LinkedIn – Uma visão pessoal

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Crédito: Luca Onniboni via Unsplash

Não foi fácil escolher o tema deste primeiro artigo. Mas apesar do leque muito interessante de propostas, decidi começar por algo…mais simples. Qual o meu posicionamento na LinkedIn? Deixo algumas breves ideias sobre o tema, assentes na minha experiência de utilização, e numa lógica aberta e de partilha que pretende ser também uma apresentação do que esperar nestes artigos. Vamos então a isto.

O perfil e a página corporativa

Na LinkedIn, o perfil é uma janela para a comunidade. Nele se ilustra a caminhada profissional de cada um por via da experiência e competências adquiridas, bem como a forma de relacionamento em contexto mais profissional, ambos definindo um posicionamento individual. De igual forma, as organizações possuem páginas corporativas, sendo igualmente uma montra do posicionamento pretendido no mercado. As duas estruturas podem, a meu ver, existir, mantendo as respetivas características e buscando uma sinergia consubstanciada numa forte relação Win-Win entre colaboradores e organizações, baseada no alinhamento entre employee e employer branding como foco de melhoria contínua mútua, potenciando o sentido de propósito e gestão de carreira dos colaboradores, bem como uma solidez acrescida na mensagem corporativa.

Pessoal Vs Profissional

Se pessoas existem que defendem a exclusão de temas pessoais (como hobbies ou experiências de vida) na LinkedIn, outras defendem o oposto. Confesso que prefiro a segunda visão. Uma comunidade profissional é, antes de mais, uma comunidade de pessoas, e as suas dinâmicas devem ter os seus fundamentos na relação humana, potenciando o relacionamento profissional. É um pressuposto que vai norteando a moderna visão do ambiente organizacional, sendo o mesmo válido para este ambiente de rede, fazendo com que uma partilha ocasionalmente mais descentrada do foco profissional, dentro dos limites do que se entende partilhar, contribua para um networking mais completo. Ainda assim, a caracterização mais profissional desta rede convida a que não se entenda a mesma como passível de utilização similar a Facebook ou Instagram. Os objetivos de cada uma são diferentes, nada se ganhando com uma atitude relativista face à essência mais corporativa da LinkedIn.

Generalização Vs. Focus

Dependendo de como se encara a atividade profissional, existem várias formas de utilização da LinkedIn. Se alguns se focam na sua atividade, e em temáticas próximas, outros existem com uma visão genérica, sentindo que o que fazem é uma peça de uma engrenagem interdependente na organização, sendo relevante o conhecimento transversal dessa interdependência, desde a dinâmica operacional à dinâmica humana. Acredito nesta visão, não apenas implementando-a na minha rede de contactos, mas igualmente partilhando publicações e artigos não apenas sobre temáticas específicas da minha atividade, ou sobre a organização a que no presente me encontro ligado, mas igualmente com enfoque na interdependência atrás referida, na ótica da inovação e melhoria contínua. Da mesma forma, e porque esta dinâmica não se inicia ou termina dentro das organizações, não isolo estas da influência que a envolvente nelas exerce, ou na forma como as organizações podem agir nessa envolvente, algo cada vez mais valorizado pelos colaboradores na busca de um propósito para a sua atividade, bem como pelos consumidores, na hora da escolha, não apenas de um produto, mas igualmente dos valores com que desejam ser identificados.

Relevância e qualidade dos conteúdos

Entendo que todos os conteúdos devem ser integralmente lidos antes de serem partilhados, buscando uma ideia real da sua qualidade, e do potencial impacto na rede de contactos. Vivemos no primado da informação, sendo a obtenção da mesma uma prioridade de profissionais de diversas áreas que desejam obter a maior qualidade com uma eficiente utilização do tempo disponível. A existência da perceção de que tal é conseguido numa página ou num perfil é, em minha opinião, umas das mais fortes conexões entre o emissor de conteúdos (de autoria própria ou partilhados), e o recetor dos mesmos.

Respeito pelas opiniões

Ao colocar um conteúdo, as respostas ao mesmo podem ser mais ou menos visíveis, elaboradas ou intensas. Em qualquer dos casos podem existir opiniões diferentes, expressas de forma mais ou menos contundente. Antes de responder, acho sempre importante, até como forma de respeitar o interlocutor, tentar perceber os fundamentos da tese apresentada. As opiniões podem ser diferentes, mas isso não impede que não possam ser uma fonte rica de aprendizagem de novas visões, um foco de valorização pessoal. Quando respondo, tento que a pessoa tenha igualmente esta noção, na perspetiva de criar um saudável canal de comunicação.

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Crédito da imagem: Search Engine Journal

Há já algum tempo que decidi preparar alguns artigos para a LinkedIn. É um passo algo ousado, uma vez que é um tipo de escrita que sai fora do meu registo normal, mas também porque a LinkedIn tem uma atmosfera sempre algo formatada…se a segunda situação é fácil de resolver (não tenciono seguir qualquer tipo de formatação), o primeiro é um pouco mais complexo, reforçando-se com a pergunta imediata que me surgiu na mente…devo também falar de atividades pessoais?

As motivações de cada um para participar numa comunidade como a LinkedIn podem ser muitas… no meu caso, valorizo a partilha de conhecimento, e os relacionamentos que daí se criam. Mas outros, de outras pessoas, podem passar por exemplo pela atividade comercial, contactos de mais alto nível, exposição de trabalhos, entre outros. Apesar disso, existe sempre uma abertura à partilha de atividades mais pessoais, quanto mais não seja pelo simples facto de, por muito que se goste do que fazemos,  a nossa mente ser recetiva à quebra da rotina, o que ajuda muitas vezes a estabelecer ou a fortalecer as relações em rede. Pode ou não originar relacionamentos de natureza profissional, mas certamente facilita os contactos com uma atmosfera positiva de sermos surpreendidos por pessoas como nós que fazem as mesmas coisas que nós, levando assim a uma certa quebra da rotina dos dias, muitas vezes um pouco submergida numa certa “esterilização” que existe sobre as dinâmicas internas das organizações, muito motivada pela emergência de uma cultura da imagem. Por vezes, é aquele algo que se torna o facto interessante do dia, o pequeno gatilho que nos fez pensar um pouco em nós no meio de todo um ruído muito motivado por necessidades de imagem corporativa. E isto tem influência na produtividade de cada um, deixando-nos até um pouco melhor connosco.

Parto então com o pensamento de que o que somos também tem lugar no que queremos ser. Para além da vivência profissional, que norteia a maioria da informação que existe na LinkedIn, é importante despertar no outro o que ele é. E isto é feito cada vez mais contrariando a velha máxima de uma interdição quase natural de partilha das nossas atividades mais pessoais, não apenas como facilitador de contactos mas, acima de tudo, como catalisador de relações, deixando fluir a naturalidade da comunicação, sem a encerrar em compartimentos estanques. Por isso, lá estarão os meus artigos sobre liderança, processos (gestão e manutenção), cultura e transformação organizacional, economia circular, inovação, mindfulness…mas também, muito provavelmente, de caminhada, de Hiking, de fotografia, de escrita, entre outras coisas. As duas vertentes me definem e, por isso, nas duas vertentes lá estarei.

 

É estranho…

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Crédito: Codingular

Antes do jantar estive a fazer algumas recomendações na LinkedIn. Sou sempre um pouco cético em relação a esta rede, que é sempre utilizada com muito marketing associado, pessoal e organizacional. Ainda assim, gosto de nela ter a imagem que tenho nas outras redes…a minha. De autenticidade e veracidade em todo o meu estar, ser e sentir online. Por isso escolhi bem as pessoas que no meu entender mais mereciam essas recomendações, e escrevi da forma como gosto de escrever (quem me conhece sabe que eu sou muito mau a resumir coisas, e escrevo um pouco com o coração. Bom…aqui também é o caso).

Fiquei realmente surpreendido com as respostas e os agradecimentos. Às vezes sinto que as pessoas apenas querem algum carinho…serem ouvidas, serem estimadas…algo que cada vez mais está ausente do normal desenrolar dos dias (e principalmente do desenrolar das dinâmicas de relacionamento nas organizações). Parece-lhes algo estranho que alguém fale de uma forma sentida e positiva sobre os seus trabalhos, como se tal fosse algo fosse expressão de uma qualquer diferente dimensão. Acaba por ser um sinal do quanto as expetativas em relação à forma como nos relacionamos nas organizações é baixa, e o quanto essa expetativa é o alfa e o ómega de uma postura mais defensiva, até mesmo no simples ato de mostrar as pessoas algum tipo de sentimentos genuínos por vitórias ou derrotas. É algo que procuro contrariar na minha postura profissional. Acredito que mesmo nestas situações, estamos a falar de relacionamentos que têm um pouco de pessoal…afinal, uma organização é também uma comunidade de pessoas. Não faz mal deixarmos também que exista uma expressão da nossa naturalidade nestes atos. Sem, contudo, deixarmos de estar alerta para pessoas e ações menos bem intencionadas, nocivas mas toleradas (e por vezes estimuladas) nas organizações.

A vida é simples. Não há necessidade de complicar.

Porquê um mini-MBA em Gestão de Serviços

Já tinha referido há algum tempo que me tinha inscrito num mini-MBA de Gestão de Serviços. Nas vésperas do início desta caminhada, partilho aqui algumas das razões que me levam a retomar os meus estudos nesta área. Aliás, durante todo o curso tentarei colocar alguns posts, à luz da aprendizagem que vou fazendo. É uma boa forma de sistematizar ideias sobre o que vou aprendendo. Desde já quero deixar bem claro que as ideias expostas nestes artigos correspondem às minhas ideias pessoais sobre estes temas, não vinculadas à empresa que represento.

Depois de em 2011 (após o meu percurso académico na área da Gestão de Empresas, e empresarial numa pequena PME do setor da transformação de plásticos) ter tirado a minha PG sobre Lean Management, que já incluía um pequeno módulo de Serviços, comecei quase imediatamente a trabalhar no ramo da consultoria. Primeiro como júnior, na área da Business Intelligence, e depois como júnior e sénior na área dos ERP’s, cedo me apercebi de um setor com um forte ímpeto inovador, com as software houses a encurtar cada vez mais os seus ciclos internos de inovação, e a promover metodologias de implementação cada vez mais diversas e mais curtas junto dos clientes finais. Para as consultorias representantes, isto traduz-se na necessidade de criação e adaptação de processos dentro de frameworks sempre flexíveis, adaptáveis às tipologias de cliente encontradas. Por outro lado, a preponderância cada vez maior do conceito de Voice of Customer (VOC) faz com que esses frameworks e respetivos processos não apenas devam estar de alguma forma ligados às metodologias das software houses, mas, igualmente, devem integrar essa mesma voz do cliente em forma de feedback contínuo de inovação, algo que se deve propagar à própria estrutura e funcionamento internos, numa lógica integrada e dinâmica de PDCA, com tempos progressivamente curtos de intervenção estruturada nos processos. Esta é, na prática,  uma situação transversal… desde as pré-vendas ao serviço pós-venda, com as atividades comerciais por um lado, e de suporte por outro a exigirem processos cada vez mais sistematizados. Dentro desta ótica, ter a capacidade de medir qualitativamente e quantitativamente o processo ou as suas unidades estruturais é fundamental. Por fim, é fundamental o envolvimento de todo este ecossistema na dimensão humana da organização. A forma de recrutamento em RH, o estabelecimento da liderança e da gestão de acordo com a visão e missão da organização (por um lado) e estrutura organizacional por outro, é algo cada vez mais importante na organização moderna. Saber distribuir os líderes e os gestores nos lugares certos, é um enorme desafio.

E é por tudo isto que decidi fazer este mini-MBA. Depois de 5 anos de experiência como consultor funcional, nesta área de serviços, vou começando a assumir tarefas de mais alguma responsabilidade, nomeadamente na área do suporte a cliente. E assim, torna-se, mais que necessário, extraordinariamente motivante e desafiador  aprofundar de forma especializada o aprendido anteriormente, para que possa trazer um valor acrescentado à visão definida acima, em linha com o meu desempenho profissional.

O desafio está lançado. É tempo de começar.