Dias de cansaço

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Crédito: Brasil247

Estas têm sido semanas de trabalho intenso, onde nos poucos momentos de descanso (incluindo um sono atribulado), tenho caminhado entre o cansaço e a exaustão. Pelo meio, especialmente nas duas últimas semanas, uma dor bastante forte num implante dentário que coloquei em substituição de outro…infelizmente a minha agenda não me permite ver esta questão como deve ser nas próximas duas semanas, e vou fazendo antibiótico e anti-inflamatório…mas as dores perturbam-me, principalmente no meu descanso, que se vai resumindo durante a semana a uns passeios muito agradáveis em Aveiro, depois do jantar, e a ler Pessoa e Tolentino Mendonça, por entre as minhas indispensáveis listas de músicas. Tem-me agradado muito a erupção interior que os dois livros (o Livro do Desassossego e o Elogio da Sede) provocam…cada um à sua maneira, por entre tempestades e fortes brisas marítimas, são livros impermanentes que nos movem para a frente no fino equilíbrio da natureza humana. E claro, as minhas ações de voluntariado, que têm contribuído na essência da partilha para a minha sanidade.

No fim de semana, entrego-me ao silêncio (na maior parte dele). Já sabe bem o som da chuva lá fora a ecoar perante um golo de chá quente e uma manta bastante confortável…ocasionalmente vou-me colocando a par das novidades, e muito haverá para escrever assim que o tempo permita, assim como para gravar o próximo episódio do Podcast, sobre voluntariado…também ocasionalmente vou reencontrando Amigos de outrora que no futuro sempre se perfilam, em encontros muito agradáveis.

Mas, por agora, é altura de descansar, aproveitando esta benção em forma de fim de semana prolongado.

Confusões britânicas

Antes de ler este post, convido-vos a irem ao Youtube, e a colocarem nos vossos sistemas de sons a música do genérico inicial do Benny Hill. Ou melhor, eu próprio coloco. Prontos? vamos então começar.

Chegado ontem a Heathrow, e após um cansativo controlo de passaporte (os corredores para passaportes eletrónicos estavam fechados), reparei que faltava uma pequena mala, junto das malas agrupadas em frente ao tapete, que já se encontrava parado…logo, a minha pequena mala. Pensando num cenário não muito agradável, fui ao balcão de bagagens e confirmei mesmo o pior… que a mala efetivamente tinha ficado em Lisboa. Não é propriamente o que desejamos ouvir depois de um voo que, por muito pequeno que seja, deixa sempre um cansaço em corpo e mente…e assim, após receber o procedimento do que deveria fazer, só pensava em ir para o hotel descansar. Após pedir um Uber, que normalmente recolhe as pessoas junto do terminal 3, comecei a perceber que existia um desfasamento entre mapa que me era apresentado, e a minha localização, pois encontrava-me ainda junto do terminal 2 (no mapa, a zona realmente aparece como terminal 2 e 3). Pergunta puxa resposta, sempre simpáticas (nunca tive nem tenho problemas de relacionamento no Reino Unido), e assim saí disparado para o ponto de recolha definido no terminal 3…com tudo isto, e por uma questão de um minuto ou dois, não apanhei aquele carro. Respirar fundo…consciência de que as coisas não estavam a correr bem…mas também não se podiam repetir…nova tentativa de chamada, e desta vez surgiu-me uma simpática senhora paquistanesa, com quem tive uma muito agradável conversa durante a viagem que fizemos. Londres tem este sentido de multiculturalidade único, onde sentimos um calor humano forte, oriundo da humanidade que se explana logo ali, mesmo junto de nós. Senti-me bastante descontraído no carro, enquanto íamos conversando, até finalmente chegar ao meu hotel.

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Renascer

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Crédito da imagem: Paulo Heleno

Os primeiros dias de sol do ano trazem consigo um desejo grande dele usufruir. Talvez aliado a um sentir de ano novo, a luz parece refletir-se de forma mais vasta e brilhante por entre o ar frio, despertando-nos na mente uma imagem de dinâmica que nos faz retomar as atividades entretanto suspensas (normalmente por causa da chuva), e sonhar com um verão não tão distante quanto se possa pensar.

Existem, contudo, por entre esta anualmente renovada promessa de luz, dias mais cinzentos. Como o de hoje. Dias onde o frio se esconde por entre as nuvens, e por entre as nuvens surgem períodos de chuva mais ou menos intensa. Confesso que, depois de um dia um pouco difícil como o de ontem, sinto-me atingido por este manto cinzento, o que não é nada normal…não tenho por este tempo um desagrado militante, sendo que muitas vezes me proporciona tardes de excelente leitura ou de desfrute musical, libertando bastante a minha mente para um merecido descanso ao sabor de um chá bem quente.

Mas hoje, ao contrário do meu bonsai, também me sinto um pouco cinzento. Ele, o bonsai, sendo de interior, nunca cede perante a chuva que por vezes o deixo apanhar, e desde que está comigo, já há mais de meio ano, que por entre ocasionais pequenos banhos matinais vai crescendo, tornando-se mais verde na alegria dos rebentos que nascem por entre a maturidade da folhagem que os rodeia…não consigo deixar de pensar, por entre o cinzentismo do dia, que as plantas não esquecem os ritmos naturais e sazonais, tal como nós há muito os esquecemos, e que neles vivem num equilíbrio intemporal de energias díspares que nos erguem e derrubam num ciclo de harmonia natural, sem os limites que aprendemos a nos colocar, longe no passado ou distantes no futuro.

É uma ideia que me devolve o estado habitual, de sentir que o sol sempre brilha por cima das nuvens, as mesmas nuvens que fazem renascer a natureza no mundo, para mais um ano de uma viagem imensa de vida que nos inspira e nos move. Nada é fundamentalmente mau ou bom. Tudo caminha à nossa volta, deixando-nos um pouco mais maduros na nossa caminhada e capazes de ver horizontes cada vez mais distantes no espaço ou cada vez mais profundos em nós. E o chá…bom…esse já está frio…é tempo de fazer mais.