Abrac…inhos

hugging
Crédito da imagem: India.com

Hoje fiquei a saber que há uma forma mais “normalizada” de dar um abraço. Nunca é tarde para aprender…é, basicamente, algo mais formal, colocando-nos um pouco de lado e pousando o braço nos ombros da pessoa. Para mim, que sempre valorizei muito este gesto, esta forma mais distante, mais protocolar de abraçar (um pouco como um cumprimento frequente e regular) causa-me alguma impressão, para não dizer que me é um pouco inócua. Abraçar é, para mim, algo de mesmo muito especial, que me permite sentir e comunicar com o próximo, em silêncio, por via da expressão do toque, dando-lhe uma sensação envolvente, tornando-a naquela forma de expressão que instintivamente entendemos, e que intuitivamente passa uma mensagem, um sentir, pelo contacto entre as diferentes vibrações de duas pessoas.

Por mim, continuarei a utilizar o beijo e o tradicional “passou bem” para esse tipo de cumprimentos, até porque, para ser franco, não partilho um abraço com facilidade. O Abraço, esse, sempre continuará a revelar-se na espontaneidade do seu surgir. Nunca forçado. Sem tempo, no momento certo.

 

Nota humana sobre Monchique

Tenho visto no Twitter algumas críticas às pessoas que, avisadas pela GNR, se recusam a abandonar as suas casas e pertences, devido ao incêndio que lavra na zona de Monchique. Dizem, ao que li, que parece impossível que em 2018 se tenha este tipo de atitude. Para ser franco, sei o que é a aflição de ver fogo perto de casa. E, para além do fogo, que não foi uma situação muito grave (mas que ainda assim impôs respeito), também conheço a sensação de ver a água a preparar-se para invadir (e invadir) propriedade…essa sim foi uma situação um pouco mais séria. O que se sente nessas situações é de que há sempre algo mais a fazer para proteger o que é nosso. Sentimos que faltou algo, que uma intervenção num ou noutro ponto pode ser a solução mágica para salvar bens. É um sentimento talvez pouco (ou nada) racional que surge por vezes no meio da aflição, podendo esta ser ou não inteiramente nossa, mas que está sempre presente, quando um cenário de tragédia bate à porta do que é nosso…especialmente quando o “ser nosso” significou uma vida dura de trabalho, numa terra dura, como é o caso de muitas daquelas pessoas…e isso leva-nos diretamente ao nosso instinto, a uma base comportamental que nos acompanha desde um período ainda anterior ao que nos tornou seres sapientes, mas que moldou muita da nossa sobrevivência enquanto espécie.

É importante pensar nisto, antes de escrever ou comentar alguma coisa deste tipo…nunca se sabe quando nos pode acontecer. E às pessoas que o fazem, digo frontalmente: não queiram nunca ter a sensação de não saber se no dia a seguir, aquilo pelo qual tanto lutaram para conseguir, ainda se encontra de pé.

Crédito da imagem: Global Imagens