Nota à nota (ainda Monchique)

Confesso que a forma como está a ser discutida esta questão das evacuações em Monchique, e que numa primeira fase comentei em virtude de alguma insensibilidade que se começava a sentir,  está a atingir níveis absolutamente lamentáveis insulto fácil e gratuito, atropelando a dignidade que as vítimas dos efeitos provocados pelo incêndio de Monchique, todas elas, merecem.

A meu ver, a questão prende-se a dois níveis:

  • A forma como a GNR atua num cenário de grande stress, onde as pessoas estão sobre uma enormíssima pressão emocional. Ao contrário da dúvida existencial de alguma imprensa, nunca tive grandes questões sobre se, à luz dos normativos, o que a GNR estava a fazer era legal ou não. Já me questiono sobre se levar pessoas algemadas para fora das suas casas é a postura mais correta a ter nestes casos.
  • A forma absolutamente leviana como alguns comentam o drama daquelas pessoas ,(e foi mais isto que me levou a escrever o post anterior) que contaminou de uma forma quase viral esta discussão. É preciso perceber bem o que sofrem estas pessoas, e espero sinceramente que quem fez esses comentários nunca passe por isso. Que o futebol permita treinadores de sofá, é uma coisa. Mas estas são situações que não podem ser vistas da mesma forma. Para esta realidade não igualmente contribuído o comportamento de alguma comunicação social tem mostrado ao amplificar e endeusar a forma como essas pessoas procederam, e que é outra forma errada de ver o problema.

Monchique passou pelo meio dos “pingos da chuva”, deixando não apenas uma gigantesca área ardida, mas mais uma vez uma preocupante noção da falta de algo que vai muito para além da cidadania ou de organização do estado, consubstanciando-se num profundo relativismo da crítica fácil e vazia. Mais uma vez, matamos uma discussão importante à nascença por via da irresponsabilidade da comunicação social, e da ansiedade por protagonismo nas redes sociais…

Será que Pedrogão não nos ensinou nada?

Crédito da imagem: Global Imagens