Amelia

Desde criança que tenho um imenso fascínio por Amelia Earhart. Nunca me regi pelas idolatrias da moda, e Amelia surgiu cedo como aquela pessoa com quem me gostava de identificar. Na sequência desse facto, desde muito novo, tenho a espaços escrito sobre ela, fosse na escola (através de simples composições) ou nos anteriores blogs que mantive. Amelia continua a ser para mim uma heroína, alguém sobre o qual procuro saber sempre mais. E, a cada facto novo que vou descobrindo, não posso deixar de impedir o crescer da profunda admiração por esta mulher que, no seu sonho de voar, se tornou um símbolo feminino, tornando-se na imagem que muitas meninas associavam, não apenas ao seu próprio desejo de voar, mas igualmente, e de forma mais ampla, ao desejo de se sentirem mais iguais perante uma sociedade eminentemente masculina e conservadora (a própria Amelia foi muitas vezes diminuída, e mesmo gozada, na persecução do seu sentir).

Mas, com o passar do tempo, a menina que sonhava voar criou a sua obra e os seus feitos, até ao fatídico ano de 1937, altura em que, a bordo de um Lockeed 10E Electra, e com o auxílio do navegador Fred Noonan, se propôs fazer um voo de circum-navegação equatorial do planeta, num total de 47.000 km de extensão. Esta seria uma aventura que teria um fim trágico  no Pacífico, num mistério que ainda hoje se encontra por resolver, submerso numa grande quantidade de teorias, que se estendem desde a captura pelos japoneses após uma aterragem forçada no atol de Mili num período de afirmação militarista do Japão imperial, antes do início da II Guerra Mundial (teoria trabalhada neste documentário do canal História, apresentado hoje) até ao despenhamento em pleno Oceano Pacífico. Pelo meio, a tendência natural dos media americanos para as teorias da conspiração criou todo um conjunto de cenários nunca minimamente consubstanciados. Do documentário referido acima, retirei que a teoria se encontra cada vez melhor fundamentada por um conjunto de documentação e de fontes com variedade geográfica assinalável, para além de tudo se encaixar dentro da cronologia do desaparecimento. Na minha opinião, foi sempre, e continua a ser a hipótese mais plausível.

Ver a prisão onde terá passado os seus últimos dias, e a fotografia (de autenticidade comprovada) onde em desalento observa o Electra a ser içado a bordo de um navio japonês, aumentaram ainda mais a admiração que sinto pela minha heroína de infância. Nesta época de falta de líderes e de símbolos, enredados pelos ditames da teia mediática, Amelia Earhart continua para mim a significar a pureza de um ideal, e de como um sonho sustenta uma vida de nos descobrirmos a nós mesmos e ao mundo, de uma forma contínua, construindo nós mesmos, pela nosso sentir e vontade, novos caminhos. Sempre com alegria. e firmeza no sentir. Costumava dizer:

“The more one does and sees and feels, the more one is able to do, and the more genuine may be one’s appreciation of fundamental things like home, and love, and understanding companionship.”

Onde quer que esteja, qualquer que tenha sido o seu destino, que descanse em paz. Quanto ao seu exemplo de vida, o legado do seu sentir e das suas ideias, continua bem vivo, num mundo que cada vez mais dele necessita.

Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação.