Tag Archives: escrita

A luz do voltar

Esta semana já a passei por completo em Portugal. É o início de um período em que tenciono passar mais tempo por terras lusas, e que se deverá estender até ao final do verão. Mas se a semana foi ainda de trabalho intenso, ao ritmo e à pressão inglesas, nos fins de semana consigo fechar os olhos e respirar um pouco do meu viver…tenho aproveitado para sair de Leiria, passear, conduzir, sentir sítios com uma harmonia especial, pela forma como a sua energia me preenche…talvez relacionado com isso, tenho instintivamente voltado um pouco à fotografia, nomeadamente através do Instagram (pode ter muitos defeitos mas é uma ferramenta muito prática). Os resultados podem ser vistos por lá, mas, para ser franco, começo a sentir um desejo de pegar nas minhas “meninas”, não apenas na digital, mas também nas minhas duas analógicas.

Sempre disse que existe uma espécie de “estar fotográfico” ou de “sentir fotográfico”…o tempo passa mais lento, e o olhar torna-se mais fundo, como que me segredando na alma aquilo que vejo, num ambiente de silêncio em mim que me acalma o caminhar…as fotografias surgem naturalmente ainda antes de erguer a máquina, e para ser franco, não me preocupo com regras, porque simplesmente não me interessa seguir regras na fotografia…são apenas uma perda de tempo e de desfocar a essência do meu sentir, para além de que são, acima de tudo, expressões formais de relações de sentir naturais com o meio, na expressão da beleza ou do desagrado com que um cenário ou mesmo uma pessoa se afigura perante nós, seja numa expressão física, de como o nosso cérebro reage a certo tipo de padrões, seja mesmo num plano mais profundo, mental e espiritual…fotografar tem muito mais a ver com sentir do que com pensar.

Também por isso, fotografar nestes dias, ainda que com o Instagram, tem sido basicamente uma catarse, uma libertação intensa das regras da semana, e que se junta ao sentimento de que este ano de 2019 será um ano de transição. Estando mais por cá, também a escrita e os podcasts voltarão com mais frequência. Mas a fotografia, como sempre, chega primeiro. E eu gosto que assim seja.

Vai para um mês…

Enquanto estava a colocar o meu tablet à carga, algo que já não fazia quase desde o momento da compra há alguns meses, quase que me lembrei que tenho um blog…digo quase, porque de facto a magia da escrita não me deixa esquecer que tenho sempre aqui este espaço que me espera, nos bons ou nos maus momentos, nos momentos mais ou menos ocupados…por entre viagens e mudanças de hotel, avolumam-se as notas escritas e mentais, que se explanam entre ideias para artigos e podcasts, meras frases soltas, ou ideias mais vastas para algo talvez um pouco maior. O viajante é muitas vezes ultrapassado pela sua mente, que parece adivinhar o que no tempo sem tempo se vai formando um pouco mais na frente. E nessa viagem da mente, pelo tempo sem tempo, através de um espaço sempre em expansão, muitos destes textos e notas soltas vão se consubstanciando em realidades mais ou menos sólidas, ou sementes de uma esperança consolidada. Profissionalmente, algumas coisas vão continuando a nascer, com muito trabalho e espírito de sacrifício, e que espero serem definidoras de novos caminhos a trilhar, aos quais nos lançamos quando de facto percebemos que somos aquilo que escolhemos evoluir. E é também nesse evoluir que, pessoalmente, a janela da vida continua aberta a coisas novas.

No entretanto, o fluxo da vida tem sempre um espaço para a escrita, cimento antigo da minha construção. A parte de mim que não se esquece que tem um blog. Apesar de por vezes alguma preguiça se intrometer em toda esta dinâmica. Mas isso são outras histórias.