Cuidadores informais – reportagem SIC

Na sequência do podcast sobre a temática dos Cuidadores Informais, publico aqui a reportagem realizada pela SIC sobre o mesmo tema. Um convite à reflexão, sobre o quanto todas estas existências estão tão próximas de nós, tão próximas que por vezes somos tentados a vê-las de uma forma distante…um olhar sobre quem em si liberta o amor na direção do próximo, erguendo-o no seu coração.

Os parabéns à SIC por esta reportagem, que vem trazer mais um contributo para a discussão pública que felizmente se vai começando a fazer sobre este tema, numa sociedade que tem de enfrentar ela mesma as “dores” da sua evolução.

Crédito do vídeo: SIC

Polónia sem história

Uma das recordações que retenho dos anos 80 foi a forma como Lech Walesa encabeçou a resistência polaca ao governo de Wojciech Jaruzelski, a partir do porto Lenine, em Gdansk, onde era eletricista de profissão e ativista sindical e líder do sindicato Solidariedade.

Lembro-me claramente de um homem enérgico, nunca escondendo a sua face, que rapidamente se tornou num símbolo em toda a Europa Ocidental, pela sua atitude perante um cenário de repressão violenta, exercida pelo regime. Uma luta que foi crucial para a realidade geopolítica naquela zona, tendo a sua conclusão sido um fator decisivo para uma afirmação da Polónia na Europa (da qual os frutos têm sido colhidos também nos anos recentes), mas igualmente fundamental no recuo da influência russa na região. Nessa altura, a situação no Bloco de Leste fazia parte do dia a dia, fosse das discussões de café ou das conversas de liceu. Vivia-se a política internacional com uma atitude bem mais globalizada do que a vivemos hoje, em plena era da globalização, não sendo incomum encontrar pessoas nas nossas relações com pensamento e conhecimento formados sobre estas temáticas. A Guerra Fria estava bem presente, e existia uma consciência global das dinâmicas da mesma.

Hoje, enquanto revia alguns tweets, chamou-me a atenção um que referia este artigo do Wall Street Journal, afirmando que o nome de Walesa vai desaparecendo da memória coletiva polaca por ação do atual governo, que em exemplos como o citado, frequentemente desvaloriza o papel do antigo sindicalista e presidente. De facto, tem-se assistido na Polónia e em todo o Grupo de Visegrado, a um revisionismo histórico sem precedentes, tentando afirmar um nova filosofia, de pendor mais nacionalista e para consumo imediato…se a UE tem dúvidas sobre o autoritarismo e o défice democrático destes regimes, deveria olhar para esta prática que lhes é muito comum na realidade global. Aliás, tendo sido Walesa um lutador não apenas contra os regimes pró-comunistas polacos, mas igualmente um defensor da entrada da Polónia na UE e na NATO (já na fase da sua presidência), dever-se-ia talvez refletir com alguma atenção sobre a evolução ideológica deste grupo de Visegrado num contexto da afirmação da Rússia na fronteira leste europeia.

São estas as consequências de, entre outras coisas, um crescente e generalizado desinteresse pela história…todo o emergir do movimento populista e fascista na Europa nada mais é do que o reflexo de uma sociedade que vai hipotecando a sua identidade, o conhecimento do seu caminho enquanto povo por entre alguns dos momentos mais negros vividos no continente europeu, a um discurso sem passado, ancorado em futuros incertos que mudam ao sabor das conveniências geopolíticas e económicas…no presente, estes movimentos vão, paulatinamente, chegando ao poder, institucionalizando esse revisionismo, e passando-o à população na forma de uma mensagem demagógica mas muito ativa, de satisfação de necessidades rápidas de mudança, exigidas a partir de uma profunda desilusão que marca o ideal europeu desde a crise económica de 2008. No caso da Polónia, é evidente uma ligação da política à força que a religião mantém no país, procurando um bloco único de interesses que se alimenta a si mesmo.

Os resultados? talvez a história nos possa dar algumas pistas. Mas poucos são os que parecem dispostos a ouvir as lições do passado…

Crédito da imagem: FRANK PERRY/AFP/Getty Images)

Velas LED

Com a renovação nos meus espaços aqui de casa, vou igualmente conhecendo algumas novas formas interessantes de os recompor. A primeira que me chamou a atenção foi a existência de velas LED, aqui usadas como luz associada a um pequeno centro de paz (que já havia mostrado), e que surgiu onde existia toda uma confusão de objetos.

Descobri-as num dia em que fui ao Espaço Casa, e em que por acaso refletia sobre como ia resolver a questão das velas, algo que gosto profundamente e que desde sempre, está presente nas minhas práticas de Reiki e Meditação, ou simplesmente para contemplar a sua luz no silêncio da noite, sem um qualquer objetivo definido. Sendo a minha casa já antiga, e com uma grande parte feita em madeira, tenho sempre algum receio da utilização algo de velas, apesar de alguns dos suportes ou enquadramentos que vejo para as mesmas me induzir alguma segurança. Ainda assim, em virtude de um pequeno susto há um par de anos, nunca me senti 100% confortável. O que me atrai na vela é a luz…o ponto de luz que flutua na noite, que foca a minha mente para a libertação meu espírito. Igualmente, um ponto de luz onde recai a minha intenção de paz, harmonia e evolução, seja para mim, para o próximo, ou para o mundo. Estas velas LED ajudam-me assim bastante nesta renovação, dando-lhe um cunho mais vincado, mais perto do que é a minha intenção, afastando os receios que ainda existiam. E quanto ao purismo da chama, e da vela de cera…se algo cada vez mais a vida me ensina, é que nada detém um monopólio de nada, seja na visão absoluta, seja na visão relativa…interessa sim, a energia que parte de nós, harmonizando-nos com o ambiente que nos rodeia.

Quanto às velas propriamente ditas, as que se podem ver na imagem são compradas num pack de 2 unidades, cada uma já contendo uma pilha CR2032, por €4,95. Ainda não vos sei dizer quanto elas podem durar, mas posso-vos dizer que estão a fazer hoje um mês. Têm uma intensidade forte no início, que depois se reduz um pouco, ficando estabilizadas num nível de iluminação ambiente agradável. Vão definitivamente surgir mais cá em casa, não apenas porque estou muito satisfeito com elas, mas igualmente porque, pelo que tenho pesquisado, existe toda uma miríade de modelos e estilos que me agradam muito. Um caminho a seguir, entre outros.

Crédito da imagem: Paulo Heleno

Akiko

Uma mulher perdida numa estrada noturna. Uma visão da passagem entre vidas por entre o cenário vazio de um qualquer momento de transição, onde a vida e a morte se consubstanciam em harmonia num cenário sem tempo, e onde a personagem se busca no meio da busca do que vai acontecendo ao seu redor, ao mesmo tempo que revive os seus últimos momentos na realidade da sua vida. Gostei muito deste Akiko, escrito e realizado em 2008 por Michael Sewandono. Um exercício visual muito bem conseguido e que vale a pena ver.

Ficha IMDB

Crédito da imagem: LEV Pictures

O medo em blog

Por entre noticiários de almoço e jantar, fui ouvindo algumas notícias sobre como alguns bloggers, na base do anonimato, entram com os seus blogs nas guerras futebolísticas, como parte ativa ou apenas apoiando as partes. Numa das notícias que ouvi, o Benfica entrou em acordo com a Google para a divulgação dos nomes de alguns desses bloggers, assumidos  detratores do clube, para posterior procedimento judicial sobre os mesmos.

Não sei os motivos, mas para tal pedido ser feito, acredito que existam fundamentos juridicamente razoáveis. A meu ver, qualquer entidade que se sinta prejudicada nos seus interesses pela ação de um blogger anónimo, levada a cabo fora do legalmente enquadrado, tem, a meu ver, o direito de saber a identidade dessa pessoa, e agir judicialmente sobre ela. O que me chamou a atenção foi o grau de alheamento destas pessoas….dizia a notícia que um dos autores tinha manifestado receio pela sua família, pois a sua identificação poderia provocar vinganças de adeptos, com contornos graves. Dizia ainda que, na noite posterior ao aviso da Google de que a sua identidade seria revelada ao clube, não dormiu, e sentiu medo, enquanto observava a sua família pela manhã. Sem dúvida que o futebol capta o que de mais instintivo existe nas pessoas, envolvendo-as numa atmosfera de matilha e num perigoso sentido de pertença. Tal é feito por via de mensagens muito bem dirigidas, neste caso fundamentadas em referências a valores que, na prática, nada mais são mais elementos decorativos de políticas de comunicação, esvaziados de qualquer realidade histórica que lhes têm dado origem…daí nasce uma espécie de justificação medieval para o clima de tensão bárbaro que existe entre clubes, e para as subsequentes batalhas, onde estas pessoas, e mais alguns milhares (a outro nível) são orientadas como peões, com as suas ações a nada mais serem do que elementos de um xadrez jogado num nível estratosférico, do qual pouco compreendem, e sobre o qual não têm nenhuma influência. Na visão inversa, as pessoas (como aquele blogger) que se aventuram a entrar (no jogo) são facilmente esmagadas, numa espécie de guerra bárbara onde nada mais são do que cavaleiros da triste figura, num exército de reis caídos que se movem orgulhosamente nus por entre as turbes, e que pelas turbes são glorificados na elegia da futilidade…

Nenhum clube justifica colocar uma família numa situação perigosa, especialmente nos tempos que vivemos, onde tudo se escala com preocupante facilidade, fazendo com que a razão perca o seu sentido, e as caminhadas percam um qualquer sentido, num ambiente fora de razão. E se quisermos colocar a situação de um ponto de vista social, nenhum desporto vale o potencial descontrolo que estas situações podem tomar, extravasando-o e contaminando o ambiente social. É altura de parar.