Habemus fotos

Figueiranoite
Crédito da imagem: Paulo Heleno

As pessoas que seguem o Omnia mais de perto repararam que surgiu um novo tópico. Fotografia. E sim, é verdade, era um tópico que aparecia e desaparecia um pouco ao sabor das ilusões e desilusões dos serviços de visualização, que nunca me satisfaziam. Por outro lado, finalmente acho que finalmente me consegui libertar um pouco da capa de “pai-galinha” das minhas fotografias, o que permitiu olhar para o que queria fazer de uma forma mais vasta e simples…nada como mudar os óculos com que vemos o mundo, para o mundo aparecer diante nós de uma forma bem mais direta e descomplicada.

Assim, as fotografias irão começar a ter aqui a sua casa, numa disposição macro dividida entre um portfolio de cor, mais generalista, e vários, temáticos,  a preto e branco. No primeiro caso, já conhecem as fotos do Instagram (fotografo muito pouco a cores, usando máquina fotográfica). Gosto do Instagram, e divirto-me bastante com a utilização dos filtros. Muitas vezes, em viagem, é uma forma muito versátil de fotografar e partilhar, de rapidamente transmitir uma mensagem, um pensamento, uma voz…não acho de todo que seja uma menoridade… Acho, e ainda esta semana escrevi isso na LinkedIn, que estimulou um sub-género mobile muito interessante, onde, se procurarmos com atenção, encontramos pessoas a fazer coisas mesmo muito interessantes. Aqui, algumas dessas fotografias terão um tratamento mais clássico, mas ainda assim, partem da mesma matriz que originou a versão “Instagram”. Quanto ao Preto e Branco, será um conjunto de álbuns temáticos que irão vendo a luz do dia de uma forma talvez um pouco mais lenta, mas de uma forma contínua. Algumas fotografias já têm algum tempo, e ganham aqui uma nova vida. Outras serão reveladas mais perto do final do ano.

Por último, referir que não me importo que usem as fotografias para publicar no âmbito dos vossos trabalhos ou hobbies. Contudo, gostaria sinceramente que se tal acontecer, coloquem o nome do autor, e o endereço onde se encontram. Todos somos aquilo que damos, e caminhamos naquilo que recebemos…pelo meio, existe sempre algo que todos ganhamos no respeito pelo trabalho do outro, e pela forma como esse trabalho nos pode, quem sabe, também fazer-nos ir um pouco mais além. Num mundo de tantos desencontros, saber partilhar apenas pela expressão do sentir dessa partilha é o redescobrir de algo belo, de como todos podemos ser capazes de caminhar em conjunto, naquilo que em cada um de nós vamos descobrindo, no convívio com todos.

Oscar & Valeria

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Crédito da imagem: AFP

Já estava deitado, mas esta imagem não me saía da cabeça…tal como no caso de Aylan Kurdi, esta não é uma imagem única, que aconteceu neste momento no tempo. Esta é uma imagem sem tempo, porque reflete algo que acontece com uma frequência macabra, uma repetição que incomoda, que normalmente não se gosta de enfrentar numa espécie de não admissão de luto coletivo enquanto humanidade, num purgatório situado entre a ausência de perceção do que nos trouxe até aqui, e a ausência de visão sobre para onde vamos, a partir daqui. Afinal, num vórtice de conceitos vazios, a humanidade vai-se tornando ela própria vazia, na medida em que coletivamente a varremos do nosso ser, numa perspetiva egótica e eugénica do nosso próprio vazio, enquanto Ser individual e social…uma sanitização coletiva da nossa história, que apenas lança um enorme nevoeiro sobre o nosso futuro, fazendo-nos cada vez mais esconder instintivamente nos discursos fáceis e populistas, adaptáveis à plasticidade da sociedade moderna, que glorifica o sonho do outro em ser feliz, por troca da nossa infelicidade, mascarada de ideologia.

Talvez isto explique o porquê de situações como esta estarem a acontecer a um ritmo alarmante nas fronteiras dos EUA e da União Europeia…tradicionais paladinos da liberdade e, pela sua história, destinos tradicionais de emigração, de zonas de crise, em situações de crise…mas cada vez menos existe a noção de mundo e de história, por troca com a necessidade de, para atingir as metas e os valores que a superficialidade da era moderna impõe, nos tornarmos mais pequenos, na glorificação do vácuo das fronteiras e de uma visão quase racista de povo, algo que estes novos movimentos nacionalistas fazem, infelizmente, muito bem.

Porque as ideias estão muito presentes, mas o sono vai apertando, uma última palavra para a fotografia em si…sim, deveria ter sido tirada. Esta e outras. Sim, deveria ter sido publicada e difundida…esta e outras…

Este assunto irá voltar ao universo Omnia.

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Crédito da imagem: Edward Hopper

Estava, antes de jantar, a ver alguma pintura que aprecio particularmente, e encontrei esta Ryder’s House, de 1933, um dos quadros pintados por Edward Hopper que ilustra a temática da casa. Achei que era a ilustração ideal do meu estado de espírito neste dia de aniversário: bom. Simples, sólido, pacífico, claro…as linhas de Hopper definem o complementar humano da paisagem natural, neste caso campestre, com a casa a surgir como uma complementaridade abrupta, mas fluída na paisagem, com as suas linhas retas definindo a sobriedade neutra do branco, que se destaca por entre o ondular verde da paisagem natural. Quase que se sente uma saudável ousadia.

Provavelmente Hopper não pensou que este quadro ilustrasse tão bem o sentir de uma pessoa, oitenta e seis anos depois. Mas, de facto, ilustra. Sinto-me em paz, numa harmonia algures entre o verde ondulante da paisagem e o branco sóbrio da casa. No horizonte vão-se erguendo as montanhas que alimentam o desejo seguro de caminhar por entre as margens do dia que flui, eterno Eu viajante, sempre com a certeza que, no meio de toda essa paz, uma sólida casa branca cada vez mais se estabelece, aonde posso voltar.

O que está acima dos limites do quadro não me interessa. O que está abaixo também não, e muito menos o que se estende para os lados. Interessa-me o quadro, e a harmonia que ele possui, até nos sonhos e desejos que desperta para onde quer que olhe no infinito do seu sentir, todos partindo da minha sólida e imensa ousadia branca.

Muito obrigado a todos, pelas palavras que recebi durante este dia. Bem hajam.

Omnia in micro – 13

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Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito Informação.

Todos os finais de tarde caminhava sem tempo…num dia, numa hora ou numa vida, deixava-se apenas deslizar por caminhos em tons de sol poente, por entre pinceladas de suave brisa marítima, compondo o seu horizonte. Intrigava-a a exaustão consentida da procura em decompor essa vastidão tão própria de cada um em algo que tivesse de ser visto ou admirado pelo outro. Ou medido…ou quantificado… tal qual a afirmação egótica de um Eu aprisionado por entre a ilusão dos dias de uma qualquer realidade distópica de sucesso…visto e admirado, mas aprisionado.

A beleza do caminho simplesmente existia em si. Olhava-a…trilhava-a, respirava-a…por vezes com ela dialogava por via dos pensamentos que se tornavam imagem de si mesma pelas lentes da sua máquina. E sem regras, porque as regras, na fotografia foram feitas para serem quebradas, por entre grades vencidas nos restos dessa realidade distópica que se rendia ao facto de, em todo o entardecer, ela apenas desejar olhar o horizonte.

Saudáveis dores de cabeça

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Crédito dos livros: Taschen e autores dos mesmos

Depois de um sábado a ben-u-ron’s e a gerir uma dor de cabeça daquelas que não deixa saudades, eis que o dia vai acabando e, felizmente, vai levando consigo esta malfadada maleita. Começa agora uma dor de cabeça muito mais saudável, e que se traduz na pergunta “em qual pegar primeiro?”.  Apetece-me pegar nos dois de forma simultânea, mas infelizmente, é preciso escolher. Quem disse que a vida é simples? E quem me manda ir sempre ver as prateleiras da Taschen?

Desde o seu lançamento já neste ano de centenário que “Bauhaus Mödels”, de Patrick Rössler, era já um desejo. Rapidamente se tornou um dos livros de referência sobre a temática da presença feminina na Bauhaus, e de como as mulheres que a frequentaram ajudaram a construir este ideal modernista, em virtude de ser o produto mais recente da constante investigação feita nos arquivos da escola. Ficamos assim com mais uma justificada referência à presença, ao carácter e à obra de mulheres como Marianne Brandt, Gertrude Arndt, Lucia Moholy entre muitas outras, que ousaram seguir o seu próprio caminho artístico de uma forma moderna e progressista, em tempos conturbados da história alemã, marcados pela forte crise e pelo advento do nazismo. São histórias de liberdade e coragem, que ainda hoje nos ensinam algo.

“Bauhaus”, de Magdalena Droste, foi publicado pela primeira vez em 1990, e é uma das publicações de referência em termos de história da Bauhaus, com a autora a ser uma das mais respeitadas vozes sobre o tema, fruto duma profunda dedicação ao estudo da escola em todas as suas facetas, parte dele levado a cabo nos Arquivos Bauhaus como académica assistente. Nesta nova edição, contamos com 250 novas imagens, que tornam o livro maior, mas também mais rico, relativamente a uma edição mais antiga que pude brevemente consultar há algum tempo.

Entretanto, vai continuando a saudável dor de cabeça.

Crédito das publicações na imagem: Taschen