Dias de cansaço

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Crédito: Brasil247

Estas têm sido semanas de trabalho intenso, onde nos poucos momentos de descanso (incluindo um sono atribulado), tenho caminhado entre o cansaço e a exaustão. Pelo meio, especialmente nas duas últimas semanas, uma dor bastante forte num implante dentário que coloquei em substituição de outro…infelizmente a minha agenda não me permite ver esta questão como deve ser nas próximas duas semanas, e vou fazendo antibiótico e anti-inflamatório…mas as dores perturbam-me, principalmente no meu descanso, que se vai resumindo durante a semana a uns passeios muito agradáveis em Aveiro, depois do jantar, e a ler Pessoa e Tolentino Mendonça, por entre as minhas indispensáveis listas de músicas. Tem-me agradado muito a erupção interior que os dois livros (o Livro do Desassossego e o Elogio da Sede) provocam…cada um à sua maneira, por entre tempestades e fortes brisas marítimas, são livros impermanentes que nos movem para a frente no fino equilíbrio da natureza humana. E claro, as minhas ações de voluntariado, que têm contribuído na essência da partilha para a minha sanidade.

No fim de semana, entrego-me ao silêncio (na maior parte dele). Já sabe bem o som da chuva lá fora a ecoar perante um golo de chá quente e uma manta bastante confortável…ocasionalmente vou-me colocando a par das novidades, e muito haverá para escrever assim que o tempo permita, assim como para gravar o próximo episódio do Podcast, sobre voluntariado…também ocasionalmente vou reencontrando Amigos de outrora que no futuro sempre se perfilam, em encontros muito agradáveis.

Mas, por agora, é altura de descansar, aproveitando esta benção em forma de fim de semana prolongado.

Semana longa

Com o intensificar do trabalho, e a ter que aproveitar parte das noites para o meu mini-MBA em Gestão de Serviços, o tempo não tem sido muito para escrever…ou ler, apesar de não conseguir acabar o dia sem aqui deixar o meu pequeno momento de partilha. O tempo escasseia, mas ainda assim, apesar de não ser muito, há sempre lugar para a frescura do novo que sempre se renova em novas ideias…tudo vai estando preparado para a segunda série de episódios do podcast, em muitos aspetos uma evolução da primeira, e que se irá iniciar com a temática dos cuidadores informais, algo que já vivi um pouco na minha vida, e uma causa que aprecio particularmente. Enquanto isso, no dia-a-dia, resta-me algum tempo a seguir ao almoço e ao jantar para ver o que se passa na minha conta do Twitter, ler um pouco, ver televisão…por vezes dormir. Apenas a música me acompanha durante todo o dia, trazendo uma muito doce sensação de equilíbrio ao trabalho, dando-lhe por vezes um muito necessário colorido e vivacidade, naqueles 5 minutos tão necessários para desfrutar uma melodia, saborear uma letra…por vezes até dançar. No meio de tudo isto, só as dores no corpo não ajudam, especialmente nestas estações de transição…por entre o calor que se faz frio e que em calor nos torna a aquecer, o corpo sente-se um pouco, principalmente as costas, um pouco afetadas pelo acidente que sofri o ano passado. Mas o caminho faz-se caminhando…

Os bocadinhos dos dias vão sendo assim cada vez mais importantes, pontos cada vez mais focais de serenidade…por entre a dinâmica ensurdecedora dos homens vai brilhando o meu pequeno silêncio, trilhando um caminho de paz por entre horizontes que despontam na bruma, de forma mais ou menos espontânea…a felicidade não está em usufruir de tudo o que nos é dado, de uma forma indiferenciada…ela está na escolha plena de sabedoria e gratidão do horizonte onde vislumbramos um pouco mais da nossa felicidade.

 

Ainda mais férias…

Confesso que não me lembro de chegar a um período de férias com um grau de exaustão tão grande como este. Sim, eu sei…é algo que digo frequentemente (porque frequentemente chego exausto às férias). E sim, como alguns dizem, talvez seja a velhice. Mas desta vez o cansaço é mesmo extremo, quase que chegando ao fundo dos ossos, bem fundo na alma…é preciso mesmo parar. Mas, ainda assim, fecho os olhos e respiro fundo…e na harmonia da respiração já hoje senti a mente andar por aí, numa muito agradável viagem de final de tarde…vem aí a praia (espero), o estar com os amigos, o ler…o desfrutar de alguns finais de tarde ao ritmo do nada e o saborear de música…muita música. Vêm aí mais fotografias no Behance, mais podcasts (com a nova série a iniciar-se para a semana com novidades decorrentes das lições aprendidas), mais escrita…em suma, mais eu, mais paz…mais pensar no futuro.

Os barbeiros

De tempos a tempos, tenho o grato prazer de visitar o meu barbeiro, o sr. João. Nesse dia, sentar-me na barbearia à espera é para mim um repouso, uma forma de parar, na vida e no tempo. É um local de histórias, passadas e presentes…algumas surpreendentemente futuras, assentes na experiência de vida de quem as conta, normalmente envolta numa sabedoria invulgar por estes dias. Não o estranho, pois ali ainda se vive a época do saber sem lugar. E enquanto por vezes no meio dessas histórias irrompe o futebol ou a política, em discussões por vezes quentes, eu, que não sou um saudosista, encanto-me no respirar silencioso de tempos mais simples, consubstanciados na atmosfera, nos objetos da arte, ou no pequeno relógio que marca o cenário num saudoso tic-tac e onde o sr. João se harmoniza por completo. Tenho dele a imagem que tenho de todos os barbeiros, pois em todos eles a senti…de alguém que ouve e fala com a paciência dos tempos sem tempo, estando sempre lá, sabendo que será encontrado por quem vai ao seu encontro…no seu estar, e no partilhar do mesmo com os seus clientes mais habituais, o tempo vai-se tornando mais certo, em sintonia plena com o relógio, tornando deliciosamente normais as conversas…e isso faz-me sentir vivo, por entre um corte de cabelo ou um aparar de bigode…saio sempre de lá a compreender melhor o outro…algures em Leiria, numa qualquer barbearia antiga, há uma liberdade que em mais lado nenhum existe, e que se degrada na justificação do tempo…

Os barbeiros ainda vão sendo uns dos guardiões da nossa paz. Que assim continuem.

Crédito da imagem: João Pires

Praia em férias II

A costa da zona centro tem estas coisas. Dias muito bonitos de sol e calor, ou uma invasão de ar marítimo, que baixa às temperaturas e afasta o sol. Mas ainda assim é uma ótima viagem a partir de Leiria, por entre uma natureza que se vai regenerando depois da tragédia do ano passado…por entre os pinheiros ainda queimados, há toda uma cor que vai nascendo do cinzento da terra e que, por entre verde, amarelo e lilás, nos deixa uma sensação de paz, na lição da terra que se regenera…depois, um café bem quente e um pequeno passeio junto ao mar, porque nestas manhãs mais fechadas existe sempre um encantamento especial, uma sensação de calma profunda, de se ter cruzado uma linha, uma dimensão…é algo que vulgarmente sinto nos meus passeios marítimos, mas que se intensifica profundamente nestes dias. Depois o regresso…certamente todo este cenário abrirá durante a hora de almoço, ou um pouco para lá dessa hora, mas com um calor que torna desconfortável a viagem, e mesmo qualquer tipo de passeio marítimo, pois sempre fui um pouco antagonista de temperaturas mais elevadas. Para já não falar na praia repleta de gente.

Muito provavelmente amanhã terei o mesmo cenário…e muito provavelmente a rotina será a mesma, tirando o facto de que tenho de comprar terra para o meu bonsai. É também um bom dia para partilhar alguns momentos de maior paz com um companheiro de folhas e raízes, sempre presente…

Crédito da imagem: Paulo Heleno