Raízes

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Crédito: Gonçalo Cadilhe

Ontem, enquanto ia em viagem, ouvi na TSF uma reportagem com Gonçalo Cadilhe, da qual gostei muito. Confesso que não conheço a sua obra, apesar de já ter ouvido um par de entrevistas suas. Esta foi particularmente interessante e, para ser franco, fiquei com vontade de ler alguns livros. Contudo, foi no fim da mesma que um enorme sorriso fluiu na minha alma…dizia o autor que apesar das viagens, é nas nossas raízes que encontramos a nossa felicidade. A sensação que nos atravessa, quando estamos num qualquer local distante, de que nele poderíamos ser felizes o resto da vida, nada mais é do que uma ilusão, sendo no local onde estão as nossas raízes (no caso dele, Figueira da Foz), que verdadeiramente reside a nossa felicidade. E o sorriso surgiu porque é exatamente o sentimento que tenho vivido desde que regressei de um longo período fora do país, despertando-me profunda paz e felicidade, consolidando-se diariamente.

Dizia igualmente Gonçalo Cadilhe que as viagens ensinam-nos a relativizar aquela faceta mais “orgulhosa” enquanto povo, de considerar muito do que é nosso como o melhor do mundo…eu diria que no mundo, tudo tem o seu lugar e a sua importância, acima do que podemos pensar de forma mais superficial e imediata, por vezes muito influenciada pelas dinâmicas sociais do meio. Diria ainda que é essa relativização, que se estabelece por entre viagens, que nos ajuda a nos tornarmos mais cidadãos do mundo, trazendo o mundo para a realidade das nossas raízes… se o ser humano necessita de ter uma mente sempre aberta ao mundo onde vivemos, nele se completando, também necessita de um local, o seu local, as suas raízes, onde sempre regressa para cada dia ver-se um pouco mais realizado, maduro e mais feliz.

De volta

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Crédito: Premium Paints

Finalmente de volta às lides do blog, depois de praticamente um mês passado no Reino Unido. Sim, é verdade, o estar fora não me impediria teoricamente de manter os posts regulares, mas também é certo que o trabalho tem sido bastante intensivo, num grau de exigência superior, e as horas fora do mesmo são destinadas a partilhar as novidades com os amigos, de uma forma mais expedita (como a promovida pelas redes sociais), ouvir música, e tentar ler um pouco…o importante mesmo é basicamente esquecer a o dia ou a semana, e tentar devolver-me a mim mesmo por algumas horas ou dias. Um trabalho de balanceamento entre o profissional e o pessoal que para mim é fundamental, e cada vez mais estrutural nas sociedades modernas, e no caminho que vão trilhando, à medida que as pessoas se tornam mais exigentes na busca da sua felicidade. Ainda assim foi uma experiência muito positiva, assim como foi a experiência de quase meio ano no Brasil, e que continuará em 2019, certamente com mais tempo para escrever.

Ainda nos encontraremos antes do Natal. Aqui e nos podcasts.

Semana longa

Com o intensificar do trabalho, e a ter que aproveitar parte das noites para o meu mini-MBA em Gestão de Serviços, o tempo não tem sido muito para escrever…ou ler, apesar de não conseguir acabar o dia sem aqui deixar o meu pequeno momento de partilha. O tempo escasseia, mas ainda assim, apesar de não ser muito, há sempre lugar para a frescura do novo que sempre se renova em novas ideias…tudo vai estando preparado para a segunda série de episódios do podcast, em muitos aspetos uma evolução da primeira, e que se irá iniciar com a temática dos cuidadores informais, algo que já vivi um pouco na minha vida, e uma causa que aprecio particularmente. Enquanto isso, no dia-a-dia, resta-me algum tempo a seguir ao almoço e ao jantar para ver o que se passa na minha conta do Twitter, ler um pouco, ver televisão…por vezes dormir. Apenas a música me acompanha durante todo o dia, trazendo uma muito doce sensação de equilíbrio ao trabalho, dando-lhe por vezes um muito necessário colorido e vivacidade, naqueles 5 minutos tão necessários para desfrutar uma melodia, saborear uma letra…por vezes até dançar. No meio de tudo isto, só as dores no corpo não ajudam, especialmente nestas estações de transição…por entre o calor que se faz frio e que em calor nos torna a aquecer, o corpo sente-se um pouco, principalmente as costas, um pouco afetadas pelo acidente que sofri o ano passado. Mas o caminho faz-se caminhando…

Os bocadinhos dos dias vão sendo assim cada vez mais importantes, pontos cada vez mais focais de serenidade…por entre a dinâmica ensurdecedora dos homens vai brilhando o meu pequeno silêncio, trilhando um caminho de paz por entre horizontes que despontam na bruma, de forma mais ou menos espontânea…a felicidade não está em usufruir de tudo o que nos é dado, de uma forma indiferenciada…ela está na escolha plena de sabedoria e gratidão do horizonte onde vislumbramos um pouco mais da nossa felicidade.

 

Outono

Ao contrário da maioria das pessoas, não me sinto cair numa tristeza algo anunciada na transição para o outono. Se o verão normalmente significa calor, o desfrute dos dias de luminosidade intensa que nos abre ao azul do mar, banhando a nossa praia interior; o outono traz-nos uma palete de cores que nos alimenta a alma pelas longas caminhadas em que o vermelho e o amarelo sobressaem num céu mais ou menos azul, mas sempre enquadrando esta tão invulgar palete.  Se no verão desfruto da energia positiva que me rodeia, e que emerge de um extravasar de energia de um certo libertar interior, o outono traz-me, por contraponto de equilíbrio, o recolhimento e a contemplação introspetiva da natureza por entre finais de tarde envoltos em tons dourados, por vezes entre os meus livros, apreciando de forma mais tranquila locais que no verão são literalmente inacessíveis dado ao volume de pessoas que os visitam ou frequentam. É igualmente a altura de me perder um pouco na montanha, ou nas praias que, já vazias, continuam a chamar quem nelas sempre se renova…

Bem-vindo Outono. Obrigado pela tua companhia sempre amiga.

Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação.

Ainda mais férias…

Confesso que não me lembro de chegar a um período de férias com um grau de exaustão tão grande como este. Sim, eu sei…é algo que digo frequentemente (porque frequentemente chego exausto às férias). E sim, como alguns dizem, talvez seja a velhice. Mas desta vez o cansaço é mesmo extremo, quase que chegando ao fundo dos ossos, bem fundo na alma…é preciso mesmo parar. Mas, ainda assim, fecho os olhos e respiro fundo…e na harmonia da respiração já hoje senti a mente andar por aí, numa muito agradável viagem de final de tarde…vem aí a praia (espero), o estar com os amigos, o ler…o desfrutar de alguns finais de tarde ao ritmo do nada e o saborear de música…muita música. Vêm aí mais fotografias no Behance, mais podcasts (com a nova série a iniciar-se para a semana com novidades decorrentes das lições aprendidas), mais escrita…em suma, mais eu, mais paz…mais pensar no futuro.