Fatigatis aptum

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação sobre o autor.

Na reta final para as férias, vou-me deixando levar pelo caminho…chego ao final dos dias com o corpo bastante dorido, enquanto que a mente revela uma imensa dificuldade em manter-se desperta, após o esforço cada dia maior de se manter ativa, e alguma dificuldade em dormir. Há um prazer imenso em ficar deitado, fechar os olhos, respirar devagar, e lentamente deixar o sono surgir por entre pensamentos que se apagam na medida da luz que a alma desnuda e desperta emana…vivo, nestes dias de mais exaustão, essa dicotomia entre o físico que dela padece, e da alma que dela se liberta, seja numa caminhada pelo ar ainda fresco do final do dia, ou pelo lento mas certo ato de dar vida às inúmeras notas que vão povoando o meu caderno azul, que em si condensa um céu marítimo no mar imenso…em cada fotografia que vai vendo a luz do dia aqui no blog, em cada escrito que aqui amadurece ou que nessas notas vai ganhando forma, existe um pouco de mim que desperta do cansaço, e que sorri por entre as palmeiras que muito suavemente bailam ao sabor da brisa, muito comum por estas paragens, e tantas vezes com um cheiro tão indelevelmente bom a mar…

Para mim,a alegria sempre foi azul… mais escuro ou mais claro. Mas sempre azul…e ainda hoje é esse azul que me desperta para a simplicidade do existir, e da felicidade que existe no mero ato de caminhar no trilho entre a noite que por vezes nos cerca, e o dia que sempre em nós amanhece, iluminando aquela semente que, apesar de tudo, está destinada a nascer em nós…

Hoje.

Omnia in micro – 12

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Crédito: Desconhecido. Solicito Informação.

Habituou-se cedo a sentir a noite como um trilho de silêncio por entre o som labiríntico dos dias.  E igualmente cedo, compreendeu que não adiantava desafiar esses sons falando ainda mais alto…apenas se emaranhava numa confusão desafinada de tons distónicos, perdendo o seu caminho… de facto, não era o som que lhe dava um sentido, mas sim a forma como ele se desvanecia no seu sentir.

Simples…

A vida é simples. Simples no viver dos bons momentos, daqueles que não se partilham nas redes sociais, porque realmente não se têm de partilhar. Alimentam-se da energia do final dos dias, quando as pessoas ainda não desejam ir para casa, porque ainda existe uma busca a fazer. Em si, no próximo ou num qualquer local…não é muito relevante, até se sentir que se está no momento certo, com as pessoas certas, no lugar certo, e que toda essa vibração foi surgindo na semana, no tempo que simplesmente passa. E assim, por entre a confusão da cidade ou pelos caminhos que dela sai, conduzimos o nosso sentir até aquele ponto no espaço e no tempo onde apenas o essencial permanece num bom prato de deliciosas iguarias, e na conversa que se explana tão fresca e intensa como a imperial que está à tua frente, e que tu já não te lembravas de saborear com tanto prazer.

A vida é simples. É realmente muito simples…não interessa complicar.

Crédito da imagem: Schoolswork UK

Omnia in micro – 10

“A energia para o dia que nasce tem sempre a sua origem no desgaste do dia anterior…” escreveu ela enquanto o chá vagueava pelo quarto em aroma de menta…”entre eles”, continuou, “existe uma noite plena de luz, um silêncio pleno da voz do teu sentir, um vazio que se expande no teu Ser, repleto do que em ti existe para ofertares a ti mesma.”

Parou para refletir um pouco, olhando a janela entreaberta na noite…

“Assim”, concluiu, “quando dormes apenas deixas de existir, por entre a fina cortina do descanso. Tornas-te tempo sem espaço, por entre o pleno do vazio que desponta no brilhar da luz, na paz da voz, no que em ti se renova para renasceres de novo no sol de um dia que amanhece”

Sorriu e lentamente fechou os olhos. No dia seguinte, motivada pela insistência de quem a procurava, a polícia entrou na casa, encontrando-a sem vida na sua cama. Na sua face serena, ia-se erguendo o sol da manhã. Partiu só, como sempre viveu: repleta de si.

Silêncios paulistas

O silêncio em S. Paulo é um bem raro. Anda normalmente acompanhado da noite mas, na zona onde neste momento resido, o fim de semana é igualmente bastante calmo, e quer o começo, quer o final do dia, trazem momentos desse bem tão escasso. E assim, após uma semana bastante intensa, principalmente no seu final, acordei hoje como num estado de realidade suspensa, como se vivendo uma travagem brusca, colocando-me naquele pequeno momento de segundos em que nos perguntamos o que aconteceu. E à medida que descobrimos que hoje não há Ubers para apanhar às 07:15, o dia torna-se subitamente mais belo, mais relaxante…aquele mero segundo vai-se prolongando por boa parte da manhã. Sem grande resistência (diga-se).

Os silêncios paulistas são, de facto, tão intensos quanto a realidade da vida diária. Isso torna a minha vida quotidiana como que um cenário de navegação num mar agitado, em que a adrenalina das ondas dá, ciclicamente, lugar a um repouso que desperta a mente e o espírito, como nunca me acontece em Portugal. A leitura, a música, o simplesmente estar deitado na contemplação de uma mente tão próxima da anulação face ao horizonte do espírito…tudo ganha uma nova dimensão. E as decisões ficam mais nítidas, o que somos é nos temporariamente devolvido, e o que queremos ser, naturalmente acorda.

E olha longe. Muito longe…