Serena

Confesso que não percebo muito bem este caso da Serena Williams. Sejamos práticos. O treinador quebrou uma regra. Não interessa se Serena viu ou não, a regra foi quebrada…e filmada (é preciso que se note). Se, tal como diz, Serena não viu, então acho que deveria falar com o seu treinador, buscando a razão do acontecido. Por outro lado, Carlos Ramos não tinha outra opção que não a de tirar o ponto, mediante o comportamento absolutamente deplorável da tenista. Não se pode atirar a raquete ao chão, nem se pode falar com um árbitro daquela forma.

P

ara ser franco, não sei se a punição não poderia ser um pouco mais grave, uma vez que, na minha visão, esses dois acontecimentos mereciam cada um a sua sanção. Mas Carlos Ramos escolheu assim. É uma prerrogativa sua e, bem vistas as coisas, é compreensível, tentando acalmar a situação. O ténis é simples. Tem regras simples, não vale a pena complicar. E para além da sua simplicidade (do jogo e das suas regras), continua a ter um código de conduta cada vez mais importante nos tempos modernos, caracterizados pela relativização das regras, também contribuindo para alimentar os sonhos das atletas que o praticam, induzindo entre outras coisas o respeito pelo outro na sua formação. Atitudes como a de Serena não têm desculpa, e definem alguém que se calhar já não se identifica com o jogo…não me impressiona a pantera negra e o tutu…isso nada mais é do que o marketing associado a uma necessidade de sobressair no campo, para alimentar o press system que rodeia estas pessoas. Mas, porque durante muitos anos joguei ténis e nele também cresci, absorvendo os seus valores, estas atitudes chocam-me. Existiam outros locais para fazer certo tipo de reclamações. Nunca no campo.

O que ela fará, sobre esta situação no futuro…não sei. Como se irá tentar retratar (porque no ténis, o dinheiro manda e muito), também não sei…sei, que realmente, não me interessa ver mais tenistas como Serena. Interessa-me sim continuar a acompanhar tenistas como Naomi Osaka, que cumpriu o sonho da sua via numa final do Grand Slam, vencendo o seu ídolo, com uma postura de humildade, mestria, concentração (e alguma inocência, como se viu na entrega do prémio) foi feliz. Muito feliz. Que continue a nos encantar durante muitos anos.

Crédito da imagem: USA Today Sports