Osgas

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Crédito: Spyjournal/Flickr

Nunca percebi o porquê de tanto medo das osgas, pelo menos da denominada osga-comum. Talvez por alguma visão popular baseada em algum tipo de confusão com outras espécies, as desgraçadas das osgas são sempre vítimas de um conjunto de epítetos muito pouco condizentes com a sua realidade. De serem venenosas, até provocarem lesões de pele, passando pela sua falta de beleza, existe todo um conjunto de ideias preconcebidas, um preconceito que sem dúvida se alimenta da repetição sistemática das mesmas sempre com um toque negativo.

Para ser franco, não conheço animal mais tranquilo. Aprendi a apreciar esse comportamento quando ia passar alguns dias de férias na serra algarvia, onde existiam muitas, encontradas nas situações mais díspares. Com mais ou menos movimento, elas  permaneciam na sua abstração, imperturbáveis, apenas fugindo mais vigorosamente quando na presença de atitudes mais enérgicas, e não interagindo de forma agressiva.  Por outro lado, as osgas são excelentes reguladores do ambiente onde se existem, contribuindo para a regulação de espécies, nomeadamente melgas, mosquitos, aranhas, escaravelhos, formigas (entre outras), contribuindo para um funcionamento mais normal do ecossistema. E quanto à beleza…bom…quase que me apetecia dizer que há pessoas que realmente não se podem queixar…

E posto isto, quase que me apetece dizer que se por acaso virem osgas estas férias, deixem o bicho em paz. Com toda a certeza não vos fez mal nenhum, e não gostarmos do seu aspeto não é razão para as perseguir. Abrindo a nossa mente, com toda a certeza podemos aprender algo com elas. Eu aprendi.

Hóquei 2019

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Crédito: Record.pt

Soube ontem que Portugal tinha ganho o campeonato do mundo de hóquei em patins, que se realizou em Espanha. Fiquei muito contente. É uma modalidade que parece já estar um pouco no nosso sangue coletivo, por entre gerações, devido ao nosso passado glorioso na história da mesma, cedo lançando um caminho de sucesso no panorama mundial, que também cedo foi sendo abraçado pelo povo, dando-lhe um cunho muito popular. Numa ótica mais pessoal, confesso que por alguns momentos veio-me à memória a visão de umas férias em Porto Covo, há cerca de 30 anos, onde um grupo de jovens de Leiria assistia, numa das características tabernas do bonito povoado alentejano, a uma final internacional da modalidade, numa noite animada e de partilha com alguns locais…um episódio que me visitou na bruma do tempo, iluminado pelo sol de uma profunda satisfação.

Os meus mais sinceros parabéns a todos os intervenientes.

 

Simples

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Crédito: Paulo Heleno

Hoje foi o meu primeiro passeio à beira-mar, em férias. Com corpo e mente a adaptarem-se a uma vibração mais calma, fui, como sempre, lentamente caminhando rumo ao meu destino de sempre, aqueles locais onde as pegadas desaparecem e o silêncio reina…dei por mim a questionar-me sobre a simplicidade do viver, e como nessa simplicidade conseguiria expressar não apenas o caminho que vou vivendo, mas igualmente o que ele me vai traz, passo a passo, acima dos dias…

Paz…Amor…Amar…Ser…Ir…Nós…Tudo…Nada…Flor…Voo…Mar…Céu…Sol…Azul…Dar…

A vida é realmente simples quando cada passo se manifesta apenas em três ou quatro letras…

Fatigatis aptum

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação sobre o autor.

Na reta final para as férias, vou-me deixando levar pelo caminho…chego ao final dos dias com o corpo bastante dorido, enquanto que a mente revela uma imensa dificuldade em manter-se desperta, após o esforço cada dia maior de se manter ativa, e alguma dificuldade em dormir. Há um prazer imenso em ficar deitado, fechar os olhos, respirar devagar, e lentamente deixar o sono surgir por entre pensamentos que se apagam na medida da luz que a alma desnuda e desperta emana…vivo, nestes dias de mais exaustão, essa dicotomia entre o físico que dela padece, e da alma que dela se liberta, seja numa caminhada pelo ar ainda fresco do final do dia, ou pelo lento mas certo ato de dar vida às inúmeras notas que vão povoando o meu caderno azul, que em si condensa um céu marítimo no mar imenso…em cada fotografia que vai vendo a luz do dia aqui no blog, em cada escrito que aqui amadurece ou que nessas notas vai ganhando forma, existe um pouco de mim que desperta do cansaço, e que sorri por entre as palmeiras que muito suavemente bailam ao sabor da brisa, muito comum por estas paragens, e tantas vezes com um cheiro tão indelevelmente bom a mar…

Para mim,a alegria sempre foi azul… mais escuro ou mais claro. Mas sempre azul…e ainda hoje é esse azul que me desperta para a simplicidade do existir, e da felicidade que existe no mero ato de caminhar no trilho entre a noite que por vezes nos cerca, e o dia que sempre em nós amanhece, iluminando aquela semente que, apesar de tudo, está destinada a nascer em nós…

Hoje.

Constatação

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Crédito da imagem: Paulo Heleno

Isto não é um homem cansado após uma caminhada por Ílhavo, tentando descobrir um local para jantar após uma longa caminhada. Muito menos é um homem cansado, sentado após uma longa caminhada, a relaxar um pouco e a divertir-se muito com o seu telemóvel a tirar umas fotografias engraçadas. E ainda menos é um homem já a desejar umas merecidas férias deixando a mente viajar por entre a luz da praia que resplandece no mar, ao mesmo tempo que nos limpa a alma.

De onde tiraram essas ideias? Eu cá só vejo um par de sapatos e e pedaços de jeans. Mas ás vezes o cansaço ilude um pouco a vista 🙂