Um novo trabalho

N

um tempo em que se preparam as comemorações dos 100 anos da Bauhaus, a introdução à “The Theory and Organization of Bauhaus”, pode ser vista como uma antevisão de um fenómeno cada vez mais presente na atualidade, consistindo o mesmo na busca do trabalho como parte integrante da felicidade do viver, parte de uma sensação de plenitude interior cada vez mais desejada pelas pessoas. A vontade de explorar o seu desejo interior, faz com que muitas delas mudem de ramo de atividade, por vezes tendo a criatividade como motor de novas ideias de vida, também se traduzindo num desejo de maior calma e paz, levando a um movimento rumo a meios populacionais mais pequenos, ou numa imersão no natural. O que certamente tem, é a oferta de uma maior liberdade de seguir um caminho próprio. Este é uma tendência ainda não totalmente entendida pelas organizações de modelo mais tradicional, que tardam a perceber o que de positivo advém de uma maior liberdade de expressão interior pelos seus colaboradores, uma proatividade criativa que, independentemente dos setores ou departamentos, torna o todo muito mais aberto a uma realidade contextual cada vez mais global, cada vez mais se acomodando a uma maior necessidade de propósito, de atuação positiva no meio. Porque o mundo, esse mundo cada vez mais global, também se vai tornando cada vez mais pequeno, mais “glocal”…escrevia assim Walter Gropius em 1923, na introdução ao já referido artigo:

The dominant spirit of our epoch is already recognizable although its form is not yet clearly defined. The old dualistic world – concept which envisaged the ego in opposition to the universe is rapidly losing ground. In its place is rising the idea of a universal unity in which all opposing forces exist in a state of absolute balance. This dawning recognition of the essential oneness of all things and their appearances endows creative effort with a fundamental inner meaning.No longer can anything exist in isolation. We perceive every form as the embodiment of an idea, every piece of work as a manifestation of our innermost selves. Only work which is the product of inner compulsion can have spiritual meaning. Mechanized work is lifeless, proper only to the lifeless machine. So long, however, as machine – economy remains an end in itself rather than a means of freeing the intellect from the burden of mechanical labor, the individual will remain enslaved and society will remain disordered. The solution depends on a change in the individual’s attitude toward his work, not on the betterment of his outward circumstances, and the acceptance of this new principle is of decisive importance for new creativ e work.

Crédito da imagem: Bauhaus-Dessau