A praxe não é uma obrigação

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unca fui adepto de praxe, e nunca participei ativamente nas atividades que lhe eram dedicadas ( ou mesmo na chamada tradição académica). Foi sempre um meio que nunca me atraiu e, na praxe propriamente dita, nunca senti que por não participar, e ser assumidamente contra esta prática, me fizesse sentir mais ou menos excluído das atividades diárias na Universidade. Nas praxes mais clássicas, e naquelas em que se assistiam a alguns comportamentos abusivos, apenas se via a perpetuação de um ritual desprovido de qualquer sentido que não o de  um teatro perfeitamente dispensável, e que normalmente para nada mais servia que não à satisfação egocêntrica de uma qualquer pessoa ou grupo. Nos casos mais graves, como o que aconteceu na Covilhâ este fim de semana, parece-me importante perguntar se as pessoas que os levaram a cabo têm as necessárias competências sociais e de convivência em grupo para frequentarem instituições universitárias…acima de tudo, bem vistas as coisas, nenhuma praxe daquele modelo mais tradicional, mais ou menos abusivo,  tem qualquer utilidade na vida dos estudantes, presente ou futura, e por vezes apenas acabam mal, desnecessariamente, pois toda aquela futilidade podia ser evitada.

Felizmente vão existindo exemplos de praxes diferentes, onde o bem comum e o auxílio ao próximo  são pilares de intervenções sociais e ambientais, e onde podemos assistir à criação de laços abrangentes entre a comunidade estudantil universitária e a sociedade, numa realidade que pode ser aquela presente no futuro destas pessoas, seja no cada vez mais intenso efeito das alterações climáticas, seja numa sociedade mais voltada para a sua demografia, e os impactos da mesma nas dinâmicas sociais. Despertar ou cultivar essas formas de consciência é integrar esses jovens numa dinâmica não apenas académica, mas igualmente de intervenção social. E isso é saudável, num país profundamente carente de ação cívica e cidadã, que deve ter nas universidades um dos seus focos de atuação.

Se és estudante universitário(a) e leres este artigo, se sentires que a tua integridade física ou psicológica foi de alguma maneira agredida de formas que não consideras razoáveis ou normais, visita a página da Direção Geral de Ensino Superior e coloca a tua situação através de um dos contactos aí presentes.

Crédito da imagem: DGES