On the road

Dia de regressar às viagens. Dia de sol e céu azul, que me acompanharam por entre as nossas estradas, sempre ladeadas de um verde brilhante de verão. Até ao final do mês irei ficar a maior parte do meu tempo na região de Aveiro, toda uma zona onde me sinto bem, imerso nas suas cores e formas…para ser franco, nesta altura, o viajante não poderia desejar algo melhor. Regressei com um enorme desejo de passar mais tempo na minha terra, harmonizando-me com um sol que num passado recente foi ausente, e transpondo mais alguns degraus daquilo que considero ser a minha caminhada, numa visão cada vez mais larga que vou tendo da minha vida.

As estadias prolongadas no Brasil e no Reino Unido foram fantásticas. E se profissionalmente foi muito interessante, do ponto de vista pessoal foi sensivelmente um ano e meio de um verdadeiro banho de mundo, movimentando-me por várias realidades dentro da própria realidade destes países (cada um deles riquíssimo na sua diversidade), saboreando vários universos sociais, culturais, históricos, artísticos que decididamente me marcaram e me fizeram evoluir enquanto pessoa, rasgando o dogma da viagem de trabalho e atirando-o ao vento em mil pedaços, que se vão consubstanciando em pequenos passos em frente…por vezes grandes passos, que resistem como uma ponte para o futuro por contraponto aos rios revoltos do passado. Reconheço que é por vezes uma ponte de geometria variável 🙂 mas, passo a passo, a caminhada vai-se transformando em horizonte palpável.

Tornei-me um cidadão do mundo, pois apenas o mundo preenche a minha vontade de crescer e de o descobrir, sem dúvida com muitas mais viagens para fazer. Mas agora, sinto-me em paz, resguardado num espaço mais próximo, onde posso planear ideias para um futuro mais ou menos distante, com apenas uma certeza: somos o que escolhemos evoluir. Evoluímos na medida do que desejamos ser.

Crédito da imagem: Paulo Heleno

Omnia in micro – 9

Sobre um azul que nunca vira, num verde que nunca sentira, deitou-se junto ao abrigo de montanha abandonado, naquele planalto dos Pirinéus. Ali, acima dos 2500 m de altitude, havia um silêncio que nunca conseguiu encontrar em si mesmo…emergia dos pequenos fios de água que plantavam a terra, ou dos badalos das vacas que pastavam, tomando conta de si, fazendo-o encostar a cabeça à parede do abrigo, simplesmente contemplando a montanha em frente, erguendo-se no céu.

Não ficou. Mas ficou de um dia voltar…dois anos depois, no final de um dia de trabalho, puxou a si o caderno dessa viagem, e logo lhe surgiu a frase de Muir:

“The mountains are calling and I must go”.

Outono

Ao contrário da maioria das pessoas, não me sinto cair numa tristeza algo anunciada na transição para o outono. Se o verão normalmente significa calor, o desfrute dos dias de luminosidade intensa que nos abre ao azul do mar, banhando a nossa praia interior; o outono traz-nos uma palete de cores que nos alimenta a alma pelas longas caminhadas em que o vermelho e o amarelo sobressaem num céu mais ou menos azul, mas sempre enquadrando esta tão invulgar palete.  Se no verão desfruto da energia positiva que me rodeia, e que emerge de um extravasar de energia de um certo libertar interior, o outono traz-me, por contraponto de equilíbrio, o recolhimento e a contemplação introspetiva da natureza por entre finais de tarde envoltos em tons dourados, por vezes entre os meus livros, apreciando de forma mais tranquila locais que no verão são literalmente inacessíveis dado ao volume de pessoas que os visitam ou frequentam. É igualmente a altura de me perder um pouco na montanha, ou nas praias que, já vazias, continuam a chamar quem nelas sempre se renova…

Bem-vindo Outono. Obrigado pela tua companhia sempre amiga.

Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação.

Summer’s (almost) gone

Para aqueles que abdicam da praia, por estar nublado…

Ao caminhar pelo areal, num dia em que o cinzento escuro das nuvens por vezes se recorta em pedaços de céu azul, reparem em como a cor do mar muda, de um prateado intenso, para um azul esverdeado que se apresenta tão vivido quanto mais intensa for a luz. É algo para se ir apreciando pela caminhada, por entre a luz do que nos rodeia e, por vezes as nossas sombras.

Vale a pena ver como a natureza, nos momentos que pensamos menos oportunos ou agradáveis, se revela um tão fiel espelho de nós.

PS – Deixe o telemóvel junto dos seus. Desfrute o momento.