Uma história de Natal…

Quando me levantei no dia de Natal, esta foi a história que vi, mal liguei a televisão. A bordo de um barco de refugiados, em pleno Mediterrâneo, e depois da entrada ter sido vedada nos portos italianos, os refugiados que iam a bordo, e muito especialmente as crianças, tiveram uma festa natalícia plena de sorrisos, levada a cabo com o esforço dos voluntários a bordo, que não se pouparam para criar um ambiente que, por alguns momentos, fizesse esquecer todas as agruras vividas por estas pessoas. Há mesmo um fundo de verdade quando se diz que a história, ou por vezes alguns dos seus aspetos, repetem-se…no exercício intemporal da exploração dos povos pelo interesse de alguns, sobressaem em cada época os pequenos grandes exemplos de libertação que nos indicam um rumo, um horizonte, em tempos mais incertos. Algo que não se encontra nos livros, mas no coração de cada um de nós, despertando sempre na simplicidade das pequenas grandes coisas, como a alegria das crianças.

Tive uma noite de Natal calma e agradável, assim como o dia. Mas ao assistir a estes momentos, confesso que senti-me flutuar até uma dimensão diferente…e por lá vou ficando…

Crédito da imagem: SIC

Omnia in micro – 8

O mundo cada vez mais lhe parecia uma manta de retalhos. Uma manta antiga, já tão vivida quanto pisada, tão estendida quanto perigosamente recolhida, conforme as épocas por que passava. Pelo meio, os retalhos iam-se descosendo, apagando a sua união num emaranhado confuso de linhas partidas… soltas, mas não propriamente libertas… apontando para um qualquer vazio…estar em casa ou no seu exterior trazia-lhe sempre a mesma imagem…a de um mundo por vezes em despedida de uma humanidade que não o sabe viver, nem mesmo quando, num qualquer futuro bem próximo, enfrenta o risco de o perder.

Steve McCurry: a life in pictures

Não é segredo para ninguém que sou um fã de Steve McCurry. Já o disse aqui uma vez. Para mim, ninguém trabalha a cor como McCurry, e o seu trabalho faz com que este sempre fã do Preto e Branco, como o primado da forma e da sombra que faz sobressair a verdadeira luminosidade do sentir, não apenas do homem mas também do mundo; se compadeça e por vezes se torne pequena essência de nada na dimensão que a cor forma nestas fotografias, por entre um sorriso, uma lágrima, ou apenas um esgar de admiração pela forma como por entre a forma e a sombra, conseguimos pintar um mundo e uma humanidade tão bela.

O livro ainda não saiu, mas a Amazon já está a aceitar reservas de pré-venda.

Crédito da imagem: Steve McCurry 

A visão Bauhaus

Um vídeo simples, mas muito interessante, que nos mostra como o movimento Bauhaus contém, na sua essência, muitos dos pressupostos que deveriam mover a inovação no tempo moderno. A ideia de um mundo repensado, numa filosofia minimalista que evolui numa base inspirativa e inspiradora, para lá dos ditames do mercado…uma reforma viva, vibrante, baseada na partilha e evolução das ideias como produto duma reflexão liberta, acomodando o progresso e as dinâmicas sociais do nosso tempo no sentir intemporal que nos define enquanto humanidade. Para mim, continua a ser um paradigma muito interessante, num mundo e numa sociedade que de facto necessitam de ser profundamente repensados à luz do homem que se liberta, deixando para trás o homem que um dia se prendeu no vazio do que conquistou.

A paixão continua bem viva…

Crédito do Vídeo:Bauhaus Movement