Simples…

A vida é simples. Simples no viver dos bons momentos, daqueles que não se partilham nas redes sociais, porque realmente não se têm de partilhar. Alimentam-se da energia do final dos dias, quando as pessoas ainda não desejam ir para casa, porque ainda existe uma busca a fazer. Em si, no próximo ou num qualquer local…não é muito relevante, até se sentir que se está no momento certo, com as pessoas certas, no lugar certo, e que toda essa vibração foi surgindo na semana, no tempo que simplesmente passa. E assim, por entre a confusão da cidade ou pelos caminhos que dela sai, conduzimos o nosso sentir até aquele ponto no espaço e no tempo onde apenas o essencial permanece num bom prato de deliciosas iguarias, e na conversa que se explana tão fresca e intensa como a imperial que está à tua frente, e que tu já não te lembravas de saborear com tanto prazer.

A vida é simples. É realmente muito simples…não interessa complicar.

Crédito da imagem: Schoolswork UK

De volta ao céu

Depois de quase seis meses no Brasil, e quase mais um mês em Inglaterra, o último ano e meio vai acabar com mais uma viagem a terras britânicas. Confesso que neste momento este viajante estava a usufruir em paz da aproximação ao Natal e da energia que surge neste período, que sempre senti boa e reconfortante. Não me afeta a febre consumista, pois nela nada me atrai e nada nela encontro de mim para preencher, ficando apenas o sentir doce do que de bom o universo nos traz e ensina…mas por outro lado, confesso que já tenho saudades dos meus amigos de asas, do ambiente dos aeroportos e da forma como também me transmitem uma sensação de paz no meio da confusão. É algo que vou aprendendo em mim, a simplesmente trilhar o Caminho do Meio, por entre o equilíbrio que os aparentes desequilíbrios nos induzem. E, por fim, conhecer mais uma cidade nova, Manchester, novas pessoas, novos locais, novas realidades e desafios profissionais e novas portas para a alma e pensamento…só o frio é que deve ser o mesmo de quando estive em Newcastle, se não for mais, mas bem temperado com a postura um pouco mais aberta e afetuosa das pessoas do norte, por comparação à frieza e algum distanciamento de Londres (apesar das boas experiências recentes, a comprovar que toda a regra tem a sua exceção, que nos ergue no conhecimento do que nos rodeia).

Digamos que a vontade de partir já estava cá. Mas ainda não estava no ponto. Ainda assim uma saída da zona de conforto que recebo de braços e coração aberto, e que pode ser muito interessante. Venha agora a partida (penso que no próximo domingo) e, com uma ligeira paragem no início de Dezembro, o regresso mais perto do Natal.

Omnia in micro – 10

“A energia para o dia que nasce tem sempre a sua origem no desgaste do dia anterior…” escreveu ela enquanto o chá vagueava pelo quarto em aroma de menta…”entre eles”, continuou, “existe uma noite plena de luz, um silêncio pleno da voz do teu sentir, um vazio que se expande no teu Ser, repleto do que em ti existe para ofertares a ti mesma.”

Parou para refletir um pouco, olhando a janela entreaberta na noite…

“Assim”, concluiu, “quando dormes apenas deixas de existir, por entre a fina cortina do descanso. Tornas-te tempo sem espaço, por entre o pleno do vazio que desponta no brilhar da luz, na paz da voz, no que em ti se renova para renasceres de novo no sol de um dia que amanhece”

Sorriu e lentamente fechou os olhos. No dia seguinte, motivada pela insistência de quem a procurava, a polícia entrou na casa, encontrando-a sem vida na sua cama. Na sua face serena, ia-se erguendo o sol da manhã. Partiu só, como sempre viveu: repleta de si.

Velut Luna

Com o começo do Outono, e no decorrer no Inverno, existe um equilíbrio natural em mim. São estações que me movem num caminho de paz e recolhimento, simplesmente desfrutando o aqui, o agora, independentemente de como se consubstanciam num tempo natural e interior, em abertura ao que me proporcionam.

Num desses momentos, assisti hoje na RTP 2 a uma representação da Carmina Burana, de Orff. Gravada no Théatre Antique D’Orange, em França, a belíssima interpretação musical aliou-se a um enquadramento visual que tornou o conjunto numa das mais belas interpretações desta obra a que já assisti. Por entre o som e imagem, música e pintura, os sentidos variam por entre a vincada dualidade das energias masculina e feminina, muito própria nesta obra, despertando o sentir e a consciência de um erotismo também nela contido. Cada cor, cada nota, vibra no interior, numa essência que reconhecemos como antiga e natural.

Se não viram, e apreciam o estilo clássico, aconselho mesmo muito a irem à vossa box e sintonizarem esta emissão.  Fica igualmente aqui um portefólio de alguma da cenografia utilizada.

Crédito da imagem: COSMO AV