  um dia que foi profundamente stressante, acabou com uma muito animada partilha sobre viagens, destinos, horizontes e sonhos, estrada a fora, num autocarro expresso onde a partilha não deixou ninguém dormir. Peço desculpa aos lesados 🙂

Obrigado pela companhia, Rute 🙂 talvez um dia nos voltemos a encontrar numa viagem qualquer, por esse mundo fora.

Confusões britânicas

Antes de ler este post, convido-vos a irem ao Youtube, e a colocarem nos vossos sistemas de sons a música do genérico inicial do Benny Hill. Ou melhor, eu próprio coloco. Prontos? vamos então começar.

Chegado ontem a Heathrow, e após um cansativo controlo de passaporte (os corredores para passaportes eletrónicos estavam fechados), reparei que faltava uma pequena mala, junto das malas agrupadas em frente ao tapete, que já se encontrava parado…logo, a minha pequena mala. Pensando num cenário não muito agradável, fui ao balcão de bagagens e confirmei mesmo o pior… que a mala efetivamente tinha ficado em Lisboa. Não é propriamente o que desejamos ouvir depois de um voo que, por muito pequeno que seja, deixa sempre um cansaço em corpo e mente…e assim, após receber o procedimento do que deveria fazer, só pensava em ir para o hotel descansar. Após pedir um Uber, que normalmente recolhe as pessoas junto do terminal 3, comecei a perceber que existia um desfasamento entre mapa que me era apresentado, e a minha localização, pois encontrava-me ainda junto do terminal 2 (no mapa, a zona realmente aparece como terminal 2 e 3). Pergunta puxa resposta, sempre simpáticas (nunca tive nem tenho problemas de relacionamento no Reino Unido), e assim saí disparado para o ponto de recolha definido no terminal 3…com tudo isto, e por uma questão de um minuto ou dois, não apanhei aquele carro. Respirar fundo…consciência de que as coisas não estavam a correr bem…mas também não se podiam repetir…nova tentativa de chamada, e desta vez surgiu-me uma simpática senhora paquistanesa, com quem tive uma muito agradável conversa durante a viagem que fizemos. Londres tem este sentido de multiculturalidade único, onde sentimos um calor humano forte, oriundo da humanidade que se explana logo ali, mesmo junto de nós. Senti-me bastante descontraído no carro, enquanto íamos conversando, até finalmente chegar ao meu hotel.

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