A12

Esta tarde, no Twitter, gerou-se alguma troca de ideias sobre o acontecido ontem na A12. Por entre opiniões variadas, fiquei ainda mais convencido de que perante aquela situação, funcionou muito o inconsciente coletivo relativo ainda aos acontecimentos do verão do ano passado. Do que se foi falando, e da informação que fui vendo e ouvindo entre ontem e hoje, parece-me que sendo possível que os bombeiros tivessem a situação controlada, não contendo a mesma perigo efetivo, certo é que as pessoas não só não tiveram a informação apropriada, como igualmente não pareceu existir uma presença de autoridade que organizasse a situação (algumas pessoas afirmaram terem ligado para o 112, tendo sido aconselhadas a apresentar queixa às autoridades). Não me custa a aceitar que esta ausência despertasse uma sensação não apenas de medo, mas igualmente de ausência de confiança perante o que estava a ser feito, e que as manobras de inversão de marcha não tenham sido mais do que um receio coletivo face a algo que não se conseguia perceber.

Não foi com certeza a medida mais acertada…também tenho de dizer que, se lá estivesse, perante a falta de informação e de autoridade, provavelmente teria feito a mesma coisa. Por isso, não criticando a atitude em si, parece-me que a verdadeira causa está a montante dela. Após os acontecimentos do ano passado, e perante a dimensão que eles tiveram em termos de perdas humanas, na situação específica da estrada em Pedrogão Grande, o dispositivo deveria estar ciente de que neste tipo de situações, a sua intervenção deveria ser forte, visível, coordenada, e eficiente, não apenas para uma melhoria da intervenção em si, mas igualmente porque é importante para as pessoas confiarem que alterações foram de facto feitas, e são visíveis na atuação do dispositivo, gerando uma maior sensação de segurança. Confiar, aqui, é uma palavra fundamental, principalmente depois do eco que tem sido feito sobre falhas em reordenamento de serviços, apoio às vítimas, limpeza das matas, etc. Depois de uma tragédia como a que houve, o principal foco deve ser o restauro da confiança dos cidadãos, e essa só se consegue com a aplicação de uma melhoria contínua em todos os processos e organizações corajosamente envolvidas nestas operações.

Acredito que a lição foi entendida. Pelo menos quero esperar que sim.

Crédito da imagem: Região Sul – Diário online