A outra S. Paulo

A aventura sempre vem ter comigo. Tem sido assim ao longo da minha vida, em momentos muito precisos, e sou muito grato por isso. De forma mais ou menos inesperada, surge sempre um momento no tempo que, nos momentos em que pára o tempo, leva o meu pensamento e o meu sentir mais longe, cortando as amarras do dia, e libertando as velas na noite…crescer é assim. Não tem tempo nem espaço. Apenas a nossa alma e coração abertos para as lições que surgem.

Antes de ontem, fiquei a conhecer uma S. Paulo que, muitos poucos profissionais da minha área, turistas ou gestores conhecem. Uma cidade muito diferente da cidade cosmopolita onde normalmente me movo, e onde imperam a segurança e o conforto. Devido a um erro no funcionamento da app para motoristas do Uber (raro por aqui, mas acontece), a minha normal viagem de 7,5 km, tornou-se num tour de cerca de 60 km por uma S. Paulo diferente, onde fiquei com a sensação de que a nova cidade vai nascendo alicerçada no esquecimento do que de si é mais velho, do que de si é mais pobre, num contraste que em algumas zonas é bastante gritante. Percebem-se um pouco mais muitas das razões para certas situações que acontecem no Brasil, e igualmente muitas das idiossincrasias do seu povo. Povo esse que, na sua maioria, assiste às grandes melhorias de longe, por entre problemas que vão muito para lá das dificuldades sociais de um país profundamente desigual, tocando por vezes a dignidade do viver.

Vou acabar por não pagar mais por isso (segue agora o processo de reaver a despesa). Mas acho que naquelas (quase) duas horas tornei-me uma pessoa um pouco melhor. Um profissional um pouco melhor. Por tudo isso, sou grato. Sinto-me honrado por ter aprendido com todas aquelas pessoas que apenas via através de uma janela de um carro…e para além disso, reforcei a minha ideia de que, para o bem de todos, todos podemos sempre ser um pouco mais. Um pouco melhores.

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