Hóquei 2019

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Crédito: Record.pt

Soube ontem que Portugal tinha ganho o campeonato do mundo de hóquei em patins, que se realizou em Espanha. Fiquei muito contente. É uma modalidade que parece já estar um pouco no nosso sangue coletivo, por entre gerações, devido ao nosso passado glorioso na história da mesma, cedo lançando um caminho de sucesso no panorama mundial, que também cedo foi sendo abraçado pelo povo, dando-lhe um cunho muito popular. Numa ótica mais pessoal, confesso que por alguns momentos veio-me à memória a visão de umas férias em Porto Covo, há cerca de 30 anos, onde um grupo de jovens de Leiria assistia, numa das características tabernas do bonito povoado alentejano, a uma final internacional da modalidade, numa noite animada e de partilha com alguns locais…um episódio que me visitou na bruma do tempo, iluminado pelo sol de uma profunda satisfação.

Os meus mais sinceros parabéns a todos os intervenientes.

 

Ericeira revival

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Crédito da imagem: Paulo Heleno

Ribeira D’Ilhas é um local especial para mim. É daqui que parte, e é aqui que termina, o trail da Ericeira, que fazia todos os anos. Era a última prova do ano (realizada em Dezembro), onde a esmagadora maioria do pelotão do TCC se encontrava para um convívio saudável em prova, conjuntamente com todos os outros participantes que acorriam ao evento. A prova era sempre realizada em Dezembro, e normalmente chegava à praia ainda de madrugada, onde me esperava um vento muito frio, de que gostava particularmente.  E, como prova, não era difícil…rolante, agradável no cruzar de uma paisagem de cores muito bem definidas pelo frio de inverno que se exprimia em dias claros e luminosos, e com uma parte final muito bonita por toda a costa da zona da Ericeira, culminando na escadaria final e na meta, instalada no surf restaurant que lá existe.

Hoje voltei lá, e senti alguma nostalgia…foi o segundo trail que fiz fora de Leiria, depois da experiência de Sintra, e foi o primeiro trail onde vivi de uma forma mais individual (nessa edição), a solidariedade e o calor humano dessas provas, ao ajudar um companheiro, com cãibras em ambas as pernas…durante o tempo que corri (cerca de 5 anos), ajudei alguns companheiros, e alguns companheiros me ajudaram, com algumas situações de ambos os casos a marcarem-me do ponto de vista humano, e que ainda hoje recordo com uma não disfarçada emoção…não sou pessoa de esconder as lágrimas…não faz sentido esconder o que faz parte de nós, e o que de nós diz tanto…

Não me arrependi nunca de deixar de correr. A harmonia que vivi com a montanha, nos Pirenéus, foi de uma amplitude tal, que o Trail Running deixou de fazer sentido na minha vida…a montanha ainda hoje reside em mim numa essência muito diferente, na paz mais ampla que essa harmonia me faz sentir…a ela desejo voltar (vamos ver se será este ano). Mas não esqueço os bons momentos que vivi no trail, especialmente quando assumi o corte com as provas leirienses, e fui em busca de pessoas, experiências e lugares diferentes, que me ensinassem algo mais fora das rotinas instaladas…todos encontrei, e com todos cresci um pouco mais enquanto homem.

E por isso hoje, juntamente com a nostalgia que era embalada por um belíssimo dia de sol, senti igualmente uma profunda gratidão.

A luz do voltar

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Crédito da imagem: Paulo Heleno

Esta semana já a passei por completo em Portugal. É o início de um período em que tenciono passar mais tempo por terras lusas, e que se deverá estender até ao final do verão. Mas se a semana foi ainda de trabalho intenso, ao ritmo e à pressão inglesas, nos fins de semana consigo fechar os olhos e respirar um pouco do meu viver…tenho aproveitado para sair de Leiria, passear, conduzir, sentir sítios com uma harmonia especial, pela forma como a sua energia me preenche…talvez relacionado com isso, tenho instintivamente voltado um pouco à fotografia, nomeadamente através do Instagram (pode ter muitos defeitos mas é uma ferramenta muito prática). Os resultados podem ser vistos por lá, mas, para ser franco, começo a sentir um desejo de pegar nas minhas “meninas”, não apenas na digital, mas também nas minhas duas analógicas.

Sempre disse que existe uma espécie de “estar fotográfico” ou de “sentir fotográfico”…o tempo passa mais lento, e o olhar torna-se mais fundo, como que me segredando na alma aquilo que vejo, num ambiente de silêncio em mim que me acalma o caminhar…as fotografias surgem naturalmente ainda antes de erguer a máquina, e para ser franco, não me preocupo com regras, porque simplesmente não me interessa seguir regras na fotografia…são apenas uma perda de tempo e de desfocar a essência do meu sentir, para além de que são, acima de tudo, expressões formais de relações de sentir naturais com o meio, na expressão da beleza ou do desagrado com que um cenário ou mesmo uma pessoa se afigura perante nós, seja numa expressão física, de como o nosso cérebro reage a certo tipo de padrões, seja mesmo num plano mais profundo, mental e espiritual…fotografar tem muito mais a ver com sentir do que com pensar.

Também por isso, fotografar nestes dias, ainda que com o Instagram, tem sido basicamente uma catarse, uma libertação intensa das regras da semana, e que se junta ao sentimento de que este ano de 2019 será um ano de transição. Estando mais por cá, também a escrita e os podcasts voltarão com mais frequência. Mas a fotografia, como sempre, chega primeiro. E eu gosto que assim seja.

Música do momento…

A minha preferida, de entre as canções de Natal. E sussurrada na viagem de autocarro expresso entre Lisboa e Leiria, que pela madrugada normalmente sucede os meus voos de regresso, tem um sabor muito especial.

Crédito do vídeo: Chris Rea

Fim de semana prolongado…

Confesso que nunca tive a sensação de um fim de semana prolongado tão curto como o que passou. Muito por causa de uma sexta-feira e de uma viagem ao Alentejo que teve tanto de prazer como de sofrer. Por entre a longuíssima viagem pela A23 e pelo IP2, sem grandes estruturas de apoio (tirando a estação de serviço de Abrantes onde tive obrigatoriamente de repousar no regresso), e o facto de tudo o que pretendia visitar estar fechado, ficou a recordação dos caminhos de negro por entre o dourado dos campos onde os vinhedos ocasionais sobressaem, anunciando novo vinho num Outono já anunciado. Seja no litoral, seja pelo seu interior, andar pelo Alentejo é um festival interior de libertação, usufruindo de um espaço, de uma amplitude de olhar que se estende e liberta-nos em cada centímetro de terreno que se vislumbra no horizonte. Terra de luz, de uma tela de paz, terra da parte do meu equilíbrio que busca a sua contra parte no Norte, nas terras do Demo que o Torga cruzou, e nas montanhas que nos inundam. Ainda assim, o calor e a fraqueza fizeram-me cair um pouco…senti que um dia tão bonito foi um dia algo perdido por entre dores de cabeça, naprosyn, e um esforço enorme e desgastante de condução…ao mesmo tempo, tive igualmente pena de, em virtude de ser feriado, não ter podido voltar à Adega Mayor ou ao Museu do Café (agora Centro de Ciência do Café)…tenho refletido muito no meu caminho profissional, e na sua evolução, e é sempre um prazer fazê-lo naquela extensão de terreno enorme e mágica que, para mim, significa Gestão em Portugal, e que tenho como referência de ética, no meu crescimento profissional. A Delta é sempre uma visita obrigatória quando vou a Campo Maior…por outro lado, Vila Viçosa e o seu Paço Ducal fizeram jus ao país de turismo “afirmativo” em que Portugal se vai tornando, permanecendo fechado no feriado, deixando todo um conjunto de carros à porta…

Na próxima há mais. Há sempre mais quando algo de novo define a nossa busca. Foi o que senti quando, já em Leiria, rapidamente recuperei para um profundo relaxamento. No dia a dia pensamos por vezes que rapidamente as coisas podem desaparecer, de um momento para o outro, a uma velocidade que envergonha os incautos segundos no relógio…mas fora esse período algo estranho de existência, nada pode desaparecer se ainda não cumpriu a sua missão em nós…e ainda existem muitos caminhos a trilhar. Preferencialmente com muitas estações de serviço, um microcosmos que aprecio particularmente na observação das pessoas. Mas… isso fica para outro post.

Crédito da imagem: Paulo Heleno