É estranho…

Antes do jantar estive a fazer algumas recomendações na LinkedIn. Sou sempre um pouco cético em relação a esta rede, que é sempre utilizada com muito marketing associado, pessoal e organizacional. Ainda assim, gosto de nela ter a imagem que tenho nas outras redes…a minha. De autenticidade e veracidade em todo o meu estar, ser e sentir online. Por isso escolhi bem as pessoas que no meu entender mais mereciam essas recomendações, e escrevi da forma como gosto de escrever (quem me conhece sabe que eu sou muito mau a resumir coisas, e escrevo um pouco com o coração. Bom…aqui também é o caso).

Fiquei realmente surpreendido com as respostas e os agradecimentos. Às vezes sinto que as pessoas apenas querem algum carinho…serem ouvidas, serem estimadas…algo que cada vez mais está ausente do normal desenrolar dos dias (e principalmente do desenrolar das dinâmicas de relacionamento nas organizações). Parece-lhes algo estranho que alguém fale de uma forma sentida e positiva sobre os seus trabalhos, como se tal fosse algo fosse expressão de uma qualquer diferente dimensão. Acaba por ser um sinal do quanto as expetativas em relação à forma como nos relacionamos nas organizações é baixa, e o quanto essa expetativa é o alfa e o ómega de uma postura mais defensiva, até mesmo no simples ato de mostrar as pessoas algum tipo de sentimentos genuínos por vitórias ou derrotas. É algo que procuro contrariar na minha postura profissional. Acredito que mesmo nestas situações, estamos a falar de relacionamentos que têm um pouco de pessoal…afinal, uma organização é também uma comunidade de pessoas. Não faz mal deixarmos também que exista uma expressão da nossa naturalidade nestes atos. Sem, contudo, deixarmos de estar alerta para pessoas e ações menos bem intencionadas, nocivas mas toleradas (e por vezes estimuladas) nas organizações.

A vida é simples. Não há necessidade de complicar.

Porquê um mini-MBA em Gestão de Serviços

Já tinha referido há algum tempo que me tinha inscrito num mini-MBA de Gestão de Serviços. Nas vésperas do início desta caminhada, partilho aqui algumas das razões que me levam a retomar os meus estudos nesta área. Aliás, durante todo o curso tentarei colocar alguns posts, à luz da aprendizagem que vou fazendo. É uma boa forma de sistematizar ideias sobre o que vou aprendendo. Desde já quero deixar bem claro que as ideias expostas nestes artigos correspondem às minhas ideias pessoais sobre estes temas, não vinculadas à empresa que represento.

Depois de em 2011 (após o meu percurso académico na área da Gestão de Empresas, e empresarial numa pequena PME do setor da transformação de plásticos) ter tirado a minha PG sobre Lean Management, que já incluía um pequeno módulo de Serviços, comecei quase imediatamente a trabalhar no ramo da consultoria. Primeiro como júnior, na área da Business Intelligence, e depois como júnior e sénior na área dos ERP’s, cedo me apercebi de um setor com um forte ímpeto inovador, com as software houses a encurtar cada vez mais os seus ciclos internos de inovação, e a promover metodologias de implementação cada vez mais diversas e mais curtas junto dos clientes finais. Para as consultorias representantes, isto traduz-se na necessidade de criação e adaptação de processos dentro de frameworks sempre flexíveis, adaptáveis às tipologias de cliente encontradas. Por outro lado, a preponderância cada vez maior do conceito de Voice of Customer (VOC) faz com que esses frameworks e respetivos processos não apenas devam estar de alguma forma ligados às metodologias das software houses, mas, igualmente, devem integrar essa mesma voz do cliente em forma de feedback contínuo de inovação, algo que se deve propagar à própria estrutura e funcionamento internos, numa lógica integrada e dinâmica de PDCA, com tempos progressivamente curtos de intervenção estruturada nos processos. Esta é, na prática,  uma situação transversal… desde as pré-vendas ao serviço pós-venda, com as atividades comerciais por um lado, e de suporte por outro a exigirem processos cada vez mais sistematizados. Dentro desta ótica, ter a capacidade de medir qualitativamente e quantitativamente o processo ou as suas unidades estruturais é fundamental. Por fim, é fundamental o envolvimento de todo este ecossistema na dimensão humana da organização. A forma de recrutamento em RH, o estabelecimento da liderança e da gestão de acordo com a visão e missão da organização (por um lado) e estrutura organizacional por outro, é algo cada vez mais importante na organização moderna. Saber distribuir os líderes e os gestores nos lugares certos, é um enorme desafio.

E é por tudo isto que decidi fazer este mini-MBA. Depois de 5 anos de experiência como consultor funcional, nesta área de serviços, vou começando a assumir tarefas de mais alguma responsabilidade, nomeadamente na área do suporte a cliente. E assim, torna-se, mais que necessário, extraordinariamente motivante e desafiador  aprofundar de forma especializada o aprendido anteriormente, para que possa trazer um valor acrescentado à visão definida acima, em linha com o meu desempenho profissional.

O desafio está lançado. É tempo de começar.

Gestão de serviços

Na vida tudo evolui. Seja em termos pessoais, seja em termos mais profissionais, novos desafios rapidamente nos envolvem, num horizonte potencial de novo conhecimento e novos caminhos. Especialmente em termos profissionais, a metodologia, o processo e a eficiência dos resultados é algo cada vez mais inerente à voz do cliente, que cada vez mais ecoa dentro da organização, qualquer organização, levando-nos a novos desafios. Por isso, e como estou no setor de serviços há cerca de 4,5 anos (farei 5 anos em Fevereiro de 2019), decidi propor-me a mim mesmo o desafio de completar o mini-MBA de Lean Service Management, proporcionado pela Comunidade Lean Thinking, onde também fiz a minha Pós-Graduação, também na filosofia Lean. É uma forma de dizer que quero mais, que quero ir mais longe no trabalho que faço, deixando o meu Ser conduzir a minha vontade, potenciando ainda mais o trabalho de coordenação que desempenho. Juntamente com o início do caminho em Inteligência Artificial, vou marcando o ritmo da minha caminhada, definindo os horizontes que dela pretendo.

AI

A vida é feita de pequenos despertares. Cirúrgicos, eles chegam por vezes quando no sono saudamos a madrugada, ou no anoitecer desejamos a manhã. São silenciosos, por vezes impercetíveis. Mas no caminhar da vida, olhando para trás, podemos olhar para eles com um misto de alegria e paz, sorriso e gratidão, pelas experiências que deles obtemos no nosso viver.

Há cerca de duas semanas acordei especialmente motivado. De uma noite bem dormida nasceu a ideia de, dentro da minha esfera profissional, começar a abraçar as temáticas da Inteligência Artificial, do Machine Learning e do Deep Learning. Talvez possa parecer um cenário ridículo mas foi realmente assim que aconteceu, isto apesar de a ideia já me rondar há algum tempo, mais precisamente desde que comecei a sentir, com profunda acuidade, de que algo novo, em termos profissionais, deveria nascer em mim; isto apesar da minha ocupação atual. E bem vistas todas as situações, penso que será inevitável que os Sistemas Integrados de Gestão, independentemente do seu dimensionamento, caminhem para uma relação estruturalmente umbilical com, mais do que uma nova tecnologia, uma nova forma de encarar o trabalho, a sociedade, e o homem. Penso que a sua integração em novas visões multidisciplinares da empresa e da realidade sócio-económica contextual que a rodeia, definirá todo o nosso futuro. Depende de nós a forma como com ela lidamos, e depende nós a forma como ela se relacionará com o mundo onde nasce. Ainda assim, apesar de tudo, e numa visão futura, confesso que algumas dúvidas subsistem em mim sobre a forma como uma sociedade eminentemente tecnológica, lidará com a realidade filosófica deste momento, no momentâneo da humanidade face ao tempo…e quem bem me conhece sabe que neste pensamento, reside uma das raízes da minha motivação.

E explica-se assim o meu silêncio das últimas semanas. Porque quando inicio algo novo, são intensos os tempos dentro de mim, que me tornam num vazio intemporal que tudo absorve, num ideal utópico de saciedade que motiva sempre a aprendizagem real e diária.

Crédito da imagem: Hackernoon