Raízes

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Crédito: Gonçalo Cadilhe

Ontem, enquanto ia em viagem, ouvi na TSF uma reportagem com Gonçalo Cadilhe, da qual gostei muito. Confesso que não conheço a sua obra, apesar de já ter ouvido um par de entrevistas suas. Esta foi particularmente interessante e, para ser franco, fiquei com vontade de ler alguns livros. Contudo, foi no fim da mesma que um enorme sorriso fluiu na minha alma…dizia o autor que apesar das viagens, é nas nossas raízes que encontramos a nossa felicidade. A sensação que nos atravessa, quando estamos num qualquer local distante, de que nele poderíamos ser felizes o resto da vida, nada mais é do que uma ilusão, sendo no local onde estão as nossas raízes (no caso dele, Figueira da Foz), que verdadeiramente reside a nossa felicidade. E o sorriso surgiu porque é exatamente o sentimento que tenho vivido desde que regressei de um longo período fora do país, despertando-me profunda paz e felicidade, consolidando-se diariamente.

Dizia igualmente Gonçalo Cadilhe que as viagens ensinam-nos a relativizar aquela faceta mais “orgulhosa” enquanto povo, de considerar muito do que é nosso como o melhor do mundo…eu diria que no mundo, tudo tem o seu lugar e a sua importância, acima do que podemos pensar de forma mais superficial e imediata, por vezes muito influenciada pelas dinâmicas sociais do meio. Diria ainda que é essa relativização, que se estabelece por entre viagens, que nos ajuda a nos tornarmos mais cidadãos do mundo, trazendo o mundo para a realidade das nossas raízes… se o ser humano necessita de ter uma mente sempre aberta ao mundo onde vivemos, nele se completando, também necessita de um local, o seu local, as suas raízes, onde sempre regressa para cada dia ver-se um pouco mais realizado, maduro e mais feliz.

Habemus fotos

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Crédito: Paulo Heleno

As pessoas que seguem o Omnia mais de perto repararam que surgiu um novo tópico. Fotografia. E sim, é verdade, era um tópico que aparecia e desaparecia um pouco ao sabor das ilusões e desilusões dos serviços de visualização, que nunca me satisfaziam. Por outro lado, finalmente acho que finalmente me consegui libertar um pouco da capa de “pai-galinha” das minhas fotografias, o que permitiu olhar para o que queria fazer de uma forma mais vasta e simples…nada como mudar os óculos com que vemos o mundo, para o mundo aparecer diante nós de uma forma bem mais direta e descomplicada.

Assim, as fotografias irão começar a ter aqui a sua casa, numa disposição macro dividida entre um portfolio de cor, mais generalista, e vários, temáticos,  a preto e branco. No primeiro caso, já conhecem as fotos do Instagram (fotografo muito pouco a cores, usando máquina fotográfica). Gosto do Instagram, e divirto-me bastante com a utilização dos filtros. Muitas vezes, em viagem, é uma forma muito versátil de fotografar e partilhar, de rapidamente transmitir uma mensagem, um pensamento, uma voz…não acho de todo que seja uma menoridade… Acho, e ainda esta semana escrevi isso na LinkedIn, que estimulou um sub-género mobile muito interessante, onde, se procurarmos com atenção, encontramos pessoas a fazer coisas mesmo muito interessantes. Aqui, algumas dessas fotografias terão um tratamento mais clássico, mas ainda assim, partem da mesma matriz que originou a versão “Instagram”. Quanto ao Preto e Branco, será um conjunto de álbuns temáticos que irão vendo a luz do dia de uma forma talvez um pouco mais lenta, mas de uma forma contínua. Algumas fotografias já têm algum tempo, e ganham aqui uma nova vida. Outras serão reveladas mais perto do final do ano.

Por último, referir que não me importo que usem as fotografias para publicar no âmbito dos vossos trabalhos ou hobbies. Contudo, gostaria sinceramente que se tal acontecer, coloquem o nome do autor, e o endereço onde se encontram. Todos somos aquilo que damos, e caminhamos naquilo que recebemos…pelo meio, existe sempre algo que todos ganhamos no respeito pelo trabalho do outro, e pela forma como esse trabalho nos pode, quem sabe, também fazer-nos ir um pouco mais além. Num mundo de tantos desencontros, saber partilhar apenas pela expressão do sentir dessa partilha é o redescobrir de algo belo, de como todos podemos ser capazes de caminhar em conjunto, naquilo que em cada um de nós vamos descobrindo, no convívio com todos.

Omnia in micro – 13

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito Informação.

Todos os finais de tarde caminhava sem tempo…num dia, numa hora ou numa vida, deixava-se apenas deslizar por caminhos em tons de sol poente, por entre pinceladas de suave brisa marítima, compondo o seu horizonte. Intrigava-a a exaustão consentida da procura em decompor essa vastidão tão própria de cada um em algo que tivesse de ser visto ou admirado pelo outro. Ou medido…ou quantificado… tal qual a afirmação egótica de um Eu aprisionado por entre a ilusão dos dias de uma qualquer realidade distópica de sucesso…visto e admirado, mas aprisionado.

A beleza do caminho simplesmente existia em si. Olhava-a…trilhava-a, respirava-a…por vezes com ela dialogava por via dos pensamentos que se tornavam imagem de si mesma pelas lentes da sua máquina. E sem regras, porque as regras, na fotografia foram feitas para serem quebradas, por entre grades vencidas nos restos dessa realidade distópica que se rendia ao facto de, em todo o entardecer, ela apenas desejar olhar o horizonte.