Fim de semana prolongado…

C

onfesso que nunca tive a sensação de um fim de semana prolongado tão curto como o que passou. Muito por causa de uma sexta-feira e de uma viagem ao Alentejo que teve tanto de prazer como de sofrer. Por entre a longuíssima viagem pela A23 e pelo IP2, sem grandes estruturas de apoio (tirando a estação de serviço de Abrantes onde tive obrigatoriamente de repousar no regresso), e o facto de tudo o que pretendia visitar estar fechado, ficou a recordação dos caminhos de negro por entre o dourado dos campos onde os vinhedos ocasionais sobressaem, anunciando novo vinho num Outono já anunciado. Seja no litoral, seja pelo seu interior, andar pelo Alentejo é um festival interior de libertação, usufruindo de um espaço, de uma amplitude de olhar que se estende e liberta-nos em cada centímetro de terreno que se vislumbra no horizonte. Terra de luz, de uma tela de paz, terra da parte do meu equilíbrio que busca a sua contra parte no Norte, nas terras do Demo que o Torga cruzou, e nas montanhas que nos inundam. Ainda assim, o calor e a fraqueza fizeram-me cair um pouco…senti que um dia tão bonito foi um dia algo perdido por entre dores de cabeça, naprosyn, e um esforço enorme e desgastante de condução…ao mesmo tempo, tive igualmente pena de, em virtude de ser feriado, não ter podido voltar à Adega Mayor ou ao Museu do Café (agora Centro de Ciência do Café)…tenho refletido muito no meu caminho profissional, e na sua evolução, e é sempre um prazer fazê-lo naquela extensão de terreno enorme e mágica que, para mim, significa Gestão em Portugal, e que tenho como referência de ética, no meu crescimento profissional. A Delta é sempre uma visita obrigatória quando vou a Campo Maior…por outro lado, Vila Viçosa e o seu Paço Ducal fizeram jus ao país de turismo “afirmativo” em que Portugal se vai tornando, permanecendo fechado no feriado, deixando todo um conjunto de carros à porta…

Na próxima há mais. Há sempre mais quando algo de novo define a nossa busca. Foi o que senti quando, já em Leiria, rapidamente recuperei para um profundo relaxamento. No dia a dia pensamos por vezes que rapidamente as coisas podem desaparecer, de um momento para o outro, a uma velocidade que envergonha os incautos segundos no relógio…mas fora esse período algo estranho de existência, nada pode desaparecer se ainda não cumpriu a sua missão em nós…e ainda existem muitos caminhos a trilhar. Preferencialmente com muitas estações de serviço, um microcosmos que aprecio particularmente na observação das pessoas. Mas… isso fica para outro post.

Crédito da imagem: Paulo Heleno