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Silêncios paulistas

O silêncio em S. Paulo é um bem raro. Anda normalmente acompanhado da noite mas, na zona onde neste momento resido, o fim de semana é igualmente bastante calmo, e quer o começo, quer o final do dia, trazem momentos desse bem tão escasso. E assim, após uma semana bastante intensa, principalmente no seu final, acordei hoje como num estado de realidade suspensa, como se vivendo uma travagem brusca, colocando-me naquele pequeno momento de segundos em que nos perguntamos o que aconteceu. E à medida que descobrimos que hoje não há Ubers para apanhar às 07:15, o dia torna-se subitamente mais belo, mais relaxante…aquele mero segundo vai-se prolongando por boa parte da manhã. Sem grande resistência (diga-se).

Os silêncios paulistas são, de facto, tão intensos quanto a realidade da vida diária. Isso torna a minha vida quotidiana como que um cenário de navegação num mar agitado, em que a adrenalina das ondas dá, ciclicamente, lugar a um repouso que desperta a mente e o espírito, como nunca me acontece em Portugal. A leitura, a música, o simplesmente estar deitado na contemplação de uma mente tão próxima da anulação face ao horizonte do espírito…tudo ganha uma nova dimensão. E as decisões ficam mais nítidas, o que somos é nos temporariamente devolvido, e o que queremos ser, naturalmente acorda.

E olha longe. Muito longe…

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A outra S. Paulo

A aventura sempre vem ter comigo. Tem sido assim ao longo da minha vida, em momentos muito precisos, e sou muito grato por isso. De forma mais ou menos inesperada, surge sempre um momento no tempo que, nos momentos em que pára o tempo, leva o meu pensamento e o meu sentir mais longe, cortando as amarras do dia, e libertando as velas na noite…crescer é assim. Não tem tempo nem espaço. Apenas a nossa alma e coração abertos para as lições que surgem.

Antes de ontem, fiquei a conhecer uma S. Paulo que, muitos poucos profissionais da minha área, turistas ou gestores conhecem. Uma cidade muito diferente da cidade cosmopolita onde normalmente me movo, e onde imperam a segurança e o conforto. Devido a um erro no funcionamento da app para motoristas do Uber (raro por aqui, mas acontece), a minha normal viagem de 7,5 km, tornou-se num tour de cerca de 60 km por uma S. Paulo diferente, onde fiquei com a sensação de que a nova cidade vai nascendo alicerçada no esquecimento do que de si é mais velho, do que de si é mais pobre, num contraste que em algumas zonas é bastante gritante. Percebem-se um pouco mais muitas das razões para certas situações que acontecem no Brasil, e igualmente muitas das idiossincrasias do seu povo. Povo esse que, na sua maioria, assiste às grandes melhorias de longe, por entre problemas que vão muito para lá das dificuldades sociais de um país profundamente desigual, tocando por vezes a dignidade do viver.

Vou acabar por não pagar mais por isso (segue agora o processo de reaver a despesa). Mas acho que naquelas (quase) duas horas tornei-me uma pessoa um pouco melhor. Um profissional um pouco melhor. Por tudo isso, sou grato. Sinto-me honrado por ter aprendido com todas aquelas pessoas que apenas via através de uma janela de um carro…e para além disso, reforcei a minha ideia de que, para o bem de todos, todos podemos sempre ser um pouco mais. Um pouco melhores.

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Transatlântico

Depois de algum tempo ausente, é do Brasil que retomo a escrita, mais precisamente de S. Paulo. A segunda parte de uma estadia que teve o seu início, com interregno de alguns meses, em Setembro do ano passado. É sempre um prazer voltar, porque voltar implica voar, e porque voar implica paz. Por mais ou menos profissionais que sejam as viagens, elas sempre despertam o que de em nós dorme perante as rotinas dos dias. E para quem como eu gosta de aviões, a experiência começa logo no aeroporto de origem…os aeroportos são realmente a minha segunda casa.

Numa cidade como S.Paulo, talvez a única grande metrópole de dimensão verdadeiramente global no pequeno mundo português, também nunca me perco…por entre uma oferta cultural riquíssima e intensa, ou lugares muito interessantes de relaxamento e boa comida (todos em muita, e interessante quantidade), passando pelo convívio com novas gentes e novos costumes, existe verdadeiramente a sensação de se ser um cidadão do mundo, um viajante, não necessitando do glamour que tantas vezes se apregoa. E nos tempos que correm, em mim, essa é a definitiva paz.

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Causas

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Crédito: FOX

Fazer uma maratona de Ficheiros Secretos dá-me um enorme prazer. Porque aprecio a série e o tema. Mas acima de tudo porque, na ficção e na realidade aprecio alguém que luta por uma causa. Apenas lutar por uma causa…e se na ficção o semear do tema ainda garante a colheita de grandes histórias, na realidade pouco já existe, disperso na bruma densa dos objetivos.