Hóquei 2019

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Crédito: Record.pt

Soube ontem que Portugal tinha ganho o campeonato do mundo de hóquei em patins, que se realizou em Espanha. Fiquei muito contente. É uma modalidade que parece já estar um pouco no nosso sangue coletivo, por entre gerações, devido ao nosso passado glorioso na história da mesma, cedo lançando um caminho de sucesso no panorama mundial, que também cedo foi sendo abraçado pelo povo, dando-lhe um cunho muito popular. Numa ótica mais pessoal, confesso que por alguns momentos veio-me à memória a visão de umas férias em Porto Covo, há cerca de 30 anos, onde um grupo de jovens de Leiria assistia, numa das características tabernas do bonito povoado alentejano, a uma final internacional da modalidade, numa noite animada e de partilha com alguns locais…um episódio que me visitou na bruma do tempo, iluminado pelo sol de uma profunda satisfação.

Os meus mais sinceros parabéns a todos os intervenientes.

 

O gelo de Mogadouro

 

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Crédito: TSF

Não pretendendo ser um post extenso, devo dizer que esta foi uma semana em que se falou muito de alterações climáticas em Portugal…sem realmente se falar. Das areias na Costa da Caparica e o crescente domínio que o mar vai tendo sobre aquela zona, até à tempestade de granizo em Mogadouro, em pleno Julho, este foi um tema que pode ter estado no nosso subconsciente, mas  pouco ou nada emergiu que não a descrição dos eventos e das soluções conjunturais encontradas.

Numa realidade natural onde, no nosso âmbito regional, cada vez mais se vão sentindo os efeitos de fenómenos extremos, desde as tempestades (locais ou tropicais) aos incêndios florestais, passando por alterações bem visíveis no próprio clima, Portugal vai adiando um muito necessário debate interno sobre estas questões. Algo que, infelizmente, também assistimos no contexto europeu, onde a península ibérica, pelo facto de ser uma das zonas com maior desequilíbrio potencial, originado pelas alterações climáticas, não se assume como um dos pólos dinamizadores desta análise europeia. Certo é que até 2050, e com maior incidência no período posterior, Portugal pode sentir o impacto das alterações climáticas em setores de importância estratégica da economia, desde o turismo até à agricultura, florestas e pescas (bem como respetivas cadeias de abastecimento e unidades transformadoras associadas), para já não falar nos possíveis impactos nas populações motivados por uma progressiva desertificação da região sul do país e de alterações nos aglomerados costeiros.

Exige-se uma preparação estrutural, assente nos atuais modelos científicos sobre este tema e numa correspondente visão estrutural a prazo da sociedade e economia, seja no contexto nacional ou europeu. Este é, numa visão macro, também uma questão geracional. Os dados presentes apontam para que os nossos filhos e netos herdem um mundo, um continente europeu, e uma península ibérica, muito diferentes das atuais, mais exigentes nos desafios colocados aos seus habitantes. É inquestionável a responsabilidade das gerações anteriores no cenário que irão encontrar…mas essas mesmas gerações anteriores podem iniciar a preparação um futuro que será inevitavelmente de muitas mudanças, numa visão assente numa abordagem sustentada e de união face a este desafio, olhando o planeta de uma forma diferente, talvez mais interior, deixando emergir uma nova forma de buscar e viver a felicidade. Serão eles. os nossos filhos e netos a avaliar o nosso esforço perante as suas necessidades.

Amelia II

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação sobre o autor.

Passaram anteontem 82 anos sobre o desaparecimento de Amelia Earhart, naquele fatídico dia de 2 de Julho de 1937, numa altura em que sobrevoava o Oceano Pacífico Norte. Amelia, e o seu navegador Fred Noonan, realizavam uma tentativa de circum-navegação do globo, a bordo de um Lockeed Electra 10 E adaptado, tendo o contacto sido subitamente perdido após uma série de tentativas de estabelecimento do mesmo com as embarcações de apoio ao voo, na região da Papua-Nova Guiné. É um dos mistérios mais apaixonantes da aviação, sendo que recentemente, algumas novas evidências surgiram, fotográficas, parecendo mostrar a dupla poderia ter sido capturada por forças japonesas, falecendo em cativeiro. Na altura escrevi um pouco sobre isto, e o que me fazia sentir.

Amelia, de facto, era uma personagem notável. Desde cedo se revelou uma profunda entusiasta da aviação, adicionando-lhe um profundo sentido de aventura, lançando-se na vida, e na sua paixão, com um entusiasmo contagiante…para pagar as suas primeiras lições de voo, a jovem mas  já audaz Amelia foi fotógrafa, camionista e estenógrafa. E para se afirmar na atividade que tanto gostava, lutou muito contra uma opinião masculina que não via com bons olhos a ascenção de uma mulher absolutamente determinada em ser feliz. Era igualmente uma mulher profundamente apaixonada pela vida, tão romântica quanto aventureira, não se coibindo de mostrar os seus sentimentos de uma forma inocente, por entre a sua lendária teimosia e por vezes alguma obstinação. Foi um ícone da aventura, do feminismo, da emancipação, dos ideais fortes, que descobri através das histórias que o meu avô contava, quando ainda era criança. Desde aí, a “ligação” a Amelia é forte, tornando-se num ícone que também me ajudou a moldar enquanto pessoa, os meus desejos e as minhas ambições, uma vontade imensa de lutar e conquistar, mas, ao mesmo tempo viver, apaixonar-me pela vida. Se na minha vida tenho símbolos profundamente enraizados em mim, Amelia Earhart e o seu legado é um deles.

Há algumas semanas, enquanto pesquisava alguns livros nas estantes de uma livraria, para usar no meu voluntariado no Hospital de Leiria, deparei com um sobre a sua vida. Sentei-me, e li o livro por entre algumas lágrimas, sem qualquer dúvida em ficar com ele. É uma alegria muito grande partilhar um bocadinho da história da vida de Amelia com os mais pequenos…a  mim, enche-me o coração de profunda felicidade.

“No borders, just horizons – only freedom” A.E.

Quo vadis TV?

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Crédito da imagem: Miguel Baltazar

As coisas não vão bem na televisão em Portugal…desta feita, o anátema da desconfiança irrompeu ali para os lados da TVI…depois da confirmação da existência de provas periciais, que atestam a falsidade de alguns testemunhos relativos às reportagens sobre o caso das adoções fraudulentas pela IURD, surgiu agora no Twitter um vídeo com uma reação coletiva de vários pais face a uma reportagem da mesma estação, relativa a alegadas intimidades entre crianças de 3 e 4 anos, numa escola de Lisboa. No vídeo percebe-se de forma clara que o sentimento geral é de defesa da escola. Poderá eventualmente dar-se o benefício da dúvida, embora estejamos a falar de algumas dezenas de pais numa posição coletiva…ou estamos perante um grau de negligência que extravasa a escola, ou realmente poderá existir aqui mais uma polémica.

Existe uma razão para colocar esta fotografia, “televisionamente” inócua. É que, na minha visão, estamos perante um problema transversal, centrado na forma como as televisões inundam diariamente o quotidiano com o lado prático de estratégias centradas sensacionalismo, orientadas por um círculo vicioso entre conquista de share, para obter mais receitas de publicidade, que resultem em mais share. Pelo meio, esta dinâmica alimenta uma cultura baseada na aparência e no ilusório, cativando as pessoas numa sociedade como a portuguesa, onde os sonhos e as esperanças andam por vezes ao nível dos passeios… acresce a este facto que esta é uma estratégia que tem as redes sociais como um dos seus pilares, numa conjunção que não foi de toda feita no céu, como se constata pelo ambiente muito pouco celestial que tudo isto gera, numa base diária. Continuar a ler

Um olhar que nos guia

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Crédito da imagem: RTP

Há olhares que são eles mesmo a brisa que nos abre as janelas da alma e nos invadem de luz…e só precisam de existir.

Não desistas Matilde…nós não vamos desistir de ti.

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