Quo vadis TV?

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Crédito da imagem: Miguel Baltazar

As coisas não vão bem na televisão em Portugal…desta feita, o anátema da desconfiança irrompeu ali para os lados da TVI…depois da confirmação da existência de provas periciais, que atestam a falsidade de alguns testemunhos relativos às reportagens sobre o caso das adoções fraudulentas pela IURD, surgiu agora no Twitter um vídeo com uma reação coletiva de vários pais face a uma reportagem da mesma estação, relativa a alegadas intimidades entre crianças de 3 e 4 anos, numa escola de Lisboa. No vídeo percebe-se de forma clara que o sentimento geral é de defesa da escola. Poderá eventualmente dar-se o benefício da dúvida, embora estejamos a falar de algumas dezenas de pais numa posição coletiva…ou estamos perante um grau de negligência que extravasa a escola, ou realmente poderá existir aqui mais uma polémica.

Existe uma razão para colocar esta fotografia, “televisionamente” inócua. É que, na minha visão, estamos perante um problema transversal, centrado na forma como as televisões inundam diariamente o quotidiano com o lado prático de estratégias centradas sensacionalismo, orientadas por um círculo vicioso entre conquista de share, para obter mais receitas de publicidade, que resultem em mais share. Pelo meio, esta dinâmica alimenta uma cultura baseada na aparência e no ilusório, cativando as pessoas numa sociedade como a portuguesa, onde os sonhos e as esperanças andam por vezes ao nível dos passeios… acresce a este facto que esta é uma estratégia que tem as redes sociais como um dos seus pilares, numa conjunção que não foi de toda feita no céu, como se constata pelo ambiente muito pouco celestial que tudo isto gera, numa base diária. Continuar a ler

Deutschland

Acabei agora de trabalhar. Ao ligar a televisão, apenas o tom dos jornalistas parecia deixar antever que algo de fantástico tinha acontecido. Fiquei assim a saber que a Alemanha tinha sido eliminada do Mundial de Futebol, que em Berlim era a tristeza que passeava pelas ruas numa (talvez) solarenga tarde, e que existia um certo tom de contentamento geral dos homens que habitualmente relatam estas coisas da bola. Não é, de facto, coisa que consiga perceber muito bem.

Toda esta reação em torno do gigante caído retrata um pouco de nós mesmos…na rotina dos dias, vivemos uma tão intensa quanto relativa (ou ausente) positividade que se respira no que de artificial nos rodeia, alimentando todo um conjunto de objetivos em que nunca pensámos, mas que com toda a certeza vamos conseguir atingir se muito trabalharmos, abdicando dessa “entidade negra” chamada zona de conforto (aquela a que por vezes temos tanta necessidade de voltar, para sarar as nossas feridas), para transcendermos o estado presente das nossas vidas…as fórmulas rodeiam-nos, e os resultados da sua aplicação multiplicam-se em ainda mais fórmulas, num caminho de nenhures, rumo ao sucesso…também aí reside uma parte importante das mecânicas nacionalistas que vão emergindo no nosso tempo, e que nada mais são do que o apoderar por parte de alguém destas dinâmicas coletivas, algumas vezes aplicando-lhes um símbolo. Mas a isso voltarei outro dia.

Neste processo mental de luta permanente, algures entre David e Golias, em cujo triunfo do underdog é considerado ao nível pessoal, vamos esquecendo como se erra, e como refletir nesses erros…esquecemos igualmente de como a vida nos brinda com a sua ciclicidade, que nos banha nas ondas de um mar interior que gostamos de ver ilustrado no silêncio da praia. Saber observar esse além, na natureza que nos rodeia e na humanidade que nela desponta, é o que nos faz evoluir, sonhar, pensar e amar um mundo melhor…sempre renovando-se, e levando-nos com ele.