Omnia in micro – 6

Num dia daquela semana, numa qualquer rede social, voltou a vê-la. Estava numa fotografia, tão bela quanto dela se lembrava, com o seu cabelo loiro apanhado por um olhar vivo, aquele olhar que sempre lhe despertava a imagem de um imenso prado verde, diluído na luz do sol matinal. Sorria como muitas vezes lhe tinha sorrido, e foi nessa lembrança que ele mesmo não pôde deixar de sorrir, enquanto passava o dedo pela fotografia. Mas com ela estava igualmente o azul dicotómico e sinistro da hipocrisia que a rodeava…um azul predador da aura que a rodeava, tacitamente aceite no seu viver…

Por isso ela era apenas uma fotografia. Por isso ele partiu, sem lutar.

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