Leslie

V

em aí o furacão Leslie. Portugal não se encontrava normalmente na rota destes grandes fenómenos atmosféricos, mas as alterações climáticas vão-nos trazendo novidades a um ritmo bem maior do que aquele dedicado a refletir sobre os seus impactos. Estamos situados numa das zonas de primeira linha destas alterações, com o Atlântico por um lado, e os sistemas climáticos africanos pelo outro, prometendo à nossa descendência um país bem diferente do atual, de extremos e de choques climáticos. Confesso que sou daqueles que se questionam se estamos a preparar de forma cuidada esse futuro, numa era onde as crianças são cada vez mais protegidas do próprio mundo que lhes pode ensinar tanto sobre todos nós. Em relação ao Leslie em particular, a imprevisibilidade da rota destes fenómenos torna, nesta altura, difícil a tarefa de estimar a sua trajetória, fortemente influenciada pelas depressões a Norte e pelo Anticiclone dos Açores a Sul. Mantenham-se a par das últimas informações através da página do IPMA, não esquecendo uma visita à página da Autoridade Nacional da Proteção Civil.

Uma última palavra para as pessoas que se colocam em risco para fotografar cenários relacionados com estes fenómenos…uma boa fotografia não vale um acidente grave ou potencial fatal…e mesmo que nada aconteça, o exemplo que transmitem pode ser, um dia, o motivo para alguém poder ter algum acidente. Mantenham as máquinas no saco, partilhem este tempo com um bom serão em família ou com os amigos. Celebrem a vida, que um dia nasceu das forças poderosas que lá fora agitam os elementos nestes dias.

Crédito da imagem: NASA Worldview, Earth Observing System Data and Information System (EOSDIS)/ NOAA