Uma história de Natal…

Quando me levantei no dia de Natal, esta foi a história que vi, mal liguei a televisão. A bordo de um barco de refugiados, em pleno Mediterrâneo, e depois da entrada ter sido vedada nos portos italianos, os refugiados que iam a bordo, e muito especialmente as crianças, tiveram uma festa natalícia plena de sorrisos, levada a cabo com o esforço dos voluntários a bordo, que não se pouparam para criar um ambiente que, por alguns momentos, fizesse esquecer todas as agruras vividas por estas pessoas. Há mesmo um fundo de verdade quando se diz que a história, ou por vezes alguns dos seus aspetos, repetem-se…no exercício intemporal da exploração dos povos pelo interesse de alguns, sobressaem em cada época os pequenos grandes exemplos de libertação que nos indicam um rumo, um horizonte, em tempos mais incertos. Algo que não se encontra nos livros, mas no coração de cada um de nós, despertando sempre na simplicidade das pequenas grandes coisas, como a alegria das crianças.

Tive uma noite de Natal calma e agradável, assim como o dia. Mas ao assistir a estes momentos, confesso que senti-me flutuar até uma dimensão diferente…e por lá vou ficando…

Crédito da imagem: SIC

Halloween

Ainda hoje referi numa rede social aqui ao lado que não sou grande adepto do Halloween. De facto não o sou, e faz-me impressão todo o marketing associado a esta época, que de forma vazia atinge os adultos. Mas gosto de ver os pequenitos com as suas fatiotas e a sua inocência (é também o que aprecio mais no carnaval). Mas o meu Ser já se sente atraído pelo que está na raiz do Halloween,  para lá da aculturação americana que sofreu, ou da matriz religiosa que lhe começou a dar alguma identidade moderna, nomeadamente a temática das bruxas. Para lá de tudo isto, nos tempos idos dos antigos povos celtas da era do paganismo, celebravam-se as colheitas com alegria e respeito pelas forças naturais, com uma emanação da essência feminina da vida. Isso aproxima-se muito da forma como vejo esta altura do ano, uma altura de celebração da vida que se renova, numa atmosfera especial de reconexão que me infunde profunda paz, como já tenho deixado transparecer em posts anteriores. O facto de nesta época se lidar muito com bolos também é especialmente cativante, diga-se em abono da verdade.

Adoro os Peanuts. Desde criança que o episódio especial de Halloween é um dos meus momentos preferidos em televisão, nunca perdendo as recorrentes repetições anuais. E assim, em homenagem a todos os pequenitos que vivem esta época de uma forma especial (e porque a minha criança interior também assim o pede), fica aqui a imagem do Linus, esperando ansiosamente pela Grande Abóbora. Que todos possamos, na época de transição conturbada em que vivemos, saber esperar pela Grande Abóbora com os pequenitos, libertando as muitas crianças interiores aprisionadas que por mim passam na rua. E ao mesmo tempo, celebrar a renovação da vida, imersos num dos cenários mais bonitos (o outono) que a natureza nos oferece.

Crédito da imagem: Peanuts

Buddy

Andava um pouco afastado do Blues. Não sei explicar muito bem porquê, mas em mim sentia uma necessidade de me afastar um pouco deste estilo de música. Havia algo no seu sentir que me fazia sentir preso num lamento enquanto verdadeiramente algo se alegra em mim…mas hoje, no decorrer de um dia cansativo na estrada, passou na Smooth FM este Five Long Years, um dos meus preferidos, na minha versão preferida, a de Buddy Guy…O que sinto no Jazz com Miles, sinto no Blues com os acordes de Buddy, a predestinação do exaltar do sentimento humano.

E de repente…algo se transformou…tinha-me esquecido que poucos estilos como o Blues exultam, através do seu lamento, por vezes intenso, o nosso libertar interior.

Foi o Blues certo. Na hora certa. No infinito certo.

Crédito do vídeo: BMG Rights Management

AI

A vida é feita de pequenos despertares. Cirúrgicos, eles chegam por vezes quando no sono saudamos a madrugada, ou no anoitecer desejamos a manhã. São silenciosos, por vezes impercetíveis. Mas no caminhar da vida, olhando para trás, podemos olhar para eles com um misto de alegria e paz, sorriso e gratidão, pelas experiências que deles obtemos no nosso viver.

Há cerca de duas semanas acordei especialmente motivado. De uma noite bem dormida nasceu a ideia de, dentro da minha esfera profissional, começar a abraçar as temáticas da Inteligência Artificial, do Machine Learning e do Deep Learning. Talvez possa parecer um cenário ridículo mas foi realmente assim que aconteceu, isto apesar de a ideia já me rondar há algum tempo, mais precisamente desde que comecei a sentir, com profunda acuidade, de que algo novo, em termos profissionais, deveria nascer em mim; isto apesar da minha ocupação atual. E bem vistas todas as situações, penso que será inevitável que os Sistemas Integrados de Gestão, independentemente do seu dimensionamento, caminhem para uma relação estruturalmente umbilical com, mais do que uma nova tecnologia, uma nova forma de encarar o trabalho, a sociedade, e o homem. Penso que a sua integração em novas visões multidisciplinares da empresa e da realidade sócio-económica contextual que a rodeia, definirá todo o nosso futuro. Depende de nós a forma como com ela lidamos, e depende nós a forma como ela se relacionará com o mundo onde nasce. Ainda assim, apesar de tudo, e numa visão futura, confesso que algumas dúvidas subsistem em mim sobre a forma como uma sociedade eminentemente tecnológica, lidará com a realidade filosófica deste momento, no momentâneo da humanidade face ao tempo…e quem bem me conhece sabe que neste pensamento, reside uma das raízes da minha motivação.

E explica-se assim o meu silêncio das últimas semanas. Porque quando inicio algo novo, são intensos os tempos dentro de mim, que me tornam num vazio intemporal que tudo absorve, num ideal utópico de saciedade que motiva sempre a aprendizagem real e diária.

Crédito da imagem: Hackernoon