Iker II

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Crédito da imagem: Paulo Heleno

Quando estive nos Pirinéus, há cerca de 3 anos, enfrentei a minha primeira tempestade de montanha. No grupo onde estava, sabíamos que ela poderia surgir durante a etapa, e, de facto, ela apareceu, sem qualquer aviso. Imediatamente começámos a correr, com o elemento mais experiente do grupo à frente, enquanto eu só olhava para o chão, tentando não cair. Após algum tempo, conseguimos um refúgio num pequeno abrigo natural, uma pequena cavidade onde mal cabíamos todos. De lá, observei uma trovoada tão intensa e maravilhosa quanto a tempestade que a envolvia, num espetáculo que durou pelo menos uma hora. Durante esses momentos, um dos elementos mais experientes do grupo perguntou-me muito curioso porque tinha baixado a cabeça, enquanto corria. Respondi que nem via por onde ia, só queria não cair e com todo o peso da mochila atrás, ao que ele me respondeu algo que nunca mais esqueci…”não o deves fazer…a montanha que te envolve na tempestade é a montanha que te oferece o abrigo…se não a olhares nos olhos, não o encontras.”

Passada essa hora, voltámos ao caminho, rumo ao refúgio dos Florestales (na imagem). Enquanto íamos caminhando, a neblina ia-nos perseguindo. Literalmente. Olhávamos para trás e via-se claramente uma massa nebulosa caminhando veloz no nosso encalço, percorrendo o chão e envolvendo o ar, tornando a visibilidade cada vez menor por onde passava. Chegámos ao refúgio não mais de 10 minutos antes de todo aquele local ser envolvido por toda essa neblina. E na simplicidade dessa estrutura, despida de qualquer artificialidade desnecessária (assim como o nosso pequeno abrigo anterior) esperámos, pacientes, por uma melhoria das condições atmosféricas (mais cerca de uma hora), antes de voltarmos ao trilho para uma das mais belas etapas daquele dia.

E tem sido assim que tenho caminhado perante as interrogações do artigo anterior. Quem já lá esteve sabe que a montanha nunca nos abandona.

Iguais na diferença

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Crédito: BBC

Apresentação do boletim meteorológico em prime time na BBC News. Iguais na diferença. Sem preconceitos.

Uma história de Natal…

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Crédito:SIC

Quando me levantei no dia de Natal, esta foi a história que vi, mal liguei a televisão. A bordo de um barco de refugiados, em pleno Mediterrâneo, e depois da entrada ter sido vedada nos portos italianos, os refugiados que iam a bordo, e muito especialmente as crianças, tiveram uma festa natalícia plena de sorrisos, levada a cabo com o esforço dos voluntários a bordo, que não se pouparam para criar um ambiente que, por alguns momentos, fizesse esquecer todas as agruras vividas por estas pessoas. Há mesmo um fundo de verdade quando se diz que a história, ou por vezes alguns dos seus aspetos, repetem-se…no exercício intemporal da exploração dos povos pelo interesse de alguns, sobressaem em cada época os pequenos grandes exemplos de libertação que nos indicam um rumo, um horizonte, em tempos mais incertos. Algo que não se encontra nos livros, mas no coração de cada um de nós, despertando sempre na simplicidade das pequenas grandes coisas, como a alegria das crianças.

Tive uma noite de Natal calma e agradável, assim como o dia. Mas ao assistir a estes momentos, confesso que senti-me flutuar até uma dimensão diferente…e por lá vou ficando…

Música do momento…

A minha preferida, de entre as canções de Natal. E sussurrada na viagem de autocarro expresso entre Lisboa e Leiria, que pela madrugada normalmente sucede os meus voos de regresso, tem um sabor muito especial.

Crédito do vídeo: Chris Rea

Simples…

A vida é simples. Simples no viver dos bons momentos, daqueles que não se partilham nas redes sociais, porque realmente não se têm de partilhar. Alimentam-se da energia do final dos dias, quando as pessoas ainda não desejam ir para casa, porque ainda existe uma busca a fazer. Em si, no próximo ou num qualquer local…não é muito relevante, até se sentir que se está no momento certo, com as pessoas certas, no lugar certo, e que toda essa vibração foi surgindo na semana, no tempo que simplesmente passa. E assim, por entre a confusão da cidade ou pelos caminhos que dela sai, conduzimos o nosso sentir até aquele ponto no espaço e no tempo onde apenas o essencial permanece num bom prato de deliciosas iguarias, e na conversa que se explana tão fresca e intensa como a imperial que está à tua frente, e que tu já não te lembravas de saborear com tanto prazer.

A vida é simples. É realmente muito simples…não interessa complicar.

Crédito da imagem: Schoolswork UK