Trilho

Rodado em 2013, com a duração de cerca de uma hora, Trilho é um filme que se pode dizer que vai contra-corrente, e que ao mesmo tempo a segue…tendo como pivot a objetiva de uma fotógrafa (que também é personagem do filme), Trilho leva-nos brevemente pelo percurso de vida e de atividade de um conjunto de pessoas, todas com ligações ao meio artístico…uma fotógrafa, um ator, uma bailarina, e um ator que decide colocar as suas ideias criativas no papel, movido pelo desejo de elaborar um guião para cinema. Num qualquer edifício de uma zona tradicional lisboeta, ouvimos de todos histórias que nos são muito comuns na vida do dia-a-dia, desde as dificuldades que muitas vezes os pais colocaram, à falta de trabalho no meio e a forma como por vezes esse trabalho é dirigido “sempre para as mesmas pessoas”, passando pelo facto de cada ideia passar por um crivo por vezes estranho de dificuldades obscuras. Mas o filme revela-nos também outro lado. Pela mesma objetiva passam histórias do assumir de um caminho como uma experiência de crescimento e realização pessoal, de partilha em liberdade, e de rejubilar com a liberdade do próximo…assumir a felicidade na definição de horizontes próprios, os mesmos que nos fogem na rigidez das rotinas diárias. Corrente e contra-corrente encontram-se assim numa narrativa interessante, enquadrada na encenação de alguns dos seus momentos quotidianos.

Gostei do filme, mas tenho de dizer que, para um filme em que a objetiva é o fio condutor e unificador da história, estava à espera de uma fotografia melhor, apesar de um ou outro plano mais bem conseguidos. Faltou um muito melhor aproveitamento da luz tão mágica com que Lisboa nos brinda na permanência dos dias…achei igualmente um pouco monocórdica a peça de guitarra portuguesa tocada pelo Frankie Chavez. Sendo uma melodia bem conseguida, e que fica no ouvido, vai-se tornando um pouco repetitiva, ao longa da hora que dura o filme.

Mas é um filme que nos faz bem. E que a todos aconselho.

Crédito da imagem: Desconhecido. Solicito informação.