Omnia in micro – 13

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito Informação.

Todos os finais de tarde caminhava sem tempo…num dia, numa hora ou numa vida, deixava-se apenas deslizar por caminhos em tons de sol poente, por entre pinceladas de suave brisa marítima, compondo o seu horizonte. Intrigava-a a exaustão consentida da procura em decompor essa vastidão tão própria de cada um em algo que tivesse de ser visto ou admirado pelo outro. Ou medido…ou quantificado… tal qual a afirmação egótica de um Eu aprisionado por entre a ilusão dos dias de uma qualquer realidade distópica de sucesso…visto e admirado, mas aprisionado.

A beleza do caminho simplesmente existia em si. Olhava-a…trilhava-a, respirava-a…por vezes com ela dialogava por via dos pensamentos que se tornavam imagem de si mesma pelas lentes da sua máquina. E sem regras, porque as regras, na fotografia foram feitas para serem quebradas, por entre grades vencidas nos restos dessa realidade distópica que se rendia ao facto de, em todo o entardecer, ela apenas desejar olhar o horizonte.