Omnia in micro – 4

Nas férias sentia, claro, paz. Trazida pelo sol quente ou pela neblina mística, que surgiam na praia…uma aparente dicotomia, unida por extremos, mas gerando sempre harmonia, e nela, consubstanciando-se essa paz. Igualmente o descanso, ou a dedicação aos seus projetos particulares, formavam uma nova dicotomia, mais mental, herdando essa paz, irradiada da alma…mas foi ao cuidar do seu bonsai, da terra e da sua rega, que sentiu as férias como o regresso a um estado puro em si mesmo…compreendeu então que a vida nada mais é do que o caminhar do essencial, para o essencial, deixando-se fluir por vários níveis da nossa existência, sem partir e sem chegar. E esse, no âmago das rotinas diárias, é o verdadeiro Caminho do Meio, individual, de cada um.

Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação.

O meu dia agridoce

Há sempre no espaço, uma relatividade nas emoções…da Tailândia veio o calor humano que me enterneceu o coração. Da minha rua, um ameaço de incêndio no meu prédio fez-me vacilar de receio. Pelo meio, o tempo perde o sentido e tudo se mistura na humanidade de sermos seres que sempre caminharam, e caminham, num mundo fluído, por entre o dia ou a noite, a alegria ou a tristeza, a lágrima ou o riso. Um Yin Yan eterno em nós se movimenta em equilíbrio, apesar de muitas vezes cedermos um pouco mais ao lado pesado da energia que nos rodeia.

Mas ainda assim, no final do dia, quando o trabalho se esvai na última luminosidade de um verão envergonhado, o efeito do pequeno susto se vai perdendo, e a a saúde do momento já vai pedindo férias, é mesmo da Tailândia que vem um pensamento de paz, na certeza que todas aquelas crianças, e o seu treinador, já se encontram abraçados pela luz do dia…e assim deito a cabeça, respirando bem fundo, e deixando a alma esboçar-me um pequeno sorriso na face. Talvez fosse mais fácil carregar já o amanhã com uma qualquer carga negativa, de um qualquer assunto complicado. Mas hoje, só por hoje, tudo se resolveu, e no momento, neste momento, sorrio e tenho esperança dentro de mim. Uma esperança que vai bem fundo, bem para lá das rotinas dos dias…mais do que me fazer sentir bem, fez-me acreditar em todos nós…na humanidade, em mim, em ti. Num mundo melhor. Porque simplesmente não faz sentido sentir-me bem, sem acreditar, e trabalhar, para todos e com todos, para um mundo melhor. Por entre a rotina dos dias. Na via do Caminho do Meio. No horizonte das dez mil coisas.

E muito obrigado a todos pelas vossas mensagens. Foi apenas o susto, tudo está bem 🙂

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