A12

Esta tarde, no Twitter, gerou-se alguma troca de ideias sobre o acontecido ontem na A12. Por entre opiniões variadas, fiquei ainda mais convencido de que perante aquela situação, funcionou muito o inconsciente coletivo relativo ainda aos acontecimentos do verão do ano passado. Do que se foi falando, e da informação que fui vendo e ouvindo entre ontem e hoje, parece-me que sendo possível que os bombeiros tivessem a situação controlada, não contendo a mesma perigo efetivo, certo é que as pessoas não só não tiveram a informação apropriada, como igualmente não pareceu existir uma presença de autoridade que organizasse a situação (algumas pessoas afirmaram terem ligado para o 112, tendo sido aconselhadas a apresentar queixa às autoridades). Não me custa a aceitar que esta ausência despertasse uma sensação não apenas de medo, mas igualmente de ausência de confiança perante o que estava a ser feito, e que as manobras de inversão de marcha não tenham sido mais do que um receio coletivo face a algo que não se conseguia perceber.

Não foi com certeza a medida mais acertada…também tenho de dizer que, se lá estivesse, perante a falta de informação e de autoridade, provavelmente teria feito a mesma coisa. Por isso, não criticando a atitude em si, parece-me que a verdadeira causa está a montante dela. Após os acontecimentos do ano passado, e perante a dimensão que eles tiveram em termos de perdas humanas, na situação específica da estrada em Pedrogão Grande, o dispositivo deveria estar ciente de que neste tipo de situações, a sua intervenção deveria ser forte, visível, coordenada, e eficiente, não apenas para uma melhoria da intervenção em si, mas igualmente porque é importante para as pessoas confiarem que alterações foram de facto feitas, e são visíveis na atuação do dispositivo, gerando uma maior sensação de segurança. Confiar, aqui, é uma palavra fundamental, principalmente depois do eco que tem sido feito sobre falhas em reordenamento de serviços, apoio às vítimas, limpeza das matas, etc. Depois de uma tragédia como a que houve, o principal foco deve ser o restauro da confiança dos cidadãos, e essa só se consegue com a aplicação de uma melhoria contínua em todos os processos e organizações corajosamente envolvidas nestas operações.

Acredito que a lição foi entendida. Pelo menos quero esperar que sim.

Crédito da imagem: Região Sul – Diário online

Retrato de um génio

A última fotografia conhecida de Nicola Tesla.

Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação

Em busca do Luís

Tenho acompanhado com apreensão as buscas pelo Luís Grilo. Ao mesmo tempo, lembro-me dos tempos em que fazia Trail Running, e das muitas vezes que treinava só, no isolamento da Serra D’Aire, da sua natureza ou das suas povoações dispersas. Era o tipo de treino que gostava mais de fazer…apesar de ser importante o treino coletivo, com as dinâmicas de grupo em termos de ritmos, solidariedade, etc, era sozinho, na paz da natureza, usufruindo da energia do natural, do silêncio, do foco no momento.

Não vou de todo colaborar para o manancial de especulações mais ou menos justificadas sobre o que possa ter acontecido ao Luís Grilo. Poderá ter sido alvo de uma intervenção de terceiros, por via de assalto ou outra, ou pode ter sido um acidente de treino motivado por muitos fatores…se é certo que os atletas de competição ou amadores que levam o desporto mais a sério preferem percursos bem conhecidos que lhes permitem focar na performance e na sua medição, reduzindo preocupações periféricas, também é certo que quem treina individualmente detém uma possibilidade de gestão quase infinita do treino, e, em linha com a experiência, pode induzir um número elevado de variações no mesmo. Nunca tendo sido atleta de competição ou amador mais sério, mas tendo sempre gostado de planeamento e gestão, nos meus dias de treinos em serra, tinha um percurso bem definido e balizado no tempo, após a análise de uma série longa de treinos que me permitia saber exatamente em que zona estaria a certo ponto, com certa condição. Certo é que algumas vezes introduzia variações no percurso por decisão momentânea, face a condicionalismos físicos, vontade de um desafio, alterações rápidas na meteorologia, etc. E se por vezes corria bem, outras não era isento de sustos, pois algumas vezes o menor conhecimento dos percursos alternativos trazia alguma surpresas.

Do pouco que vou sabendo pela imprensa, parece-me  estranho o abandono do telemóvel. No caso dos triatletas, apenas na água ele não pode ser usado, mas num treino em estrada (seja de corrida ou de bicicleta), é um dos acessórios fundamentais, nomeadamente para um contacto rápido em caso de dificuldades. Se bem que por vezes também seja utilizado na marcação da rota, acredito que o Luís, como todos os atletas que de competição levasse consigo um relógio desportivo. Mas é um facto estranho, e preocupante, o facto de o telemóvel ter sido descartado…à partida não existe uma causa lógica para tal ter acontecido, que não o de uma queda acidental de um bolso, sem o atleta dar conta.

Apesar dos sinais, continuo com esperança, e, de coração, desejo apenas o melhor para o desfecho desta situação. Não contem comigo para criticar quem, neste momento, não se encontra apto para se defender…depois de quatro anos de Trail Running, e agora já com dois mais voltado para o Hiking, aprendi o suficiente para saber que muitas vezes as pessoas não sabem o que dizem, e dizem o que não sabem…não será um defeito das pessoas… talvez seja mais feitio de uma sociedade construída numa estrutura “googlada”. Além disso, neste tipo de andanças, bem válida continua a velha máxima popular “só quem lá anda é que sabe…”. E normalmente, aprender com possíveis falhas faz parte dessa sabedoria.

Crédito da imagem: Aline Correia

Miles in doc

De acordo com a Deadline, um novo documentário sobre Miles Davis irá surgir no início de 2019. Realizado e produzido por Stanley Nelson, um nome ligado a documentários como “The Black Panthers: Vanguard of a Revolution”, “Freedom Riders” e “Tell Them We are Rising: The Story of Black Colleges and Universities”, o documentário sobre Miles chamar-se-à “Miles Davis: the birth of cool”, e estreará na PBS e na BBC2.

O artigo completo pode ser visto aqui.

Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação

Bach of Ma

Já anteriormente expressei a minha admiração por Ma, aquando da publicação aqui da entrevista dada à Bloomberg, que é verdadeiramente soberba e ilustrativa da dimensão humana deste artista. E por isso não é novidade que um lançamento novo da sua parte me chame a atenção, especialmente quando estamos a falar de mais uma viagem pelas suites de Bach, que são das peças clássicas que mais aprecio, e partilhando aqui uma experiência com ela relacionada, é a única música que me acompanha na edição de fotografia, que me faz não apenas entrar num estado profundamente calmo, como se harmoniza com o lento deslizar do olhar pelas formas e pelos tons…

O lançamento está previsto para 17 de Agosto, e fica aqui o site