Oscar & Valeria

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Crédito da imagem: AFP

Já estava deitado, mas esta imagem não me saía da cabeça…tal como no caso de Aylan Kurdi, esta não é uma imagem única, que aconteceu neste momento no tempo. Esta é uma imagem sem tempo, porque reflete algo que acontece com uma frequência macabra, uma repetição que incomoda, que normalmente não se gosta de enfrentar numa espécie de não admissão de luto coletivo enquanto humanidade, num purgatório situado entre a ausência de perceção do que nos trouxe até aqui, e a ausência de visão sobre para onde vamos, a partir daqui. Afinal, num vórtice de conceitos vazios, a humanidade vai-se tornando ela própria vazia, na medida em que coletivamente a varremos do nosso ser, numa perspetiva egótica e eugénica do nosso próprio vazio, enquanto Ser individual e social…uma sanitização coletiva da nossa história, que apenas lança um enorme nevoeiro sobre o nosso futuro, fazendo-nos cada vez mais esconder instintivamente nos discursos fáceis e populistas, adaptáveis à plasticidade da sociedade moderna, que glorifica o sonho do outro em ser feliz, por troca da nossa infelicidade, mascarada de ideologia.

Talvez isto explique o porquê de situações como esta estarem a acontecer a um ritmo alarmante nas fronteiras dos EUA e da União Europeia…tradicionais paladinos da liberdade e, pela sua história, destinos tradicionais de emigração, de zonas de crise, em situações de crise…mas cada vez menos existe a noção de mundo e de história, por troca com a necessidade de, para atingir as metas e os valores que a superficialidade da era moderna impõe, nos tornarmos mais pequenos, na glorificação do vácuo das fronteiras e de uma visão quase racista de povo, algo que estes novos movimentos nacionalistas fazem, infelizmente, muito bem.

Porque as ideias estão muito presentes, mas o sono vai apertando, uma última palavra para a fotografia em si…sim, deveria ter sido tirada. Esta e outras. Sim, deveria ter sido publicada e difundida…esta e outras…

Este assunto irá voltar ao universo Omnia.

Omnia in micro – 13

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito Informação.

Todos os finais de tarde caminhava sem tempo…num dia, numa hora ou numa vida, deixava-se apenas deslizar por caminhos em tons de sol poente, por entre pinceladas de suave brisa marítima, compondo o seu horizonte. Intrigava-a a exaustão consentida da procura em decompor essa vastidão tão própria de cada um em algo que tivesse de ser visto ou admirado pelo outro. Ou medido…ou quantificado… tal qual a afirmação egótica de um Eu aprisionado por entre a ilusão dos dias de uma qualquer realidade distópica de sucesso…visto e admirado, mas aprisionado.

A beleza do caminho simplesmente existia em si. Olhava-a…trilhava-a, respirava-a…por vezes com ela dialogava por via dos pensamentos que se tornavam imagem de si mesma pelas lentes da sua máquina. E sem regras, porque as regras, na fotografia foram feitas para serem quebradas, por entre grades vencidas nos restos dessa realidade distópica que se rendia ao facto de, em todo o entardecer, ela apenas desejar olhar o horizonte.

Iker

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Crédito da imagem: JN

Ao ouvir a notícia de hoje relativa ao enfarte de Iker Casillas, não pude deixar de ter logo, como primeiro pensamento, uma das últimas consultas médicas que tive…depois de descrever o meu trabalho, o médico pausou um pouco, dizendo-me que parecia um pouco cansado. “Ajudava ter um hobbie” disse ele, levando-me a pensar qual das n coisas que amo fazer e que há muito tempo não faço, devia escolher. Talvez tenha sido um pensamento egoísta…obviamente que desejo que tudo não tenha passado de um susto, e que Iker continue a maravilhar os adeptos de futebol com a sua arte. Mas foi o meu primeiro pensamento…para ser franco, desde o que aconteceu ao João Vasconcelos que tenho pensado nestas situações, despertando-me toda uma reflexão estruturante  sobre o meu quotidiano. Sempre senti dentro de mim que 2019 ia ser um ano de evolução, tal como foi o ano de 2016, com todos os seus acontecimentos que guardo com carinho. E os caminhos que tenho trilhado nesta questão, iluminam novos caminhos que vão surgindo, na enorme paisagem aberta há cerca de 3 anos.

É assustador o ritmo a que estas situações vão acontecendo.